REFORMA TRIBUTÁRIA
Setor atacadista reúne especialistas e empresários para discutir impactos da reforma tributária
“Tira Teima da Reforma Tributária” promovido pela AMAD e Sincad-MT busca esclarecer mudanças e preparar o setor atacadista para as novas regras que entram em vigor em 2026
Economia
A Associação Mato-grossense de Atacadistas e Distribuidores (AMAD) e o Sindicato do Comércio Atacadista Distribuidor de Mato Grosso (Sincad-MT) estão realizando o evento “Tira Teima da Reforma Tributária”, voltado à discussão dos principais pontos da nova legislação fiscal. O encontro começou nesta terça (11) e segue até quinta-feira (13), na sede das entidades, em Várzea Grande.
O evento gratuito disponibiliza 60 vagas para cada dia, com turmas diferentes, com adesão maciça dos associados. A programação, das 14h às 16h30, reúne especialistas da TOTVS, advogados tributaristas e consultores contábeis com o objetivo de orientar o setor sobre as mudanças que passam a valer a partir de 2026.
O advogado tributarista José Lombardi, mediador do encontro, explica que o evento foi estruturado em três pilares: legislação, contabilidade e tecnologia. “Estamos discutindo a legislação da reforma tributária, o efeito dessa reforma na parte contábil e a integração tecnológica necessária para o novo sistema. Reunimos aqui uma difusão prática da legislação voltada ao comércio atacadista e varejista, aliada à aplicação contábil e à adequação dos documentos fiscais ao novo modelo tributário”, afirma.
O vice-presidente da AMAD e vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli, ressaltou a relevância da iniciativa durante a abertura. “A reforma tributária nos assusta, pois será uma mudança total no sistema brasileiro. Por isso, é essencial que entidades como a AMAD e o Sincad realizem esses eventos para conscientizar e treinar empresários e contadores, minimizando prejuízos e retrabalhos. Parabenizo as entidades por essa contribuição ao setor”, afirmou.
Para o presidente do Sincad-MT, Oscar Prado Filho, compreender os impactos da reforma tributária é essencial para o dia a dia das empresas. “A AMAD e o Sincad trazem aos associados um dos temas de maior importância e preocupação dos empresários em todo o Brasil. Queremos oferecer conhecimento e ferramentas para que as empresas, que serão impactadas em 2026, possam se preparar e se adaptar. Faz parte do nosso papel capacitar o setor, e ficamos felizes em oferecer essa oportunidade”.
Segundo o diretor-executivo da AMAD e do Sincad-MT, Marcos Taveira, o foco é esclarecer dúvidas práticas. “Esse evento visa tirar as dúvidas dos empresários, tanto atacadistas quanto varejistas, contabilistas e demais pessoas, para que tenham noção do que precisam fazer para começar bem com a reforma tributária em janeiro de 2026”, pontuou.
Fato Relevante
O advogado tributarista Eduardo Berbigier classificou a reforma como o maior fato relevante para o Brasil desde a Constituição de 1988. Ele esclarece que o país passará por uma mudança total no sistema tributário, sendo que instituições como a AMAD e o Sincad tomam a iniciativa de trazer informações aos gestores, contadores e advogados das empresas associadas. “O objetivo é entender o que irá mudar, como se adaptar e quais serão os impactos práticos no dia a dia dos negócios”, salienta.
Conforme o gerente de produtos da TOTVS para Varejo e Distribuição, Fernando Machado, a empresa tem se preparado há dois anos para o novo cenário fiscal. “Nesse evento, conseguimos apresentar de forma dinâmica o que será aplicado, como irá funcionar e o que já está disponível aos nossos clientes. A TOTVS tem promovido encontros como esse em todo o Brasil, mostrando os próximos passos da reforma, que começa a valer em 2026”.
O consultor contábil Vinícius Braga destacou que esse momento é muito importante para a revisão de preços, fornecedores, tecnologia empregada e os softwares, se estão atendendo a expectativa das mudanças tributárias. “O principal impacto com certeza está na formação do preço, porque a metodologia é diferente. Antes o imposto era por dentro, agora é por fora. Então, isso vai impactar a questão do fluxo de caixa dos clientes”, concluiu.
Também participa como palestrante Flavianny Aguiar, Product Owner da TOTVS e especialista em direito tributário.

Economia
Biopower, da JBS, investe R$ 140 milhões; unidade em Campo Verde (MT) será beneficiada
A Biopower, empresa da JBS Novos Negócios que produz biodiesel, acaba de anunciar um investimento de R$140 milhões em modernização e inovação tecnológica de suas três usinas, localizadas em Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC). O aporte, o mais significativo desde a construção da unidade de Mafra, em 2021, prepara a empresa para um novo ciclo de crescimento e reforça seu papel estratégico na transição energética nacional.
