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Pesquisador da Unemat explica que ausência de regulamentação em criatórios e cheias históricas introduziram predadores vorazes na Bacia do Rio Paraguai;
Por Joner Campos I Cáceres Notícias
A aparição de um pirarucu gigante no Rio Paraguai, em Cáceres, não é um fato isolado, mas sim o reflexo de um problema estrutural que vem se desenhando desde o início dos anos 2000. É o que aponta o pesquisador Derick Victor de Souza Campos, do Laboratório de Investigação Ambiental do Pantanal Norte da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Segundo o especialista, espécies exóticas como o pirarucu e o tucunaré foram introduzidas no ecossistema pantaneiro por meio da atividade aquícola sem a devida regulamentação e por solturas clandestinas para a pesca esportiva.
O pesquisador relembra que, a partir dos anos 2000, houve uma forte expansão na criação de peixes no Pantanal sem que houvesse uma fiscalização rígida sobre a engenharia das estruturas.
Cheias e transbordamentos: Muitos produtores escavaram tanques em áreas suscetíveis a alagamentos esporádicos. Diante de grandes cheias históricas na região, essas barreiras romperam, espalhando espécies como o tambaqui e o tucunaré nos córregos locais.
Córregos infestados: Um dos exemplos citados pelo pesquisador é o Córrego do Caramujo. Devido à soltura ilegal de alevinos de tucunaré para a pesca recreativa em lagoas marginais que transbordaram, o córrego hoje está infestado. “Praticamente tem mais tucunaré do que espécie nativa lá”, alertou Campos. Como esses cursos d’água deságuam na bacia principal, os predadores chegam facilmente ao Rio Paraguai.
O sucesso adaptativo dessas espécies exóticas nas lagoas do Pantanal deve-se a características biológicas específicas que sobrepujam os peixes nativos da região. Diferente dos peixes pantaneiros, o pirarucu e o tucunaré protegem suas larvas e filhotes até que consigam sobreviver sozinhos. Isso impede que eles sejam predados na fase inicial da vida, acelerando a colonização.
Na Amazônia, o pirarucu se reproduz entre dezembro e maio (período de chuvas) e realiza desovas parceladas, ou devidas em várias vezes dentro do mesmo ciclo. Peixes nativos do Pantanal, como o pacu, desovam uma única vez por temporada.
O outro ponto alertado é a hibridação na região do Pantanal, por serem maiores e mais agressivos os tambaquis, eles afugentam os peixes locais (como o pacu) durante a alimentação e o cortejo reprodutivo, gerando inclusive problemas de hibridização na bacia.
Risco Sanitário Desconhecido
Além do desequilíbrio na cadeia alimentar e da redução dos estoques pesqueiros a médio e longo prazo, o pesquisador da Unemat faz um alerta sobre a segurança sanitária. Peixes provenientes de criatórios comerciais sem controle carregam patógenos, fungos e ácaros desconhecidos pela fauna pantaneira. A introdução de uma nova doença trazida pelo pirarucu tem o potencial de dizimar populações inteiras de espécies locais, como os carás (ciclídeos), que não possuem imunidade natural.
Orientação Oficial
Como é impossível isolar ou esvaziar uma baía natural para retirar os invasores, a estratégia mais viável atualmente conta com o apoio dos pescadores.
De acordo com a Resolução nº 02/2024 do Cepesca/MT, a orientação para qualquer pescador (seja profissional ou amador) que capturar uma espécie exótica (como pirarucu ou tucunaré) no Rio Paraguai é abater o animal imediatamente e embarcá-lo.
“Pegou um pirarucu, abate. Pegou um filhote, embarca. Não tem medida mínima e esses peixes não entram na contagem da cota permitida (que é de 5 kg mais um exemplar de espécies nativas)”, explicou Derick Campos. O pescador pode transportar qualquer quantidade de quilos das espécies exóticas sem sofrer sanções ambientais.
Essa medida, contudo, gera conflitos com os praticantes da pesca esportiva tradicional, que têm resistência em abater peixes de grande porte devido à filosofia do “pesque e solte”. No entanto, o especialista reforça que a prática de soltar o tucunaré ou o pirarucu de volta nas águas do Pantanal agrava severamente o problema ambiental.
A comunidade científica defende a necessidade de se exigir CNPJ dos criadores regulamentados para a compra de alevinos e a adoção de mecanismos que permitam rastrear e controlar o destino dos alevinos comercializados. Além disso fiscalizar a engenharia de novos tanques contra inundações e, principalmente, incentivar a piscicultura de espécies nativas (como o pintado, cachara, dourado e pacu), que possuem alto valor de mercado e não agridem o bioma em caso de fugas acidentais.
Cáceres
Prefeitura de Cáceres e Polícia Militar celebram formatura de mais de 600 alunos no PROERD
A Prefeitura de Cáceres, por meio da Secretaria Municipal de Educação, participou de mais uma edição do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), iniciativa desenvolvida pela Polícia Militar em parceria com as escolas e as famílias.
A solenidade de formatura foi realizada na noite da última terça a-feira (23), no Ginásio de Esportes da Unemat, na Cidade Universitária, e reuniu cerca de 2 mil pessoas, entre estudantes, pais, familiares, profissionais da educação, autoridades e convidados.
O evento marcou a conclusão da formação de mais de 600 alunos do 5º ano de oito escolas da rede municipal de ensino. A entrada dos estudantes uniformizados emocionou o público e deu um tom ainda mais especial à cerimônia.
Prestigiaram a solenidade o prefeito em exercício Luiz Landim, a coordenadora da SME Luciana Gattass Crepaldi que representou o secretário municipal de Educação, Fransérgio Rojas Piovesan, a juíza criminal Rayssa da Silva Santos Amaral, além de autoridades militares e representantes da sociedade civil.
O PROERD tem como principal objetivo orientar crianças e adolescentes sobre os riscos do uso de drogas e da violência, promovendo valores como respeito, responsabilidade, disciplina, autocuidado e convivência saudável.
A coordenadora da Secretaria Municipal de Educação, Luciana Gattass, destacou que o programa fortalece o trabalho desenvolvido nas escolas e contribui para a formação integral dos estudantes. “Hoje celebramos a concretização de uma parceria muito importante, com a formação de mais de 600 alunos da nossa rede municipal. O PROERD vai além da prevenção às drogas. Ele trabalha valores fundamentais, como respeito, disciplina, autocuidado e convivência saudável. É uma ação que complementa nossa proposta educacional e oferece conteúdos significativos para a vida dos nossos estudantes”, afirmou Luciana.
O prefeito em exercício Luiz Landim também ressaltou a relevância do programa e classificou a formatura como um momento marcante para Cáceres. “O PROERD é um projeto extraordinário, porque ajuda nossas crianças e adolescentes a compreenderem a importância de fazer boas escolhas e adotarem hábitos saudáveis. Ao concluírem essa formação, vocês levam para a vida a capacidade de dizer não às drogas e a tudo aquilo que possa prejudicar a saúde, a família e a convivência em sociedade”, declarou.
Landim também deixou uma mensagem aos pais e responsáveis, reforçando que a presença da família é indispensável no processo de formação dos filhos. “O amor, o cuidado e o acompanhamento dos pais fazem toda a diferença. A escola e a Polícia Militar cumprem um papel importante, mas a família é a base de tudo”, completou.
Incentivador do PROERD em Cáceres, o comandante do 6º Comando Regional da Polícia Militar, tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, enalteceu a parceria com o município, com as escolas e com a sociedade cacerense. Segundo ele, trabalhar com crianças e adolescentes em ações preventivas é sempre gratificante, especialmente quando o foco é a valorização da vida e a construção de um futuro melhor.
Durante a cerimônia, alunos que se destacaram ao longo do programa receberam premiações como bicicletas, mochilas, camisetas e mascotes do PROERD. Os brindes foram patrocinados por parceiros como Grupo Juba, CONSEG e deputado estadual Valmir Moretto.
Representando a diretoria do Grupo Juba, o colaborador Aguinaldo do Carmo participou da solenidade e realizou a entrega de uma bicicleta a uma das alunas premiadas. Para Aguinaldo, apoiar iniciativas como o PROERD está em sintonia com as diretrizes de responsabilidade social do Grupo Juba.
Participaram da formatura alunos das escolas municipais José Rodrigues Fontes, Gabriel Pinto de Arruda, Duque de Caxias, Isabel Campos, Vila Irene, Vitória Régia, Jardim Guanabara e Tancredo Neves.
Esdras Crepaldi – DRT 940/MT
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