Cultura
Geometria em movimento: exposição mostra a arte de Sérvulo Esmeraldo
Cultura
Em Recife, uma exposição gratuita na Caixa Cultural celebra a arte do escultor, pintor, desenhista e ilustrador cearense Sérvulo Esmeraldo. A mostra reúne cerca de 50 trabalhos do artista, criados ao longo de quase 70 anos de carreira. 

A obra de Sérvulo Esmeraldo traz formas geométricas em técnicas que vão da gravura à escultura, passando por pinturas e relevos.
Cearense do Crato, Sérvulo nasceu em 1929, morou em Fortaleza, São Paulo e estudou belas artes em Paris. Foi nesse período que teve contato com a arte cinética, movimento que surgiu na França nos anos 50 e que explora a noção de movimento e de ilusão de ótica, com conceitos da matemática e da física. Dodora Guimarães, curadora e viúva do artista, fala sobre o trabalho de Sérvulo Esmeraldo na arte cinética.
“A participação de Sérgio de Esmeraldo nesse movimento destaca-se sobretudo pelo invento dos Excitáveis. Uma obra que ele desenvolveu utilizando a eletricidade estática. Sérgio de Esmeraldo foi um artista que uniu arte e ciência”.
Na década de 70, o artista voltou ao Brasil e fixou seu ateliê em Fortaleza, onde criou dezenas de esculturas públicas que se integram à paisagem da cidade. A exposição em Recife apresenta a produção tridimensional de Sérvulo Esmeraldo, com as séries “Planos e Volumes Virtuais”, “Sólidos Geométricos” e “Teoremas”.
Dodora Guimarães destaca a importância da geometria na obra do artista, que tinha preferência por uma figura em especial: “o seu amor pelo triângulo. Nós temos várias obras que investigam essa forma primária e que para Sérvulo Esmeraldo resumia a riqueza da natureza. Nós temos triângulos tanto em esculturas, como em desenhos, como também na série de gravuras expostas.”
Inventividade, rigor e experimentação fazem parte da trajetória do artista, pioneiro da arte cinética no Brasil, que morreu em 2017, aos 87 anos.
O público pode conferir a mostra “Esse é Sérvulo Esmeraldo” até o dia 25 de outubro, na Caixa Cultural Recife. Entrada gratuita.
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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