Economia
ANS avalia teste que apoia decisão no câncer de mama
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A Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC) submeteu à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) um pedido para inclusão, no rol de cobertura obrigatória dos planos de saúde, de um teste genômico que pode evitar quimioterapia desnecessária em um número significativo de mulheres com câncer de mama.
O teste Oncotype DX Breast Recurrence Score® analisa a atividade de 21 genes do tumor e gera um índice que permite avaliar tanto o risco de recorrência da doença quanto o benefício esperado da quimioterapia. Na prática, ele ajuda médicos a decidir, com maior precisão, quais pacientes podem se beneficiar do tratamento.
Os dados apresentados à ANS mostram impacto direto na conduta clínica. Estudos realizados no Brasil indicam que até 60% das pacientes avaliadas com o teste puderam evitar a quimioterapia, sem prejuízo no controle da doença. Evidências internacionais também mostram que pacientes classificadas como de risco clínico intermediário ou alto podem não se beneficiar da quimioterapia quando apresentam baixo risco genômico. Por outro lado, mulheres com baixo risco clínico, que normalmente não receberiam quimioterapia, podem ter indicação do tratamento quando o teste identifica maior risco genômico, reduzindo a probabilidade de recorrência da doença.
Além dos benefícios clínicos, a solicitação destaca o potencial impacto econômico. Modelos aplicados à realidade brasileira apontam que a adoção do teste pode gerar uma economia de até US$ 26,7 milhões em cinco anos na saúde suplementar. A redução ocorre principalmente pela diminuição do uso de quimioterapia, que envolve custos elevados com medicamentos, acompanhamento médico e manejo de efeitos adversos.
Em uma análise conduzida na saúde suplementar, o uso do teste esteve associado a uma economia de aproximadamente R$ 1,9 milhão, decorrente principalmente da redução de tratamentos desnecessários.
Outro ponto destacado na documentação é que o exame já conta com mais de 20 anos de uso e evidências acumuladas em mais de 2 milhões de pacientes ao redor do mundo, sendo amplamente utilizado em diversos países e recomendado por diretrizes internacionais e mesmo pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).
“O teste permite identificar com mais precisão quais pacientes podem se beneficiar da quimioterapia e quais podem ser poupadas desse tratamento”, afirma a oncologista Laura Testa, da Rede D’Or e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp).
A possibilidade de incorporação do teste pela ANS representa um avanço relevante na adoção da medicina de precisão no Brasil. Ao permitir decisões mais individualizadas, o exame contribui para evitar o chamado “sobretratamento”, reduzindo a exposição de pacientes a efeitos colaterais como queda de cabelo, fadiga e maior risco de infecções — além de melhorar de forma significativa a qualidade de vida ao longo da jornada do tratamento.
Caso o pedido seja aprovado, o teste Oncotype DX® poderá passar a ser coberto pelos planos de saúde, ampliando o acesso a uma ferramenta que alia maior precisão terapêutica, redução de intervenções desnecessárias e uso mais eficiente dos recursos em saúde, ampliando o acesso a uma tecnologia que combina maior precisão clínica baseada em medicina de precisão, redução de intervenções desnecessárias e uso mais eficiente dos recursos do sistema de saúde.
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Entrar na universidade ficou mais fácil. E permanecer?
O retorno às aulas nas universidades brasileiras reacende um debate que vem ganhando espaço na agenda da educação: garantir o acesso ao Ensino Superior já não é suficiente. Com a ampliação das políticas de inclusão e das ações afirmativas, mais jovens de baixa renda passaram a ocupar as universidades. Agora, o desafio é criar condições para que eles consigam permanecer até a conclusão da graduação.
Na prática, milhares de estudantes enfrentam uma rotina marcada por longos deslocamentos, necessidade de conciliar trabalho e estudo, insegurança alimentar, dificuldades financeiras e questões relacionadas à saúde mental. Em muitos casos, essas barreiras acabam levando à evasão, mesmo após a conquista da vaga.Os dados mostram a dimensão desse cenário. Pesquisa realizada pela Plano CDE para o Instituto Sol revela que, entre jovens de baixa renda da Região Metropolitana de São Paulo com perfil semelhante ao dos bolsistas atendidos pela instituição, apenas 17,7% conseguem ingressar no Ensino Superior. Entre aqueles que entram, somente 4% concluem a graduação sem algum tipo de apoio estruturado.
“Ampliar o acesso foi um avanço importante, mas a inclusão só se concretiza quando os estudantes conseguem permanecer na universidade e concluir sua formação. Políticas de permanência, como apoio para transporte, alimentação, moradia e assistência estudantil, são fundamentais para transformar o ingresso no Ensino Superior em oportunidades reais de desenvolvimento e mobilidade social”, afirma.
Além dos desafios financeiros, a pesquisa aponta que fatores como o sentimento de não pertencimento, lacunas na formação básica e barreiras culturais também impactam a trajetória acadêmica desses estudantes, reduzindo as chances de conclusão da graduação. O levantamento ainda mostra o potencial transformador do diploma universitário. Jovens que concluem o Ensino Superior podem alcançar um aumento acumulado de renda de até R$ 2,6 milhões ao longo da vida, em comparação com aqueles que não obtêm a graduação.
Para Júlia Borges Lima, fortalecer políticas de permanência é o próximo passo para que a expansão do acesso às universidades resulte, de fato, em mais mobilidade social e redução das desigualdades.
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