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Mato Grosso

Debate sobre escuta institucional e acolhimento marca encerramento do Curso de Letramento Racial

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Mato Grosso

O último encontro da terceira edição do Curso de Letramento Racial e Antirracismo, promovido na manhã desta sexta-feira (13) pelo Poder Judiciário de Mato Grosso por meio do Comitê de Promoção da Equidade Racial e da Escola dos Servidores do Judiciário, foi dedicado à apresentação e discussão de propostas práticas para o enfrentamento do racismo institucional no ambiente de trabalho.

Conduzida pela pesquisadora Silviane Ramos Lopes da Silva, doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a aula de encerramento sistematizou as contribuições trazidas pelos participantes ao longo do curso e apresentou um conjunto de sugestões que poderão subsidiar a construção de um protocolo institucional de escuta e acolhimento em casos de racismo.

Durante as atividades, também foram abordadas referências teóricas, aspectos históricos e a legislação brasileira que trata do racismo, considerado crime inafiançável e imprescritível no país.

Dra. Renata Parreira. Retrato em close-up de uma mulher de cabelos longos e escuros, sorrindo. Ela usa brincos grandes e correntes finas. Ao fundo, um banner do Juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, coordenadora do Comitê de Promoção da Equidade Racial, destacou a relevância da formação para o fortalecimento de uma cultura institucional mais consciente e comprometida com a dignidade humana.

“Este curso é fundamental para ampliar a compreensão de magistrados(as) e servidores(as) sobre o racismo estrutural e institucional, permitindo que o Poder Judiciário avance não apenas no enfrentamento das práticas discriminatórias, mas também na consolidação de uma cultura de respeito, acolhimento e equidade. Falar de letramento racial é falar de justiça, de responsabilidade institucional e de compromisso com a transformação social”, explicou.

Escuta institucional como ponto de partida

Ao longo do encontro, a palestrante destacou que o principal desafio identificado nas discussões é a ausência de mecanismos claros de acolhimento às vítimas. “Antes de falar de justiça, precisamos falar de escuta. Instituições que não escutam acabam reproduzindo as violências que dizem combater”, afirmou. Segundo ela, quando uma pessoa tem medo de denunciar uma situação de racismo, isso já indica uma falha institucional que precisa ser enfrentada.

O curso teve como objetivo ampliar a compreensão de magistrados, servidores e demais interessados sobre a formação histórica do racismo e seus impactos nas instituições, além de estimular a construção de práticas de equidade aplicáveis ao cotidiano do Judiciário mato-grossense.

Entre as propostas debatidas, destacaram-se a criação ou aprimoramento de protocolos institucionais antirracistas, com definição de etapas de apuração, prazos e responsabilidades administrativas. Também foram sugeridas medidas como o fortalecimento dos canais de denúncia, inclusive por meio de ferramentas digitais e aplicativos institucionais, além da realização de formações permanentes sobre letramento racial para magistrados, servidores e colaboradores terceirizados.

Outro ponto abordado foi a necessidade de monitoramento e transparência, com indicadores que permitam acompanhar denúncias, resoluções institucionais e participação nas capacitações. A palestrante ressaltou que uma justiça verdadeiramente democrática precisa ser necessariamente antirracista, promovendo igualdade de direitos e respeito à diversidade.

Participação dos servidores e importância da denúncia

Durante o encontro, a servidora Rosecler Alves de Oliveira, técnica judiciária e integrante do Comitê de Promoção da Equidade Racial, destacou a importância da participação coletiva no enfrentamento ao racismo e reforçou que a denúncia não precisa partir apenas da vítima. Segundo ela, colegas de trabalho também podem atuar para romper o silêncio diante de situações de discriminação.

“Um colega pode fazer a denúncia mesmo que não tenha sido diretamente a vítima. Muitas vezes a pessoa que sofre a situação não tem coragem de denunciar por vários motivos. Nesses casos, nós como colegas também podemos noticiar o fato. Isso é muito importante”, destacou.

Rosecler também ressaltou que o trabalho do comitê envolve não apenas o recebimento de notícias de discriminação, mas principalmente a promoção de conhecimento e prevenção. Para ela, é fundamental ampliar o letramento racial entre todos os profissionais que atuam no Judiciário, especialmente aqueles que estão na linha de frente do atendimento ao público.

“É importante que as pessoas que estão na recepção, no atendimento ao público, militares, estagiários e demais profissionais tenham esse conhecimento. Muitas vezes é nesses primeiros contatos que percebemos atitudes discriminatórias, até mesmo no olhar ou na forma de tratar as pessoas”, pontuou.

Para Silviane Ramos, a construção de um ambiente institucional mais justo depende do compromisso coletivo com práticas antirracistas. “Escutar é o primeiro passo para uma justiça antirracista. A partir da escuta, conseguimos identificar falhas institucionais e construir caminhos para superá-las”, explicou.

Ao final do encontro, a palestrante informou que as contribuições apresentadas pelos participantes serão organizadas em um fluxograma e em um protocolo inicial de escuta institucional, que poderá servir como base para futuras ações do Comitê de Promoção da Equidade Racial.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Rodoviários do Rio participam de audiência de conciliação

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Rodoviários e patrões de empresas de ônibus da cidade do Rio de Janeiro participam nesta quarta-feira (15), às 11 h, de mais uma audiência de conciliação na sede do Tribunal Regional do Trabalho a 1ª Região (TRT-RJ) para chegar a um acordo sobre o reajuste da categoria.

A data-base dos rodoviários é 1º de julho. Para a campanha salarial em andamento, o Sindicato dos Rodoviários do Rio e o patronal Rio Ônibus já fizeram três rodadas de negociação no TRT-RJ, sem chegar a um acordo.

Durante as negociações mediadas pela Justiça do Trabalho, a categoria flexibilizou a reivindicação de reajuste salarial de 17% para 12% (dividido em parcelas), mas as empresas ofereceram 4,5%. Antes, o Rio Ônibus havia ofertado 4,39%.

O desembargador Gustavo Tadeu Alkmim, da Seção Especializada em Dissídios Coletivos (Sedic), pediu que os patrões aumentem a oferta de reajuste para 5%, o mesmo valor pago as categorias de rodoviários das cidades de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Paralisação

No dia 27 de junho, o Sindicato dos Rodoviários ajuizou o dissídio coletivo de greve e de natureza econômica. Na mesma data, o TRT-RJ, considerou a greve legal e concedeu liminar autorizando o início da paralisação. Determinou a manutenção de, no mínimo, 50% da frota operacional em cada linha e itinerário, sob pena de multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento da medida.

Dois dias depois, no dia 29 de junho, os rodoviários do município do Rio de Janeiro iniciaram a paralisação. No dia 2 de julho, suspenderam o movimento, a pedido do TRT-RJ, mantendo o estado de greve, para que o sindicato patronal aumentasse a proposta de reajuste, mas não houve acordo.

Entre as principais reivindicações da categoria estão reajuste salarial, valorização dos pisos remuneratórios, ampliação do auxílio-alimentação para R$ 1 mil e o pagamento do intervalo para refeição como hora extraordinária.



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