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Novo Desenrola recoloca renda e crédito no centro do debate

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O relançamento do Novo Desenrola Brasil, detalhado em reportagens do g1 e da Agência Brasil, recolocou a renegociação de dívidas no centro da agenda econômica e social do país. A nova fase foi lançada em 4 de maio de 2026, com duração prevista de 90 dias, e prevê descontos de até 90%, juros reduzidos, uso do FGTS e foco em famílias, estudantes e pequenos empreendedores, com o objetivo de reduzir a inadimplência e recuperar o acesso ao crédito.

Ao mesmo tempo, a discussão deixou de ser apenas sobre renegociar passivos e passou a envolver o impacto coletivo do endividamento sobre o consumo, o orçamento das famílias e a estabilidade econômica. A Consumidor Moderno destacou que, embora o programa prometa alívio imediato, especialistas alertam para o risco de reendividamento e para a persistência de um ciclo de inadimplência. Já a calculadora divulgada pelo Ministério da Fazenda e repercutida pela ContGRS/Contábeis passou a funcionar como instrumento de simulação prévia, permitindo ao consumidor estimar parcelas e descontos antes da contratação com o banco.

Nesse contexto, a advogada Giuliana Pinheiro Bastos Neves, que atua em Direito Bancário e Defesa do Consumidor, avalia que a importância do programa está em sua capacidade de interferir não apenas na vida financeira individual, mas também no equilíbrio coletivo das relações de crédito. Com base nas regras oficiais do serviço do governo federal, ela entende que uma política que amplia descontos, limita juros e reabre o acesso a crédito mais sustentável pode funcionar como mecanismo de proteção do consumidor e de reorganização do orçamento familiar. “Quando milhares de consumidores conseguem sair de dívidas caras e recuperar previsibilidade financeira, o impacto deixa de ser isolado e passa a alcançar a dinâmica de consumo, a circulação de renda e a própria qualidade do crédito no sistema”, relata.

Para a especialista, o desenho do programa também revela a tentativa de criar um fluxo mais racional de renegociação. Na leitura de Giuliana, o uso do simulador e a exigência de formalização pelos canais oficiais ajudam a reduzir assimetrias de informação e podem fortalecer a transparência das negociações. “Quanto mais claro o caminho de adesão, menores as chances de o consumidor entrar em um acordo sem compreender prazo, custo efetivo e impacto futuro sobre sua renda”, afirma.

A advogada pondera, no entanto, que a efetividade do programa depende de enfrentar causas estruturais do endividamento. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) alertou que a renegociação, sozinha, não altera a dinâmica de produção de novas dívidas e defendeu critérios mínimos obrigatórios, avaliação da capacidade de pagamento, transparência integral dos acordos e monitoramento pós-negociação. O instituto também citou dados segundo os quais o endividamento das famílias chegou a 80,2% em março de 2026, enquanto o comprometimento da renda com dívidas bancárias atingiu 29,33%.

Para Giuliana, isso reforça que a redução de práticas abusivas e a prevenção ao superendividamento precisam caminhar junto com a renegociação. “Um programa dessa dimensão só produz resultado consistente quando a renegociação vem acompanhada de mecanismos que evitem a volta imediata ao crédito predatório”, explica.

Na avaliação da especialista, é justamente nesse ponto que o Novo Desenrola pode produzir impacto financeiro coletivo mais amplo. Ao reduzir inadimplência e reabrir acesso a crédito em condições menos gravosas, a política tende a aliviar tensões em cadeias de consumo e a diminuir o volume de conflitos gerados por cobrança, negativação e renegociação malsucedida.

Para a advogada, isso também tem reflexos sobre a eficiência do sistema judicial, porque parte dos litígios de massa no setor financeiro nasce de contratos desequilibrados, falta de informação adequada e renegociações pouco transparentes. “Quando o sistema financeiro oferece uma saída mais inteligível e menos onerosa, há uma chance concreta de reduzir conflitos repetitivos e melhorar a tutela do consumidor antes que a controvérsia chegue ao Judiciário”, aponta.

Ela acrescenta que o valor econômico do programa não se limita à limpeza imediata do nome ou ao desconto pontual, mas à possibilidade de restaurar capacidade de planejamento. Para Giuliana, a importância do Novo Desenrola está em criar uma ponte entre regularização financeira e reentrada responsável no mercado de crédito, com reflexo potencial sobre consumo, previsibilidade e segurança contratual.

O modelo de litígios bancários de alto volume e proteção financeira do consumidor, estrutura desenvolvida pela Giuliana para lidar com grandes carteiras de disputas bancárias sem perder individualização técnica, foi desenhado com gestão estruturada de casos, agrupamento por tipo de contrato, prática abusiva e instituição financeira, além de análise jurídica contínua para identificar padrões repetitivos de lesão ao consumidor e fortalecer teses de restituição e revisão contratual.

