Sorriso
Sorriso recebe prêmio do Tribunal de Contas por fortalecimento da alimentação escolar e agricultura familiar
Sorriso
Reconhecimento pelas iniciativas voltadas à alimentação escolar de qualidade, ao incentivo à agricultura familiar
Sorriso foi um dos municípios reconhecidos durante o 4º Encontro Nacional dos Conselhos de Alimentação Escolar e Agricultura Familiar, realizado nos dias 27 e 28 de maio, em Cuiabá. O evento reuniu representantes de várias regiões do país para discutir a alimentação escolar, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e a participação da agricultura familiar nesse processo.
Ao longo da programação, gestores, nutricionistas, conselheiros e representantes da agricultura familiar trocaram experiências sobre ações já desenvolvidas nos municípios. O encontro foi promovido pelo Fórum Nacional dos Conselhos de Alimentação Escolar e pelo Conselho Estadual de Alimentação Escolar de Mato Grosso (CEAE/MT), com apoio de entidades parceiras.
A comitiva de Sorriso foi representada pela coordenadora do Departamento de Alimentação Escolar e responsável pelo PNAE no município, Ligiane Bazzo; pelo vice-prefeito Acacio Ambrosini; e pelo secretário municipal de Agricultura Familiar e Segurança Alimentar, Lucas de Oliveira.
Segundo Ligiane, a alimentação escolar envolve um trabalho contínuo de cuidado e planejamento, que começa muito antes de as refeições chegarem aos estudantes. O processo inclui a elaboração dos cardápios, a escolha criteriosa dos alimentos, o acompanhamento nutricional, além do preparo e da distribuição das refeições nas unidades escolares.
“Receber esse reconhecimento é motivo de orgulho para toda a equipe, porque ele representa um trabalho realizado diariamente com muita dedicação, organização e responsabilidade. Cada refeição servida nas escolas envolve cuidado, acompanhamento nutricional, escolha de alimentos de qualidade e, acima de tudo, o compromisso de oferecer uma alimentação saudável e equilibrada aos nossos estudantes”, destacou.
A agricultura familiar também esteve entre os assuntos discutidos durante o encontro. Em Sorriso, parte dos alimentos utilizados na alimentação escolar é adquirida de produtores locais. Com isso, os estudantes recebem produtos mais frescos, e os agricultores do município também são valorizados.
O secretário municipal de Agricultura Familiar e Segurança Alimentar, Lucas de Oliveira, destacou que essa parceria traz resultados dentro e fora das escolas. “Quando investimos na agricultura familiar, fortalecemos toda uma cadeia produtiva local e, ao mesmo tempo, levamos alimentos frescos e de qualidade para dentro das escolas. É uma parceria que beneficia os estudantes, os produtores e toda a comunidade”, ressaltou.
Durante o evento, o Tribunal de Contas também premiou municípios de Mato Grosso que alcançaram, em 2025, o percentual mínimo de 30% na compra de produtos da agricultura familiar com recursos do PNAE, conforme determina a legislação federal. Sorriso esteve entre os municípios reconhecidos.
Para o vice-prefeito Acacio Ambrosini, o resultado demonstra que o município tem conseguido aproximar a alimentação escolar da produção local, beneficiando estudantes, famílias e produtores.
“Esse trabalho demonstra o compromisso que Sorriso tem com as famílias, com os estudantes e também com os produtores rurais do nosso município. Quando unimos educação, alimentação de qualidade e valorização da agricultura familiar, fortalecemos toda a comunidade e garantimos mais desenvolvimento para Sorriso”, afirmou Acacio.
O prefeito Alei também parabenizou os profissionais que atuam diariamente na alimentação escolar da rede municipal. “Sorriso vem construindo uma trajetória de referência nessa área porque entende que a alimentação escolar está diretamente ligada ao desenvolvimento, à saúde e ao aprendizado dos estudantes. Esse reconhecimento valoriza o empenho de todos os profissionais envolvidos diariamente nessa missão tão importante para a educação do município”, afirmou.
Sorriso
Projeto “Construindo Bases para a Resiliência Ecológica” é apresentado aos produtores do Jonas Pinheiro
Absorver impactos, adaptar-se a mudanças e recuperar suas funções e estruturas essenciais após sofrer perturbações, sejam elas climáticas, incêndios ou causadas pela ação humana. Esse é o conceito central de resiliência ecológica. E, exatamente esse conceito dá o norte ao projeto apresentado nesta manhã, 03 de junho, para os agricultores do Assentamento Jonas Pinheiro. Em andamento na Escola Matilde Luiza Zanatta Gomes, o Construindo Bases para a Resiliência Ecológica dos Agricultores Familiares do Assentamento Rural Jonas Pinheiro, tem como principal a recuperação ambiental de área degradada na comunidade.
