Cultura
Olinda recebe Encontro de Cavalo-Marinho, folguedo do período natalino
Cultura
Uma tradição do período natalino em Olinda, Pernambuco, acontece mais uma vez neste 25 de dezembro. A partir de 18h, na Casa da Rabeca, Cidade Tabajara, acontece a 30ª edição do Encontro Nacional de Cavalo-Marinho.

Este ano, o evento prestará uma homenagem ao fundador do evento, o músico rabequeiro, artesão e produtor cultural Mestre Salustiano. Se estivesse vivo, o artista completaria 80 anos em 2025. Patrimônio Vivo de Pernambuco, Mestre Salu faleceu no ano de 2008.
O produtor cultural Pedro Salustiano, filho de Salu, fala que o pai sempre foi muito inquieto e sempre disposto a criar novos grupos de folguedo, que hoje são uma tradição pernambucana.
“Para você ter ideia, ele criou a Ciranda Nordestina, na década de 60; o Cavalo Marinho Boi Matuto de Olinda; o Mamulengo Alegre; a Casa da Rabeca; o Maracatu Piaba de Ouro; o espaço da Ilumiara Zumbi; a Associação dos Maracatus de Baque Solto”.
As apresentações gratuitas reúnem, este ano, brincantes dos grupos Boi Matuto, de Olinda; Boi da Luz, também de Olinda; o Boi Estrela, do Recife; Ciranda Nordestina; Flor de Manjerona; e o Samba de Coco Cachoeira da Onça.
O Boi Matuto, criado em 1968 por Mestre Salustiano, é mantido pelos filhos e netos. Já a Ciranda, outro grupo criado por Salu em parceria com Mestre Antônio Baracho nos anos 1970, fará sua reestreia no cenário dos folguedos pernambucanos, resgatando mais uma tradição nascida na família, como explica Pedro.
“A gente pensou exatamente hoje fazer abertura do evento com a Ciranda Nordestina, que estão presente filhos e netos tocando nesse espetáculo. Eu vejo mais um legado cultural criado pelo meu pai sendo resgatado, dando continuidade e passando para esses jovens. Porque a faculdade é essa; a gente tem esse trabalho, essa missão de vida de transmitir esses saberes, que é um saberes transmitidos nos terreiros, nas sambadas, nos encontros”.
O cavalo-marinho é uma variação do bumba–meu-boi. É um folguedo cênico-musical da zona rural pernambucana que reúne dramaturgia, dança e performance improvisada.
Por meio de personagens como Boi, Mateus e Catirina, a brincadeira atualiza conhecimentos comunitários, encena relações sociais e reafirma sistemas simbólicos que atravessam gerações.
Os brincantes encenam um auto de Natal em que homenageiam os Reis Magos, que, dentro dos ritos cristãos, teriam visitado e levado presentes para o menino Jesus logo após o seu nascimento.
*Sonoplastia de Jailton Sodré
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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