Na prática, esse sistema permitiu mapear como as renegociações desequilibradas, os encargos desproporcionais e as cobranças irregulares se reproduzem em massa. Sua pesquisa e trabalho se conecta de forma direta ao debate sobre o Desenrola: não apenas como política de renegociação, mas como instrumento capaz de reduzir a escalada de conflitos financeiros, ampliar proteção ao consumidor e gerar impacto econômico coletivo ao retirar famílias de ciclos persistentes de inadimplência.

Na visão da especialista, o futuro do debate sobre renegociação de dívidas exigirá mais do que programas emergenciais: dependerá de regulação, educação financeira, transparência contratual e desenho de políticas que aliem inclusão econômica e prevenção de abusos. “O verdadeiro sucesso do Novo Desenrola não estará apenas em renegociar dívidas antigas, mas em reduzir a reprodução de dívidas novas. Quando proteção do consumidor, responsabilidade no crédito e estabilidade econômica caminham juntas, o impacto social se torna muito mais duradouro”, conclui.



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CNI reduz previsão de crescimento do PIB

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu de 2% para 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026. A revisão consta do Informe Conjuntural do 3º trimestre, divulgado em 28 de outubro, de acordo com a CNI, via Portal da Indústria. Segundo a entidade, o ajuste para baixo se deve principalmente às perspectivas menos favoráveis para a indústria, em especial a de transformação, e para os serviços, cujos efeitos devem se sobrepor ao avanço da agropecuária e da indústria extrativa.

Indústria, serviços e agropecuária

A projeção para o PIB da indústria passou de 2% para 1,3%, a maior revisão negativa entre os setores. A CNI estima que a indústria extrativa cresça 9,1%, mas que isso não seja suficiente para compensar o enfraquecimento da indústria de transformação. A previsão de alta de 0,6%, divulgada em julho, deu lugar a uma estimativa de queda de 0,7%. A entidade cita a retração da demanda interna, a piora das condições financeiras de empresas e famílias, a entrada de produtos importados e o aumento dos custos de produção. A construção teve a projeção de alta mantida em 1,5%, com apoio da expansão do Minha Casa, Minha Vida e de investimentos em infraestrutura.

No setor de serviços, a estimativa foi reduzida de 1,9% para 1,6%, em razão do volume de serviços praticamente estável desde o fim do ano passado e da desaceleração do comércio varejista, sobretudo nos segmentos mais sensíveis ao crédito. A agropecuária foi a única a ter a projeção revista para cima, de 1,8% para 2,5%, impulsionada pela revisão positiva da segunda safra de milho.

Mercado de trabalho

Apesar da desaceleração, a CNI avalia que o mercado de trabalho continuará sustentando a demanda. A entidade prevê alta de 1,2% na população ocupada em 2026 e queda da taxa de desemprego, hoje em 5,3%, para 5% ao fim do ano. A massa de rendimento real deve avançar 4,6% em relação ao ano passado.

Contas públicas, inflação e juros

Para as contas públicas, a CNI estima déficit primário de R$ 54,6 bilhões em 2026, equivalente a 0,4% do PIB projetado. Cerca de R$ 67,3 bilhões em precatórios e outras despesas não são computados na meta de resultado primário, o que, segundo a entidade, leva a um superávit de R$ 12,6 bilhões (0,1% do PIB) para fins de cumprimento da meta. A CNI projeta que a dívida bruta passe de 78,6% para 83,7% do PIB em um ano. As despesas federais devem crescer 4,6% em termos reais e a receita líquida, 5,9%. Na inflação, a confederação projeta que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) suba 5,15% no ano, ante 4,26% em 2025, com pressão de alimentos, preços administrados e serviços nos últimos meses. Com isso, prevê que o Banco Central reduza a Selic em 0,25 ponto percentual em cada uma das duas reuniões restantes de 2026, levando a taxa básica a 13,25% ao ano.

Para a CNI, esse patamar ainda representa juro real de cerca de 9%, quase o dobro da taxa neutra estimada em 5%, e há espaço para uma flexibilização mais rápida sem prejuízo da convergência da inflação à meta.

Segundo a PrecPago, uma das líderes em antecipação de precatórios no país, a manutenção de R$ 67,3 bilhões em precatórios fora do cálculo do resultado primário ilustra o tamanho do estoque de obrigações da União que seguem fora da dinâmica orçamentária tradicional. A empresa destaca que a combinação de juros elevados e desaceleração da atividade econômica amplia o tempo de maturação do crédito no mercado, tornando o acompanhamento do cronograma de pagamentos do Judiciário um indicador cada vez mais crítico para a previsibilidade financeira de credores e agentes econômicos no país.

Crédito e comércio exterior

De acordo com o informe, as concessões totais de crédito devem subir 5,15% em 2026, com alta de 6,4% para as empresas e de 4% para as famílias. No comércio exterior, as exportações devem crescer 10,3%, para US$ 386,7 bilhões, enquanto as importações devem somar US$ 309,4 bilhões, alta de 6,4%. A balança comercial deve fechar o ano com superávit de US$ 77,3 bilhões, quase 30% acima do registrado em 2025.



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