Quem falou sobre o projeto para os agricultores foi a professora Ilzeny Rodrigues, responsável pelo Construindo Bases. Ilzeny contou com o apoio do secretário de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), Clóvis Picolo Filho e de toda a equipe da pasta, além do apoio da equipe da Escola Matilde e da Secretaria de Educação (Semel).
Clóvis frisa que há um grande passivo ambiental no Assentamento e o mote do projeto é justamente recuperar essas áreas degradadas com o plantio de espécies nativas. Serão distribuídas cerca de 25 mil mudas. “Recuperar essas áreas é essencial para que os produtores possam regularizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) dessas propriedades, bem como ampliar a produção e venda dos produtos da agricultura familiar”, detalha.
Para o agricultor Márcio Manoel da Silva, um dos fundadores do Jonas Pinheiro e da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Celeste (Coopercel), o Construindo Bases será essencial para a regularização das áreas. “Vai beneficiar toda a comunidade”, diz.
Mas chegar a esse momento não foi uma tarefa fácil.
Tudo começou com o sonho da professora Ilzeny Rodrigues que que há cerca de 10 anos atua na Escola Matilde e almejava ter uma grande estufa na unidade. No percurso desse sonho, ela conheceu Joyce Goblit, então professora de Sociologia do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus de Sorriso que a convidou para participar de uma ação aberta no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) que selecionava projetos ambientais.
“Era um sonho meu poder fazer uma grande estufa que contribuísse de alguma forma com a escola e a comunidade em que está inserida”, diz Ilzeny.
Joyce propôs a Ilzeny participar da seleção. Ilzeny, por sua vez, confidenciou que sonhava em ter uma grande estufa. Orientada por Joyce, Ilzeny pesquisou o passivo ambiental do Assentamento e viu ali a oportunidade de mudar o cenário do Jonas Pinheiro. Com o apoio dos moradores do Jonas Pinheiro e da professora Ana Catarina Tibaldi dos Reis, hoje adjunta da Semasa, Ilzeny inscreveu o projeto pela própria associação da escola e teve a grata satisfação em ver que seu trabalho foi um dos nove selecionados no país.
Vencida a etapa de seleção, Ilzeny colocou mãos à obra. O grupo adquiriu sementes de várias espécies nativas como a fava arara, aroeira do campo, louro branco, pinha nativa, jatobá, pinho cuiabano, dentre várias outras.
Com as mudas já crescidas é hora de iniciar a distribuição e recuperar o passivo ambiental do Jonas Pinheiro. “É a oportunidade de todos os assentados regularizar sua situação ambiental; todas as propriedades tem que ter pelo menos 20% de área recuperada; um projeto muito bonito que nos conectou com a nossa terra e a nossa realidade”, se emociona Ilzeny. Para a professora “hoje é um dia muito especial para a nossa Escola e o Assentamento; celebramos esse momento inclusive com a Feira do Produtor, das mulheres do Assentamento aqui na escola”, comemora ela.
Para Clóvis, a recuperação ambiental vai garantir que os agricultores possam regularizar a própria documentação de seus lotes. “Sem essa área recuperada, não há como regularizar o CAR, por exemplo, ou fazer financiamento, por isso esse momento é tão especial”, explica.
Sobre o ISPN
O ISPN é uma organização da sociedade civil que, há mais de 35 anos, atua pelo fortalecimento de meios de vida sustentáveis, com protagonismo comunitário e valorização dos saberes e da sociobiodiversidade. A justiça socioambiental e climática é o horizonte que orienta nossa caminhada.
A história começa em 1990, quando um grupo de pesquisadores decidiu unir esforços para qualificar e documentar suas pesquisas e atuar em defesa do meio ambiente em diálogo com os debates sociais. Dessa iniciativa nasceu o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
Em 1994, o ISPN foi selecionado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para coordenar o Small Grants Programme (SGP) no Brasil, com foco no Cerrado. O SPG apoia projetos de base comunitária em mais de 120 países, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Essa experiência impulsionou a atuação com projetos ecossociais, que hoje ganham força com o Fundo Ecos, um mecanismo independente de filantropia para a justiça socioambiental.
Em 2013, ampliou a atuação para a Caatinga e, dois anos depois, com apoio do Fundo Amazônia, passamos a apoiar iniciativas também nos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.
Desde então, já apoiou mais de mil projetos em diferentes biomas, por meio de uma carteira diversificada de financiadores, com o intuito de qualificar, promover e multiplicar conhecimentos que contribuam para a consolidação de paisagens produtivas ecossociais, garantindo o presente e o futuro das comunidades e da natureza.
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