A unidade da Biopower em Campo Verde (MT), que passou a operar sob gestão da JBS em 2014, acaba de atingir a marca histórica de mais de 1 bilhão de litros de biodiesel produzidos desde então, consolidando sua relevância para a empresa e para a região. Com uma capacidade anual de cerca de 150 milhões de litros, a planta registrou uma expansão de quase 40% em sua operação ao longo dos anos. Atualmente, a unidade movimenta cerca de 11 mil caminhões anualmente e é responsável pela geração de aproximadamente 100 empregos diretos no município.
Dentre os investimentos, está a implementação da tecnologia de esterificação enzimática, um moderno processo que substitui catalisadores químicos por enzimas de alta eficiência. Essa abordagem mais limpa e precisa permitirá um ganho de produtividade, maior flexibilidade no uso de matérias-primas diversas, como sebo bovino e óleo de cozinha usado, e a conversão de subprodutos, que antes eram comercializados separadamente, em mais biodiesel. O projeto começa a ser implementado neste ano e tem conclusão prevista para meados de 2026.
“Investimos para aprimorar ainda mais um produto que já tem reconhecimento de excelência no mercado e para nos mantermos na vanguarda de um setor em plena expansão”, afirma Alexandre Pereira, diretor da Biopower. “Essa modernização nos dará mais eficiência e elasticidade produtiva, garantindo nossa competitividade para atender a uma demanda por biodiesel que, certamente, continuará crescendo”, completa. O anúncio ocorre em um momento especial para a operação, já que a unidade de Mafra alcançou recentemente a marca de 1 bilhão de litros de biodiesel produzidos.
O aumento na demanda por biodiesel, impulsionado pela legislação vigente que prevê a elevação da mistura para 20% (B20) até 2030, acontece em um momento de crescimento histórico dos biocombustíveis no Brasil. Atualmente, a mistura está em 15%. É nesse cenário de expansão que o investimento da Biopower se posiciona, preparando a companhia para capturar as novas oportunidades e contribuir para a meta do país de se consolidar cada vez mais como uma potência em energia limpa. Em 18 anos de atuação, a empresa já produziu mais de 4 bilhões de litros de biodiesel, evitando a emissão de cerca de 9 milhões de toneladas de CO₂.
A Biopower também avança em novas frentes que contribuem para a descarbonização do transporte marítimo. A definição de metas globais da Organização Marítima Internacional (IMO), que busca atingir emissões líquidas zero no setor até 2050, abre espaço para combustíveis sustentáveis, e a empresa está preparada para atender essa demanda. O biodiesel se apresenta como uma alternativa viável e imediata ao diesel naval tradicional, podendo ser utilizado sem a necessidade de adaptação nas embarcações e com o mesmo desempenho e custo competitivo em relação a outras tecnologias.
Além disso, a Biopower conta com certificação e rastreabilidade internacional, como o selo ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), requisito para o mercado europeu, e a Certificação EPA (Environmental Protection Agency), dos Estados Unidos. “À medida que o mundo acelera a transição para uma matriz energética mais limpa, queremos ser referência em soluções reais e acessíveis. Além do aumento da mistura para B20 nos próximos anos, o mercado de descarbonização naval surge como uma frente estratégica, que nos inspira a continuar inovando e ampliando nosso papel na construção de um futuro mais sustentável”, afirma Pereira.
A Biopower é exemplo do modelo econômico circular aplicado pela JBS em seus negócios: extrair valor do que era considerado descarte. Hoje, cerca de 99% de cada bovino processado pela companhia é aproveitado. Em aves e suínos, esse percentual é de quase 95%. Isso alimenta um ciclo virtuoso que combina reaproveitamento de matéria-prima, criação de empregos e redução de impactos logísticos e ambientais. A atuação também fortalece a economia regional, com operações 24 horas por dia, e cerca de 300 colaboradores diretos nas três unidades da empresa.
Para o diretor da Biopower, a tecnologia é essencial, mas ganha ainda mais força quando aliada ao talento e à dedicação das pessoas que fazem a empresa acontecer. “A tecnologia é uma ferramenta, mas a inovação nasce das pessoas. Temos um time que não somente opera, mas que cria, melhora e supera desafios. Foi essa expertise que nos permitiu, por exemplo, ser pioneiros no uso de diferentes tipos de matéria-prima. É esse conhecimento que representa nosso ativo mais valioso e que nos diferencia da concorrência”.
Biopower em números
3 usinas: Lins (SP), Campo Verde (MT) e Mafra (SC)
5ª maior capacidade produtiva do Brasil: mais de 900 milhões de litros
Projeção de produção recorde em 2025: mais de 650 milhões de litros
Presença nacional: entregas em mais de 22 estados
Presença da JBS em MT
A JBS está presente em 13 municípios mato-grossenses: Água Boa, Alta Floresta, Araputanga, Barra do Garças, Campo Verde, Colíder, Confresa, Diamantino, Juara, Pedra Preta, Pontes e Lacerda e Tangará da Serra, e é responsável pela geração de mais de 11 mil empregos diretos no estado. Com atuação destacada nas indústrias de bovinos, aves e suínos, a companhia também opera em áreas como produção de couros, transporte e agregação de valor.
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