Search
Close this search box.

Cultura

Livros discutem a produção de cinema por mulheres indígenas

Publicado em

Cultura

Duas publicações apresentadas esta semana dentro da programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ampliam o diálogo e revelam dados sobre o cinema produzido por mulheres indígenas e também sobre as relações do mercado e dos eventos voltados para o audiovisual e a participação dos povos originários no segmento.

O livro “Ler o vento, filmar o mundo:  pesquisa-mapeamento sobre o cinema produzido por mulheres indígenas no Brasil” destaca trajetórias, produções e as diferentes abordagens narrativas a partir do olhar dessas mulheres.

Já o manual “Diretrizes para um Audiovisual Ético com Povos Indígenas” traz orientações e boas práticas para festivais, produtoras, universidades e instituições culturais que desenvolvem trabalhos audiovisuais com povos indígenas. A Rede Katahirine – Rede Audiovisual das Mulheres Indígenas é a responsável pelas iniciativas.

Durante o lançamento, Bárbara Kariri, uma das coordenadoras do trabalho e conselheira da Katahirine, destacou a importância das publicações.

“A gente tá vivendo um momento político em que as cotas, são importantes, são necessárias, são urgentes e tem que melhorar. Mas, para além das cotas, a gente precisa mudar as metodologias, porque você coloca o indígena, o quilombola num espaço e você não dá sustância, não dá acolhimento para essa pessoa, em alguma camada é uma continuidade da violência.”

A pesquisa-mapeamento entrevistou 60 cineastas de 40 povos, de todas as regiões do país, entre as quais estão falantes de 35 línguas indígenas. O recorte feminino revela vários obstáculos enfrentados que vão desde os desafios de financiamento até a preservação dos trabalhos.

Entre as entrevistadas pouco mais de 81% já apresentaram filmes em mostras ou festivais, mas cerca de 71% relataram ter começado a ler um edital e desistido de concorrer por causa da burocracia, requisitos de participação e linguagem dos editais.

 As entrevistadas citaram como exemplo, a dificuldade de fornecer documentos exigidos, especialmente as que moram nos territórios. O levantamento revelou ainda que 65% das produtoras indígenas  já perderam algum material audiovisual.  A cineasta Moiara Katxuyana destaca que o livro também é uma ferramenta para dar rosto e voz para as realizadoras indígenas.

“Quem são essas mulheres? Essa parte inicial deste livro que é  “Ler o Vento”, ele traz esses dados revelando quem são essas mulheres. Afinal de contas, a gente não está falando de números, a  gente está falando de mulheres, de mães, de benzedeiras, de líderes comunitárias, que se encontram  nessa pluralidade de ser de territóri,o de povos, de línguas, numa prática em comum”.

Já o documento “Diretrizes” é voltado para profissionais e organizações do setor cinematográfico em geral.  Ele lança luz sobre a necessidade do fortalecimento das relações com quem promove eventos, fomenta produção, pesquisa e outras ações ligadas ao audiovisual baseadas na escuta, na reciprocidade, na remuneração justa e no reconhecimento dos modos indígenas de fazer e pensar cinema, como reforça Bárbara Kariri.

“Eu percebia  essa falta de cuidado, essa falta de escuta, em falta também de iniciativa em colocar a gente nessa posição de cabeça de equipe, dessa parte de criação. Então, muitas vezes,  a gente estava ali só como alguém que tem que cumprir a ordem, sem poder dar uma opinião, nem nada”. 

As orientações foram elencadas de maneira conjunta, com depoimentos e vivências de mulheres indígenas em produções, festivais, curadorias e instituições.


Brasília (DF), 16/09/2026 - Ler o vento, filmar o mundo. Pesquisa mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil. Foto: Rede Katahirine/Divulgação
Brasília (DF), 16/09/2026 - Ler o vento, filmar o mundo. Pesquisa mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil. Foto: Rede Katahirine/Divulgação

Ler o vento, filmar o mundo. Pesquisa mapeamento do cinema das mulheres indígenas no Brasil. Foto: Rede Katahirine/Divulgação


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Cultura

Fortaleza recebe Feira do Conhecimento com mais de 190 expositores

Publicados

em

Conhecimento, curiosidade, tecnologia e criação, tudo motivado pela força da inteligência da juventude cearense. Este é o cenário que o público vai encontrar ao visitar a 10ª Feira do Conhecimento, que começa nesta quinta-feira (5), no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

A feira vai ocupar um espaço de 9 mil metros quadrados, com mais de 80 horas de conteúdo e a expectativa de receber cerca de 30 mil visitantes.

Com o tema comemorativo “Há 10 edições, o conhecimento não para”, a programação gratuita, que segue até o próximo sábado, reúne mais de 190 expositores em ações, dinâmicas e demonstrações voltadas para a ciência, tecnologia, inovação, empreendedorismo, cultura e entretenimento. A edição deste ano segue a temática “Ciência Delas”, para destacar a participação feminina na produção do conhecimento.

A abertura oficial terá o maestro Poty Fontenelle, que retorna ao palco da Feira para uma apresentação que une música e tecnologia em uma experiência imersiva criada especialmente para a ocasião.

A Feira está montada em quatro eixos. O Espaço Pop reunirá museus científicos, planetários, ciência itinerante, Ciência Delas, Ceará Faz Ciência, Salão do Inventor, entre outros espaços. Já a área Tech terá atrações como Arena Games, E-Sports, Robótica, Drone e o Museu Bojogá. O eixo Conexão será voltado ao empreendedorismo e à aproximação entre talentos, startups, empresas e investidores, com rodadas de negócios. O espaço Vitrine apresentará projetos, descobertas, tecnologias e soluções desenvolvidas por universidades, institutos e centros de pesquisa do Ceará. 

Outro destaque do evento é a Arena Conhecimento por onde devem passar a escritora e empresária Nath Finanças, a autora e criadora de conteúdo Giuliana Mafra e a apresentadora gamer Nyvi Estephan.

O encerramento será com o espetáculo “Ciência em Show – Espetáculo Loucos por Ciência”, que apresenta conceitos científicos de forma lúdica e interativa. 

Todas as informações para os participantes e visitantes já estão disponíveis no site feiradoconhecimento.com.br.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA