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Bloqueio de R$ 23,7 bi não afetará serviços e benefícios, diz Moretti

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O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o bloqueio de R$ 23,7 bilhões no orçamento federal será diluído entre as diferentes áreas do governo, de forma a evitar impactos concentrados e assegurar a continuidade de benefícios sociais, serviços públicos, bolsas, obras e outras políticas públicas.

Em entrevista nesta sexta-feira (26) ao programa Bom Dia, Ministro , produzido pela Empresa Brasil de Comunicação ( EBC ), Moretti explicou que o bloqueio não representa corte definitivo, mas um “ajuste temporário” com redistribuição de recursos para garantir o pagamento de despesas obrigatórias.

Ele lembrou que, desde 2023, o governo tem adotado medidas para garantir a retomada e a criação de políticas públicas fundamentais ao desenvolvimento do país, sem abrir mão do controle das contas públicas.

“É para isso que criamos regras de limitação das despesas”, disse ao explicar que as regras adotadas para conciliar responsabilidade fiscal e social exigem também ajustes quando há aumento de despesas obrigatórias.

“Essas regras são fundamentais para que a gente entregue as contas públicas em ordem, combinando os processos de responsabilidade fiscal com o de responsabilidade social.”

“Nesse contexto é que temos limites orçamentários e, quando há crescimento das despesas chamadas obrigatórias, a gente tem que fazer um bloqueio das despesas discricionárias para acomodar essa variação no caso dos benefícios”, acrescentou.

Orçamento

Na segunda-feira (22), os ministérios da Fazenda e do Planejamento comunicaram o bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões de gastos não obrigatórios. O valor consta do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, documento enviado ao Congresso a cada dois meses que orienta a execução do Orçamento.

Com o ajuste, feito para cumprir o limite de gastos previsto no arcabouço fiscal, o total de recursos bloqueados chega a R$ 23,7 bilhões.

Segundo os ministérios da Fazenda e do Planejamento, esse bloqueio foi necessário porque o governo terá de abrir crédito para acomodar o crescimento de gastos obrigatórios.

Remanejamento

De acordo com o ministro, o ajuste foi feito de forma proporcional entre as áreas do governo, para reduzir o impacto sobre cada pasta.

“Então, o que nós fizemos foi um remanejamento dentro do orçamento para garantir que esses benefícios sejam pagos. Afinal de contas, são direitos das pessoas e, ao fazer o bloqueio desses recursos, fizemos de uma maneira proporcional, para que cada um pague um pouquinho e não haja um impacto tão grande sobre cada uma das pastas.”

Diálogo com o Congresso

As chamadas pautas-bombas, propostas legislativas que colocam em risco a responsabilidade fiscal do país, também estão no radar do governo. Para evitar que sejam aprovadas, prejudicando as contas públicas, o governo tem apostado no diálogo com o Legislativo.

Segundo Moretti, os efeitos dessas medidas não ficariam restritos ao Executivo federal, afetando também o orçamento da União, estados e municípios.

“Temos diálogos com as presidências das duas casas [Senado e Câmara] e com as lideranças para explicar o impacto de uma série de propostas às contas públicas. Temos o dever de zelar pelas contas públicas”, disse.

“Para isso, temos tido acolhimento deles”, afirmou o ministro, que se disse confiante de que os projetos só serão aprovados mediante o atendimento das regras orçamentárias e das regras fiscais vigentes.



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Com emprego aquecido, subutilização é a menor da história; entenda

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O mercado de trabalho aquecido tem apresentado reflexos em indicadores que vão além da taxa de desocupação . A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua , divulgada nesta sexta-feira (26), revelou que o país alcançou a menor taxa de subutilização já registrada .

O índice chegou a 13,3% no trimestre móvel encerrado em maio. O recorde de baixa anterior pertencia ao último trimestre de 2025 (13,4%).

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que iniciou a série histórica da pesquisa em 2012.

A Pnad apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, além de temporários e por conta própria, por exemplo.

O que é subutilização

A taxa de desocupação, conhecida popularmente como taxa de desemprego, mostra o percentual de pessoas que procuraram emprego e não encontraram em relação ao total de pessoas na força de trabalho. Até maio, o índice estava em 5,6%.

Já a taxa de subutilização é um indicador que mede a parcela da população em idade de trabalhar que não é plenamente aproveitada pelo mercado de trabalho e gostaria de trabalhar mais.

De acordo com o analista da pesquisa, William Kratochwill, o universo de subutilizados não abrange apenas os desempregados, mas, sim, três grupos de pessoas:

  • desocupados: pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa
  • subocupados por insuficiência de horas trabalhadas : quem está disponível, quer trabalhar mais horas, mas não consegue uma ocupação para suprir as 40 horas semanais.
  • força de trabalho potencial: pessoas desalentadas e não desalentadas.

Desalentados são aqueles que não procuram uma posição porque acreditam que não vão encontrar.

“Acham que não tem emprego na região, ou que são muito jovens ou muito velhos para trabalhar, não esperam ter vaga apropriada para sua qualificação”, exemplifica Kratochwill.

Os não desalentados são os que querem trabalhar, estão disponíveis, mas não procuram vaga. Ou procuraram vaga, mas não estavam disponíveis para começar a trabalhar e recusaram o trabalho.

Comportamento da taxa

No trimestre encerrado em maio, o número de subutilizados alcançou 15,1 milhão de pessoas . Esse contingente representa recuo de 5,7% no trimestre (menos 920 mil), quando a taxa de subutilização era de 14,1%.

No trimestre até maio de 2025, o índice era de 14,9%. Em um ano, 1,9 milhão de pessoas deixaram a condição de subutilizados.

“Mostra que o estoque de pessoas, esse colchão de trabalhadores que podem ser absorvidas pelo mercado de trabalho, está diminuindo cada vez mais”, assinala Kratochwill.

A maior taxa já registrada na Pnad foi 30,7%, no trimestre até agosto de 2020. “Por causa da pandemia de covid-19”, contextualiza o analista do IBGE.

A maior taxa de subutilização antes da eclosão da pandemia (2020) havia sido 25%, no período de três meses até maio de 2019. Na época eram 28,4 milhões de pessoas na condição.

Mercado aquecido

O analista William Kratochwill reconhece que a taxa de subutilização não é tão popular quanto a taxa de desocupação, “indicador mais fácil de entender e globalmente conhecido”, mas sinaliza que a análise do número é uma forma de sentir o mercado de trabalho aquecido.

“O mercado, de fato, está aquecido, está absorvendo toda mão de obra possível”, diz ele, que aponta efeitos potenciais na relação entre trabalhadores e empregadores.

“Se está ficando mais escassa, o preço da mão de obra vai ter que subir, as condições de trabalho, de qualidade das ofertas de trabalho têm que melhorar”, conclui.



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