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Mato Grosso

Polícia Civil prende preventivamente agressor por tentativa de feminicídio e violência doméstica em Cuiabá

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Mato Grosso

Um homem investigado por uma sequência de graves crimes de violência doméstica, praticados contra a sua companheira teve o mandado de prisão preventiva cumprido pela Polícia Civil, nesta terça-feira (27.1), em ação dos policiais da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá.

O suspeito não aceitava o fim do relacionamento e passou a perseguir e agredir a vítima. O mandado de prisão foi decretado pelos crimes de tentativa de feminicídio, ameaça e perseguição no âmbito da violência doméstica.

As agressões iniciaram após a vítima decidir terminar o relacionamento depois de descobrir uma traição. No dia seguinte ao término, o suspeito foi até a residência da vítima, com uma faca, ameaçando tirar a própria vida, caso ela não reatasse o relacionamento.

No mesmo dia, o investigado perseguiu a vítima até seu local de trabalho, onde a agarrou pelo braço, tomou seu telefone celular e tentou retirá-la à força do estabelecimento comercial, causando constrangimento, pânico e abalo emocional.

Nos dias seguintes a escalada de violência se agravou. O suspeito foi novamente à residência da vítima, ocasião em que a jogou sobre a cama, passou a enforcá-la, interrompendo a agressão apenas quando ela começou a apresentar sinais de falta de ar. Em seguida, a vítima foi obrigada mediante violência e grave ameaça, a declarar que o amava.

Durante as agressões, a vítima conseguiu fugir para a casa de uma vizinha, mas foi seguida pelo companheiro, que voltou a ameaçá-la, dizendo que se ela não ficasse com ele não ficaria com mais ninguém, além de ofendê-la verbalmente.

Após agredir a vítima física e verbalmente, o investigado tentou aparentar normalidade, pedindo para que ela se arrumasse para saírem para lanchar, evidenciando o ciclo de violência com manipulação emocional, típico de relacionamentos abusivos.

A mulher passou a noite na casa de um familiar e, no dia 6 de janeiro, ao tentar viajar com o filho de 10 anos, voltou a ser ameaçada por telefone. O suspeito afirmou que colocaria fogo em seus pertences.

Diante da gravidade dos fatos, da reiteração das violências, do risco à integridade física e à vida da vítima e do histórico de comportamento possessivo e controlador, a delegada titular da Delegacia da Mulher de Cuiabá, Judá Marcondes, representou pela prisão preventiva do agressor, como medida necessária para cessar a violência e garantir a segurança da vítima.

Com o mandado judicial expedido pela Justiça, a equipe de investigadores da Delegacia da Mulher saiu em diligências conseguindo realizar a prisão do suspeito, que foi encaminhado à unidade policial para as providências cabíveis e posteriormente colocado à disposição da Justiça.

Fonte: Governo MT – MT

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Mato Grosso

Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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