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Turismo bate recorde no Brasil, mas segurança preocupa

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Pesquisa realizada pela consultoria OnStrategy traz subsídios para entender por que o Brasil vem batendo sucessivos recordes de chegadas de turistas do exterior nos últimos anos. Os entrevistados estrangeiros demonstraram ter uma visão sobre a imagem do país melhor que a dos próprios brasileiros.

Quando perguntados sobre a admiração e a confiança que sentem pelo Brasil, os estrangeiros atribuíram nota 6,2 (numa escala de 0 a 10), enquanto a percepção dos entrevistados moradores no país foi qualificada com 5,8. Alguns dos pontos positivos do país citados no trabalho estão nas belezas naturais, que fazem do turismo o principal motor de imagem, segundo a OnStrategy.

Levantamento da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) quantifica essa percepção ao divulgar que, no primeiro quadrimestre de 2026, o Brasil alcançou os melhores resultados da história nas chegadas de turistas internacionais de dez dos principais mercados emissores para o país.

De janeiro a abril, Colômbia, China, México, Portugal, Peru, Canadá, Reino Unido, Chile, Austrália e Uruguai enviaram, juntos, mais de 1,1 milhão de visitantes aos destinos brasileiros. Todos os países integram o conjunto de mercados considerados estratégicos pela Embratur.

Entre os destaques nesses mercados, a Colômbia apresentou o maior crescimento, com 37,2% de chegadas a mais que no recorde anterior, em 2025, alcançando 70.332 visitantes. A China também registrou forte avanço, com alta de 33,6% e 39.880 turistas no período. Já o México cresceu 33,4%, chegando a 46.963 visitantes internacionais.

O Banco Central traduziu quanto esse recorde de visitas representou em divisas no período de janeiro a abril deste ano: R$ 20,2 bilhões. Esse montante significa um aumento de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando os gastos dos turistas estrangeiros somaram R$ 18,5 bilhões.

“O turismo brasileiro vive um momento especial, com estatísticas positivas em todos os segmentos”, afirma o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. “Nossa atuação na busca por turistas de outros países tem sido intensa. Mais do que movimentar aeroportos, hotéis e restaurantes, o turismo brasileiro transforma a realidade de milhares de brasileiros e brasileiras”.

Para Adriana Noguti, diretora de Comunicação e Marketing da RTSC — holding de investimentos em empreendimentos imobiliários e turísticos —, mais do que um destino, o Brasil começa a se consolidar como uma marca de experiência.

“O olhar internacional sobre o país revela um potencial competitivo que vai além do turismo e fortalece a imagem brasileira no cenário global. Os dados mostram que a Marca Brasil está mais forte no exterior do que muitas vezes percebemos internamente. O país reúne atributos únicos de diversidade, cultura, natureza e hospitalidade que hoje dialogam diretamente com as novas demandas do turismo global. Por esses motivos, é mais do que preciso investir em equipamentos que alavanquem o turismo brasileiro”, ressalta Adriana.

Segundo a executiva da RTSC, o turismo brasileiro vive um momento muito positivo, mas são necessários investimentos voltados à melhoria de infraestruturas e de segurança, tanto para os visitantes do exterior quanto para os próprios brasileiros.

A pesquisa da consultoria OnStrategy, chamada Marca Brasil, também detecta essas preocupações, ao mostrar que o Brasil possui uma identidade forte, mas falha no quesito segurança pública, que teve a pior pontuação no estudo, visto como um teto invisível que limita o crescimento da imagem do país.

Para realizar a pesquisa Marca Brasil, a OnStrategy entrevistou 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros de forma online, entre cidadãos, executivos de empresas, jornalistas, influenciadores e autoridades, entre outubro de 2025 e março de 2026.

O trabalho analisou a percepção global do Brasil sobre diversos segmentos, desde imagem e reputação, passando pelo ambiente político e de negócios, estilo de vida, agricultura, turismo, entre outros.



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Brasil mantém oportunidades apesar de desafios globais

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Tarifas comerciais, eleições presidenciais de 2026, tensões geopolíticas e a corrida global por minerais críticos estiveram no centro do webinar promovido pelo Brazil-Florida Business Council (BFBC) em 18 de junho. O encontro reuniu especialistas com experiência em instituições internacionais, governo dos Estados Unidos e consultorias de risco político para discutir os desafios e oportunidades para o Brasil nos próximos anos.

