Cuiabá
Obras de pavimentação estão paralisadas por falta de repasses federais em Cuiabá
Cuiabá
A Prefeitura de Cuiabá está com dificuldades para concluir obras na capital devido à falta de pagamento do Governo Federal. Entre as obras nessas condições estão a pavimentação asfáltica no Residencial Coxipó 2ª etapa, no bairro Jockey Clube e no Jardim Gramado. No caso do Jardim Gramado, praticamente toda a obra está travada, sendo que apenas 2,33% do total foi executado. Já no Jockey Clube, estão faltando menos de 2% para a conclusão, travando há pouco de terminar. São obras de diferentes convênios que aguardam a liberação dos recursos para as devidas finalizações. Além dessas, outras obras concluídas ou a concluir estão sem repasses do Governo Federal, totalizando mais de R$ 14,4 milhões.
O contrato de número 152/2024, correspondente ao Jockey Clube-Parque Cuiabá, envolve também a pavimentação do Jardim Presidente 1 e do Parque Ohara. Do montante total de R$ 6.681.711,17, a Prefeitura de Cuiabá recebeu apenas R$ 2.101.350,77, valor que foi repassado à empresa responsável pela obra. No entanto, a obra está parada porque a empresa precisa do dinheiro para efetuar seus compromissos e dar continuidade aos serviços.
Em condições semelhantes está a pavimentação do Residencial Coxipó 2ª etapa. O contrato também é de 2024, sob o número 392. O recurso total é de R$ 6.674.925,39, tendo sido recebido R$ 1.910.512,97. Do que resta para receber, sendo R$ 4.764.412,42, não há previsão, fato que emperra a conclusão da pavimentação.
A situação do Jardim Gramado é ainda mais delicada, tendo em vista que só foram pagos R$ 63.760,54 do Contrato 229/2025, cujo valor total é de R$ 2.711.058,29, restando praticamente todo o valor a ser pago.
“São obras estruturais importantes que impactam a vida dos cidadãos e travam os projetos da Prefeitura de Cuiabá. O Residencial Coxipó 2ª etapa tem 60% das obras prontas, mas depende dos recursos federais para concluir os 30% que faltam. O Jockey Clube travou faltando menos de 2% para terminar, já foram realizados 98,39%. E, no caso do Jardim Gramado, apenas 2,33% foram executados, restando praticamente toda a pavimentação projetada para ser concluída”, explicou o secretário municipal de Infraestrutura e Obras.
Reginaldo ressaltou que os moradores são sempre os mais prejudicados, pois criam expectativas com o início da obra, inclusive de investimentos nos imóveis, considerando que, a partir das vias pavimentadas, também há valorização. “No entanto, precisam conviver com esses entraves por falta de pagamentos, que dependem exclusivamente do Governo Federal e impactam a vida no município”, frisou o secretário.
Além dessas, existem outras obras. O município de Cuiabá está com algumas paralisadas e outras finalizadas, mas com pendências financeiras devido à ausência de repasses do Governo Federal que, somados, correspondem a mais de R$ 14,4 milhões. Conforme levantamento da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras Públicas, são sete projetos, incluindo pavimentação urbana, ponte na zona rural e estrutura física, como a do Ginásio do bairro Quilombo. Seis deles são obras iniciadas na gestão anterior, com recursos de convênios firmados com a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e o Ministério das Cidades, mas cujos valores não foram creditados na conta vinculada da Caixa Econômica Federal, responsável por operacionalizar os pagamentos às empresas executoras.
A situação atinge também obras de infraestrutura física, como a reforma do Ginásio do Quilombo, no bairro Quilombo, em Cuiabá, e a construção da ponte de concreto na comunidade Aguaçu/Ribeirão Machado, na zona rural da capital.
O contrato do Ginásio do Quilombo, por exemplo, prevê mais de R$ 2,1 milhões, tendo sido pago apenas R$ 544.393,65, o que compromete significativamente a execução da obra.
A ponte do Rio Machado, no valor de mais de R$ 1,2 milhão, recebeu R$ 345.787,85. Falta ainda mais de R$ 935 mil para dar continuidade à obra.
Também há obras já concluídas, mas que não tiveram os pagamentos efetuados às empresas contratadas pela mesma razão: a falta de repasse dos recursos federais. É o caso da pavimentação asfáltica nos bairros Jardim Presidente 1, Parque Cuiabá e Parque Ohara. Embora os serviços tenham sido finalizados, os valores previstos em convênio não foram depositados pelo Governo Federal, impedindo a quitação dos contratos. Os três bairros estão em um único contrato de quase R$ 6,7 milhões, dos quais apenas R$ 2,1 milhões foram quitados, ou seja, restam exatos R$ 4.580.360,40 a receber.
O município reforça que aguarda a regularização dos repasses para dar continuidade às frentes de trabalho paralisadas e efetuar os pagamentos pendentes. “Esperamos que haja consenso por parte dos órgãos federais responsáveis para destravar os recursos e minimizar os prejuízos à população, especialmente nas regiões que aguardam há anos por melhorias estruturais. São convênios que já estão sendo executados, obras que estão em andamento para execução e implantação, e os convênios vão aportando recursos conforme o andamento”, frisou o secretário municipal de Infraestrutura e Obras, Reginaldo Teixeira.
