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Documentário sobre gordofobia selecionado em edital da Secel tem mostra exclusiva no Cine Teatro Cuiabá

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O filme “Poesia Documentada: Lute como Uma Gorda”, de Ju Queiroz estreando como diretora, terá uma mostra exclusiva nesta terça-feira (28.10), às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá. Contemplado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) no edital de Fomento Audiovisual Diretor Estreante – edição Lei Paulo Gustavo, a produção aborda a temática da “gordofobia”, a partir da história de vida de Malu Jimenez.

No filme, a poesia documentada, como o próprio nome já diz, alia performance, artes plásticas, fotografia e sonoplastia. De maneira poética, a obra audiovisual projeta novos contornos de luz e sombra sobre um tema invisibilizado historicamente. A partir de um viés artístico e afetuoso, o tema, que traz muita dor, é também apresentado como um desejo de transformação social e de valorização e respeito aos corpos e “corpas” gordas.

Para Ju Queiroz, trabalhar o tema em um documentário é super necessário pois a gordofobia ainda segue invisibilizada.

“A gente pensou nesse documentário não só como uma forma de educar e informar, mas que provoque sensações e reflexões. Precisamos olhar e ouvir o que as pessoas gordas têm a dizer. Meu papel é trazer visibilidade e colocar este corpo, tão marginalizado, num lugar de poder, num lugar central”, destaca Ju Queiroz.

Com 21 minutos, o documentário tem co-direção de Rodrigo Zaiden, que também assina o roteiro e direção de performance. A produção executiva do filme, que conta com acessibilidade em libras, é realizada por Caju Paschoalick, que também é o produtor e designer de som, da trilha sonora e masterização.

A direção de produção é de Francieska Dinarte, e a produção de arte, de Tamii Gondo Lage. A equipe de fotografia foi comandada por Ju Queiroz e João Pedro Regis, na direção de fotografia. Já montagem, colorização e finalização, é de Maria Rita Costa.

Para assistira a mostra exclusiva do filme, os ingressos são gratuitos e estão disponíveis no sympla, pelo seguinte link (aqui).

Sobre a protagonista

Além de protagonista, Malu Jimenez é co-diretora e assessora do filme. Referência brasileira da temática, ela pesquisa a gordofobia há mais de 10 anos, e defendeu sua tese de doutorado com o mesmo título “Lute como Uma Gorda”, no Programa de Pós-Graduação em Estudos Contemporâneos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em 2020. O trabalho, que depois virou livro best seller da área, já está em sua segunda edição.

A parceria entre Ju e Malu iniciou com ensaios fotográficos de Malu no cerrado do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, tornando-se uma referência visual para a tese e o livro. A proximidade entre ambas rendeu 12 ensaios, alguns premiados em festivais tanto no Brasil, quanto fora dele.

Com formação em teatro de rua, Malu realizou uma performance para o filme, rodada no Centro de Cuiabá, que teve continuidade no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães.

Para ela, a performance na rua trouxe um debate do incômodo, da falta da acessibilidade para o espaço e debates públicos importantes, que mostram muitas marcas nos corpos de não caber.

“São marcas e dores que a gente, de alguma forma, neste documentário está ressignificando, mas fazendo pensar também quais são os lugares que todo mundo não cabe, porque sempre vai ter um lugar que você não cabe. Quais são esses lugares que você não cabe? Já parou para pensar?”, pergunta Malu.

Serviço:
Mostra exclusiva do filme “Poesia Documentada: Lute Como Uma Gorda”
Quando: terça (28.10), às 19h30
Local: Cine Teatro Cuiabá
Ingressos gratuitos: aqui
Evento acessível em libras

Exibição no YouTube
Canal do Youtube: @Documentário-LuteComoUmaGorda
Horário: De terça (28.10), às 19h30, até quarta (29.10), às 19h30

(Com informações da Assessoria)

Fonte: Governo MT – MT

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Mulheres da Cadeia Pública Feminina de Cáceres transformam vivências em versos

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Vista de cima, uma mulher de blusa rosa escreve em um caderno de capa vermelha. Na mesa de vidro, há folhas impressas e os livros “Aqui, escrever não é tarefa, é respiro, é desabafo que sangra em palavras.” Os versos são de uma mulher privada de liberdade na Cadeia Pública Feminina de Cáceres e foram apresentados nesta quarta-feira (3) durante a capacitação virtual Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).

A professora Eliene Rocha Pereira apresentou as boas práticas do projeto “Remição pela Leitura: eu, leitora de mundo dentro dos muros”, desenvolvido junto com a professora Aline Aparecida Rocha. A iniciativa transforma os relatos de vida das detentas em poesia e, segundo Eliene, surpreendeu até as próprias participantes. “Esse trabalho mostrou que as meninas têm potencial para fazer as coisas. Quando eu mostrei o resultado para elas, foi uma satisfação muito grande ver que gostaram”, contou a professora durante a apresentação.

Inspiração e metodologia

O projeto nasceu inspirado na escritora Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo, que registrou em palavras a dureza de sua vida na favela. As detentas se identificaram com a trajetória da escritora a ponto de manifestarem interesse em ler o livro, desejo que ainda não foi possível atender.

O trabalho seguiu cinco etapas: apresentação do projeto e diálogo sobre a importância da escrita; leitura e reflexão sobre as obras de Carolina Maria de Jesus; produção de relatos sobre experiências de vida dentro e fora da prisão; transformação dos relatos em poesias com o apoio de inteligência artificial; e socialização dos poemas em eventos e murais pedagógicos.

Eliene explicou que organizou e corrigiu os textos produzidos pelas participantes, preservando os pensamentos e a voz de cada uma. “Eu dei uma organizada no texto, porque elas erravam muitas palavras, mas os pensamentos e a história delas foram mantidos”, disse.

A voz que não se cala

Um dos poemas apresentados, de autora identificada como E. S. Freitas, retrata com força a convivência no sistema prisional, a desconfiança, a solidão, as hierarquias invisíveis e, ao mesmo tempo, a resistência e o aprendizado. Em seus versos, a autora escreve sobre conhecer sotaques e culturas de diferentes estados, sobre não abaixar a cabeça e não perder a humanidade: “Essa é minha voz ecoando entre muros que tentam calar, mas não consegue.”

Para Eliene, o significado do projeto vai além da escrita. “Esse projeto quer mostrar que mesmo dentro dos muros da prisão existem histórias importantes que precisam ser contadas e ouvidas”, afirmou.

Sobre a capacitação

A capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena é uma realização conjunta do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF, Pierro de Faria Mendes.

O evento tem como objetivo capacitar professores, pedagogos e outros profissionais para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional, em alinhamento com o Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e com a Resolução CNJ nº 391/2021.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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