Entre os temas abordados estiveram os reflexos econômicos dos conflitos no Oriente Médio, as investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos, o cenário eleitoral brasileiro e o potencial de setores estratégicos como mineração, agronegócio e energia.

Guerra no Oriente Médio e o impacto sobre o Brasil

O economista Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do FMI, Banco Mundial e BID, avaliou que os conflitos recentes no Oriente Médio envolvendo o Irã e a região do Estreito de Hormuz reforçaram a preocupação global com segurança energética e cadeias de suprimentos.

Segundo ele, mesmo com a redução das tensões, os efeitos sobre os mercados devem permanecer. “As coisas não serão mais como antes. O prêmio que os países estão atribuindo à segurança energética subiu”, afirmou.

Canuto observou que o movimento favorece investimentos em fontes locais de energia, especialmente renováveis, e alertou para a dependência brasileira de fertilizantes importados, considerados estratégicos para a competitividade do agronegócio.

Tarifas americanas e ambiente de negócios

Kellie Meiman Hock, ex-diretora para Brasil e Cone Sul no Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), deu um panorama das investigações comerciais conduzidas pelo governo americano envolvendo o Brasil.

Ela avaliou que o impacto tem sido parcialmente mitigado pelo número de exceções concedidas. Apesar disso, acredita ser fundamental que empresas brasileiras e investidores mantenham diálogo ativo com autoridades e parceiros americanos. “É o momento de levantar a voz e mostrar onde as importações brasileiras são indispensáveis para a produtividade e a criação de empregos aqui nos Estados Unidos”, ressaltou Hock, destacando que a relação comercial entre os dois países possui características que reduzem o espaço para medidas tarifárias motivadas exclusivamente por razões políticas.

Compliance e riscos regulatórios

O debate também abordou os impactos econômicos decorrentes da classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras (FTOs) pelos Estados Unidos.

Canuto observou que a medida já vem provocando maior preocupação de empresas com processos de compliance e gestão de riscos, especialmente entre companhias que atuam simultaneamente nos dois países.

Bruna Santos, diretora do Programa Brasil do Inter-American Dialogue, analisou que temas de segurança e comércio exterior têm seguido caminhos distintos dentro do governo americano, mas alertou para possíveis pontos de convergência entre as duas agendas. Segundo ela, diferentes órgãos e grupos políticos em Washington atuam de forma relativamente independente na formulação de políticas relacionadas ao Brasil, o que contribui para a complexidade do cenário.

Eleições de 2026 e cenário político

Na avaliação de Silvio Cascione, diretor do escritório brasileiro do Eurasia Group, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como favorito para a disputa presidencial de 2026, embora o cenário ainda seja considerado competitivo.

“O principal indicador continua sendo a aprovação do governo”, afirmou o analista, destacando que o desempenho da economia e a percepção dos eleitores sobre temas como renda e emprego deverão influenciar a corrida eleitoral e as expectativas de investidores e do mercado.

Minerais críticos e agro ganham protagonismo

Os participantes convergiram ao apontar os minerais críticos como uma das principais oportunidades estratégicas para o Brasil na próxima década.

Canuto destacou o potencial do país, que possui reservas relevantes de lítio, grafite, terras raras e nióbio. No entanto, ainda enfrenta dificuldades para desenvolver cadeias industriais capazes de agregar valor a esses recursos.

Bruna Santos observou que parte significativa do potencial mineral brasileiro ainda não foi mapeada e defendeu avanços regulatórios que aumentem a capacidade de atração de investimentos e reduzam entraves burocráticos.

Além da mineração, o agronegócio foi citado como outro setor com oportunidade de crescimento, especialmente em áreas ligadas à produção de fertilizantes e ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo.

BFBC reforça diálogo econômico entre Brasil e Estados Unidos

Ao encerrar o webinar, a fundadora e presidente do Brazil-Florida Business Council, Sueli Bonaparte, defendeu a importância do intercâmbio de informações e da aproximação institucional para fortalecer as relações econômicas entre os dois países.

Segundo ela, iniciativas como o webinar contribuem para ampliar o entendimento sobre as relações entre Brasil e Estados Unidos e estimular novos negócios e investimentos.



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