O único contrato do montante citado que corresponde à atual gestão é o do bairro Jardim Gramado, o 229/2025, de aproximadamente R$ 2,71 milhões. Até o momento, apenas R$ 63.760,54 foram repassados.
Confira a situação dos respectivos contratos:
Contrato 152/2024 – Jardim Presidente 1/Parque Ohara/Jockey Clube-Parque Cuiabá
Valor total: R$ 6.681.711,17
Recebido: R$ 2.101.350,77
A receber: R$ 4.580.360,40
Contrato 392/2024 – Residencial Coxipó 2ª etapa
Valor total: R$ 6.674.925,39
Recebido: R$ 1.910.512,97
A receber: R$ 4.764.412,42
Contrato 269/2024 – Ginásio Quilombo
Valor total: R$ 2.133.029,21
Recebido: R$ 544.393,65
A receber: R$ 1.558.635,56
Contrato 075/2024 – Ponte Ribeirão Machado
Valor total: R$ 1.280.834,36
Recebido: R$ 345.787,85
A receber: R$ 935.046,51
Contrato 229/2025 – Jardim Gramado
Valor total: R$ 2.711.058,29
Recebido: R$ 63.760,54
A receber: R$ 2.647.297,75
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
Cuiabá
Entre datas de inclusão, ensino bilíngue abre caminhos para crianças surdas em Cuiabá
Celebrados nessa quinta (23) e sexta-feira (24), o Dia Nacional da Educação de Surdos e o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), respectivamente, reforçam a importância de práticas educacionais inclusivas. Em Cuiabá, a rede municipal tem avançado na consolidação da educação bilíngue, modelo que reconhece a Libras como primeira língua (L1) e o português escrito como segunda (L2).
Amparada pela Lei nº 14.191/2021, a proposta considera a surdez como uma diferença linguística e cultural. Na prática, isso significa garantir que o estudante surdo tenha acesso pleno ao conteúdo escolar, respeitando suas especificidades e promovendo equidade no processo de aprendizagem.
A mestre em educação e coordenadora técnica de educação especial, Neuraides Ribeiro Silva, explica que a educação bilíngue de surdos na rede municipal segue diretrizes legais e pedagógicas específicas. Segundo ela, o modelo vem sendo estruturado de forma gradual em Cuiabá.
“A rede municipal de Cuiabá vem estruturando a educação bilíngue para alunos surdos de forma gradual e integrada ao modelo de educação inclusiva, combinando ensino regular com serviços especializados. A organização segue princípios legais nacionais e práticas pedagógicas específicas para esse público”, disse.
Já a professora da rede municipal e estadual, especialista em educação especial, Alessandra Andrade Silva, destaca que a educação bilíngue vai além da tradução de conteúdos e envolve uma estrutura pedagógica pensada para o desenvolvimento integral dos alunos.
“A educação bilíngue de surdos constitui uma modalidade que garante o direito à formação integral, respeitando a singularidade linguística. A Libras é a primeira língua e base da aprendizagem, enquanto o português escrito é trabalhado como segunda língua”, informou.
Na rede municipal de Cuiabá, o atendimento ocorre de forma integrada. Estudantes da educação infantil até o 2º ano contam com professores bilíngues. Já do 3º ao 5º ano, o acompanhamento é feito por intérpretes de Libras, além de instrutores no contraturno. O currículo é o mesmo para todos, com adaptações linguísticas que asseguram o entendimento dos conteúdos.
Nesse contexto, o trabalho colaborativo entre professores regentes, profissionais bilíngues, intérpretes e famílias é essencial para o sucesso da proposta. A professora bilíngue e intérprete de Libras, Emanuelle Freire Galvão Ponce, explica que o papel do intérprete vai além da tradução, sendo fundamental na mediação do aprendizado em sala de aula.
“O principal papel do intérprete de Libras é a mediação comunicativa. Ele atua na relação entre professor, aluno surdo e colegas, garantindo que o conteúdo seja compreendido. Esse acompanhamento acontece em todas as disciplinas, durante todo o período em sala”, explicou.
Ela também ressalta que, com a presença do professor bilíngue, é possível ampliar as estratégias pedagógicas e adaptar materiais de forma mais eficaz, favorecendo o aprendizado dos estudantes surdos.
Outro ponto importante é o início precoce desse acompanhamento. Segundo especialistas, quanto mais cedo a criança surda tem acesso à Libras, melhores são seus resultados no processo de alfabetização e desenvolvimento escolar.
“Quando a criança surda tem acesso à língua de sinais desde cedo e é alfabetizada nesse contexto, o desenvolvimento é muito mais positivo. Ela consegue acompanhar a turma e avançar com mais autonomia”, afirma Emanuelle.
O município de Cuiabá, por meio da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (SMECEL), enfrenta o desafio de garantir uma escola inclusiva para professores, estudantes e toda a comunidade escolar.
Diante desse cenário, as datas de 23 e 24 de abril reforçam não apenas a importância da Libras, mas o compromisso com uma educação que valorize a diversidade e promova inclusão de forma efetiva, garantindo que todos os estudantes tenham as mesmas oportunidades de aprender e se desenvolver.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
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