Cultura
Conheça a história por trás da tradição das bandeirolas juninas
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Durante os festejos juninos, elas enfeitam ruas e praças. Mas muito antes de virarem decoração, as bandeirolas tinham um significado religioso. A tradição chegou ao Brasil com os portugueses e foi se transformando ao longo dos séculos. O professor de História Ricardo Carvalho explica diferentes versões para o surgimento deste costume.

“A origem é bem mais distante daqui, mais ancestral. Já existia mesmo nas comemorações pagãs na Europa Ocidental, principalmente durante o solstício de verão, que é essa época mais ou menos do mês de junho. Eram comemorações em que se acendia fogueiras, que se colocava adereços, estandartes saudando a fertilidade, saudando aquele período de abundância que começava a ser marcado por esse período. E aí, com a cristianização da Europa, essas práticas pagãs acabaram de alguma forma sendo incorporadas dentro do imaginário cristão ocidental. Então, as festas de Santo Antônio, de São João e São Pedro acabaram adotando os estandartes com os santos, essas bandeiras com os santos, que faziam parte de um ato de devoção, mas, ao mesmo tempo, da liturgia católica em progressão na Europa. Com o trabalho jesuíta aqui no Brasil, o trabalho de catequese, que foi toda a aculturação cristã vinda através da Companhia de Jesus, essas práticas também foram incorporadas aqui aos festejos. Mas, curiosamente, não é essa a única teoria da origem das bandeirolas para os festejos juninos. Há alguns historiadores que defendem que elas vieram também do contato dos portugueses, durante a expansão marítimo-comercial, eles chegaram a ter contato com tradições budistas, no Himalaia, na região da Ásia Oriental, e que era muito costume se colocar orações budistas em bandeirolas coloridas. Talvez essa influência também tenha marcado essa presença portuguesa e que acabou migrando para os nossos festejos aqui no Brasil.”
Com o tempo, as antigas referências visuais foram dando lugar às cores e aos recortes geométricos que, hoje, marcam a decoração dos arraiás.
“As bandeirolas passam a ter um significado muito rico. Elas são quase que uma arquitetura efêmera, fazem parte de um componente de um teto novo que faz as praças se transformarem em arraiás, as ruas em desfiles de quadrilhas. Então é muito forte.”
Por isso, mais do que enfeites, estes símbolos ajudam a manter viva uma das mais belas tradições da cultura brasileira.
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Mais de 900 instituições participam da Primavera dos Museus
Organizada pelo Ibram, o Instituto Brasileiro de Museus, a Primavera dos Museus reúne instituições de todo o país no começo da estação para aproximar a sociedade desses espaços. Com o tema “Museu para todas as pessoas”, a iniciativa busca refletir sobre inclusão e diversidade para democratizar o acesso a espaços culturais. Mais de 900 instituições de todo o país participam da ação, com atividades relacionadas ao tema da inclusão e diversidade.

A proposta abarca desde a acessibilidade ao sentimento de pertencer e se sentir representado em mais de 2 mil atividades inscritas, como palestras, oficinas, mostras e ações educativas. Entre os participantes está o Museu das Favelas, em São Paulo. Priscila Fenix, da gerência de conteúdo da instituição, comenta a programação especial:
“No dia 24, uma formação sobre acessibilidade e património, discutindo os desafios de tornar espaços históricos mais acessíveis e pensar também na função social desses espaços. No dia 25, a oficina Favela no Toque proporciona uma experiência de construção de uma árvore faveleira, um símbolo importante para o museu. E no dia 26, o encontro Afrofuturismos: Imaginando e Construindo Prosperidades, que reúne literatura, música e debate sobre futuros possíveis no contexto da população negra”.
Em Salvador, o Museu de Arte da Bahia traz uma oficina de modelagem de argila e a exposição “A Bahia pelo olhar do autismo”.
Em Fortaleza, o Museu de Arte Contemporânea do Ceará realiza uma visita mediada em Libras na mostra “Arte Surda”.
Em Manaus, o Museu da Cidade oferece atividade prática que explora a fuligem como pigmento artístico.
Em Cuiabá, o Museu de História Natural de Mato Grosso realiza visita mediada na exposição “Territórios”, do artista Babu 78, com obras sobre o cotidiano da periferia cuiabana.
No Rio de Janeiro, o Arquivo Nacional retrata as histórias de 10 mulheres do século XIX na exposição “Senhora Liberdade: mulheres desafiam a escravidão”.
Em Porto Alegre, o Museu da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) apresenta exposição sobre a memória e o protagonismo da população negra na capital gaúcha.
É possível consultar a programação completa pelo site visit.museus.gov.br e selecionar por cidade, data ou instituição.
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