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Cáceres: Sem absorventes e dormindo no chão, presas denunciam situação em cadeia

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Cáceres

Sinézio Alcântara – Expressão Notícias

      Mudanças estratégicas na hidrovia do Rio Paraguai, como a ampliação da área da Reserva Ecológica do Taiamã, em Cáceres, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, podem comprometer a logística de escoamento, resultando na elevação dos custos operacionais e a redução da competitividade dos produtos. É o que avaliam alguns técnicos.

      Outros questionam a ausência de estudos técnicos específicos para a ampliação da unidade e que, segundo eles, pode resultar na insegurança jurídica regulatória da ação.

     No aspecto econômico, a preocupação é com a continuidade de empreendimentos já licenciados em operar na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Cáceres, que conforme os técnicos, pode impactar negativamente o ambiente de investimentos.

      A ampliação de duas Unidades de Conservação (UCs) em Cáceres e Poconé, foi anunciada pelo presidente Lula durante a COP15 em Campo Grande (MS). A ampliação irá acrescer 104,2 mil hectares de proteção direta ao bioma pantaneiro no estado.

     As medidas, de acordo com o governo federal, focam na preservação do “pulso de inundação”, fenômeno essencial para a sobrevivência da fauna e flora da região. A gestão das áreas segue sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Gestora da ZPE diz que “a eventual inviabilização da navegação no

Rio Paraguai acarretaria prejuízos para a economia de Mato Grosso”

      “A ausência de estudos técnicos específicos sobre esses cursos secundários intensifica a insegurança jurídica e regulatória, podendo afetar a continuidade de empreendimentos já licenciados em operar em Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) e impactar negativamente o ambiente de investimentos” avalia Silvia Leiza Rodrigues, gestora administrativa da ZPE, em Cáceres.

     Ela explica que a hidrovia do Rio Paraguai possui caráter estratégico não apenas para a economia regional, mas também para a defesa nacional e a integração internacional. E, que “eventuais restrições à sua utilização podem comprometer a logística de escoamento, elevar custos operacionais e reduzir a competitividade dos produtos brasileiros”.

     A gestora observa que “a eventual inviabilização da navegação no Rio Paraguai acarretaria prejuízos significativos para a economia de Mato Grosso. O modal hidroviário, por apresentar custos até 70% inferiores aos do transporte rodoviário, é elemento central para a competitividade das exportações estaduais”

     A representante da ZPE de Cáceres enfatiza que “ainda que a ampliação de áreas de proteção ecológica venha a afetar processos naturais, como a autodragagem do Rio Paraguai, e possa interferir na livre navegação, cabe à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a gestão dos recursos hídricos e a regulação do uso da água”.

      Conclui a gestora assinalando que “a legislação brasileira assegura o acesso a bens públicos, como os rios navegáveis. Nesse contexto, o ordenamento jurídico brasileiro garante o direito à navegação, assegurando que os rios permaneçam abertos ao trânsito de embarcações, seja para fins turísticos, recreativos ou mercantes, vedando restrições indevidas à sua navegabilidade”.

Decisões do governo estão causando grandes preocupações,

diz representante do Projeto Barranco Vermelho

     Responsável técnico pelo Projeto do Barranco Vermelho, engenheiro José Carlos Miranda de Andrade diz que as tomadas de decisões do governo federal a respeito das ampliações da reservas, estão causando grandes preocupações.

      “Somos totalmente contra ao modelo de ampliação das Unidades de Conservação (UCs) desenvolvido pelo ICMBio, sob o prisma da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória. Pois já existem empreendimentos licenciados e em conformidade com a legislação ambiental como os Terminais de Uso Privado (TUPs) e a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres”.

     O engenheiro explica que as ampliações e criação de novas UCs realizadas sem a devida ponderação, com atitude deliberada e monocrática poderá gerar insegurança jurídica, prejuízos sociais e econômicos, além de limitar alternativas logísticas comprovadamente, menos poluentes, que o transporte rodoviário.

     Some-se a isso, segundo ele, a necessidade de diálogo institucional com as autoridades portuárias e com os empreendedores já licenciados, notadamente porque o porto localizado em Cáceres detém Licença de Operação em vigor, configurando situação consolidada que demanda respeito ao princípio da confiança legítima e ao direito adquirido.

      Responsável técnico pelo Projeto Barranco Vermelho, José Carlos observa que, embora se reconheça a importância da ampliação das UCs para a conservação do Pantanal, defende-se que o processo seja conduzido de forma equilibrada, assegurando simultaneamente:

     A proteção ambiental da região; A manutenção da navegabilidade do Rio Paraguai, como via de interesse nacional e internacional; O respeito às atividades consolidadas de múltiplo uso, que garantem a subsistência e a identidade cultural das comunidades locais.

     E que a Auto Dragagem seja perene mesmo dentro da área da reserva que será ampliada ou criada, pois o rio Paraguai é um importante meio.

    O transporte naval é um dos pilares logísticos da América do Sul, integrando a Hidrovia Paraguai – Paraná. Com mais de 3.400 km de extensão (de Cáceres – MT até o Uruguai), este corredor é vital para o escoamento de commodities e para a economia de países como Brasil, Paraguai e Bolívia.

Taiamã

     A Estação Ecológica do Taiamã foi criada pelo Decreto nº 86.061, de 2 de junho de 1981. Ela abrange o município de Cáceres, no Mato Grosso, a 220 quilômetros da capital Cuiabá. Com a ampliação, a área total da estação vai passar de 11,5 mil para 68,5 mil hectares.

     Segundo informações do ICMBio, Taiamã é uma ilha fluvial delimitada pelo Rio Paraguai e constituída principalmente por campo inundável, com uma variedade grande de ambientes aquáticos – como lagoas permanentes, temporárias, lagoas de meandro e corixos.

O nome da estação tem origem na gaivota pescadora Taiamã, também conhecida como Trinta-réis (Phaetusa simplex). A ampliação da estação ecológica é uma demanda antiga de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que a defendem em consulta pública realizada pelo ICMBio no fim do ano passado.

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Cáceres

CÂMARA DE CÁCERES APROVA MOÇÃO DE APLAUSOS AO ESCRITOR RAFAEL VANGELLES RODRIGUES DE JESUS E À ESCRITORA KAROLAYNNE NUNES DA SILVA SANTOS

Vereador Franco Valério homenageia autores da obra A Cidade Dentro do Casco de um Caramujo pelo impacto cultural e educacional no município

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A Câmara Municipal de Cáceres, no Estado de Mato Grosso, registrou nos anais da Casa Legislativa, em 08 de maio de 2026, uma Moção de Aplausos ao escritor e educador Rafael Vangelles Rodrigues de Jesus e à escritora, educadora e Mestra Karolaynne Nunes da Silva Santos. A propositura, de autoria do Vereador Franco Valério Cebalho da Cunha, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), reconhece a relevante contribuição cultural, educacional e literária prestada ao Município de Cáceres-MT e ao Distrito de Santo Antônio do Caramujo, por meio da autoria da obra literária A Cidade Dentro do Casco de um Caramujo.

O livro, publicado pelo Selo Editorial Corvo da Lua, VanROD P&M, contou com emenda do deputado Beto Dois a Um. A obra combina literatura infantil e educação patrimonial, sendo voltada à valorização da memória coletiva, da identidade cultural e das tradições populares do povo caramujense. A narrativa se estrutura em duas camadas simultâneas: uma fantástica, ambientada em uma cidade imaginária sobre o casco de um caramujo, e outra documental, que registra a história real do distrito de Santo Antônio do Caramujo, localizado a aproximadamente 30 km de Cáceres, às margens da BR-174.

Entre os temas abordados pelo livro, destacam-se a origem da comunidade, o desenvolvimento local, a agricultura familiar, a Festa da Pamonha, celebração incluída no Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso pela Lei Estadual n.º 9.461, de 2010, a valorização da coletividade e o legado de lideranças comunitárias como Luiz da Guia Cintra de Alcântara, idealizador do evento e homenageado na dedicatória da obra. A publicação foi pensada para ser lida em família, utilizada em ambiente escolar e preservada como registro vivo da memória de uma comunidade.

Rafael Vangelles Rodrigues de Jesus é Licenciado em Letras Português e Literaturas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), especialista em Método Montessori, Ludicidade e Pedagogia do Brincar pela Faculdade Metropolitana, e atualmente cursa pós-graduação em Neurociência e Educação. Além de escritor, atua como fundador da VanROD Soluções Estratégicas em Comunicação e do Selo Editorial Corvo da Lua.

Karolaynne Nunes da Silva Santos, Licenciada em Letras Português e Literaturas pela Universidade Federal de Mato Grosso, Mestra em Estudos de Linguagem pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGEL/UFMT) e professora da rede básica de ensino do estado. Vencedora do I Prêmio Rodivaldo Ribeiro de Literatura com o conto O Fantasma e uma das autoras da obra Flores de Taquara (2025).

O documento legislativo aprovado pelo Vereador Franco Valério ressalta que a obra representa um importante instrumento de fortalecimento da cultura regional, utilizando linguagem acessível, sensível e educativa para retratar a história, os costumes e as tradições do povo caramujense. A homenagem reconhece, ainda, o compromisso dos autores com a preservação da memória histórica e com o incentivo à leitura entre crianças, jovens e famílias. Nas palavras do vereador proponente, ao transformar a história local em literatura acessível, o autor promove o pertencimento cultural e eterniza elementos da tradição regional mato-grossense.

A recepção crítica da obra já apontou seu mérito literário e pedagógico. O Prof. Jonathan Taques, especialista em Neuropsicopedagogia Escolar, destacou que o livro combina a acessibilidade da linguagem infantil com a profundidade da literatura clássica, com características do microconto e da prosa poética. Para o especialista, a narrativa explora temas universais como legado, amizade e a importância da comunidade, servindo como porta de entrada para a literatura clássica e refinando o paladar literário de crianças e adultos.

O Distrito de Santo Antônio do Caramujo, que inspira a obra, começou a ser povoado na década de 1970 e construiu ao longo dos anos uma identidade marcada pelo trabalho coletivo, pela solidariedade e pela preservação das tradições populares. A Festa da Pamonha, criada em 2007 por Luiz da Guia de Alcântara, tornou-se o principal símbolo dessa identidade, chegando a reunir cerca de 50 mil visitantes em 12 anos de história e atraindo cobertura nacional, entre elas uma reportagem especial do programa Globo Rural. O livro A Cidade Dentro do Casco de um Caramujo surge, portanto, como um instrumento de preservação e projeção dessa memória viva.

A Moção de Aplausos foi assinada eletronicamente pelo Vereador Franco Valério Cebalho da Cunha, que solicitou o apoio dos demais membros do Plenário para apreciação e aprovação da propositura. O documento integra os anais da Câmara Municipal de Cáceres como registro oficial do reconhecimento institucional à produção literária e ao trabalho cultural de Rafael Vangelles Rodrigues de Jesus e Karolaynne Nunes da Silva Santos em benefício da comunidade cacerense.

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