Cáceres
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Da Redação
A conta da representação política no Oeste mato-grossense é simples, mas tem sido ignorada eleição após eleição: sem concentração, não há vitória. A última eleição de um representante foi há doze anos, e a região, composta por 22 municípios, assiste à Assembleia Legislativa legislar e destinar o orçamento público sem a presença de uma voz local para brigar pelas demandas do nosso povo.
O movimento que pretendia unificar candidaturas e evitar a dispersão do voto naufragou na vaidade partidária. Em Cáceres, polo natural da região e cidade que puxou essa bandeira, surgiram 13 candidaturas a deputado estadual. Em vez de uma ou duas opções de cada lado do espectro ideológico, partidos lançaram nomes apenas para cumprir tabela e garantir espaço em atas cartoriais. O resultado prático dessa enxurrada de nomes é o de sempre: dividir para perder, entregando cadeiras nas mãos de deputados de outras regiões que só aparecem por aqui em época de caçar voto.
Na contramão da fragmentação, o Partido dos Trabalhadores tomou uma decisão pragmática no campo da esquerda. Havia a possibilidade de duas candidaturas regionais, dividindo forças entre Cáceres, com o vereador Cézare Pastorello, e Pontes e Lacerda, com o agrônomo Saguio Moreira Santos. Houve recuo estratégico: o PT optou pelo afunilamento em torno de Pastorello com o objetivo claro de garantir uma cadeira direta no parlamento estadual pelo quociente eleitoral da federação.
Os números justificam o movimento. Na eleição presidencial de 2022, Lula obteve mais de 58 mil votos no Oeste, sendo 21.730 apenas no colégio eleitoral de Cáceres. Enquanto candidaturas do campo da direita se pulverizam em mais de uma dezena de opções disputando a mesma fatia, a candidatura de Cézare Pastorello surge como a única capaz de canalizar e herdar essa densidade eleitoral.
Nos bastidores da política local, analistas e lideranças partidárias já admitem que a viabilidade de Pastorello não depende apenas da militância de esquerda. Sua atuação na Câmara Municipal de Cáceres construiu trânsito fora das bolhas partidárias, atraindo eleitores de centro e cidadãos desiludidos com a polarização cega. Para esse grupo, o que pesa na balança não é a cor da bandeira, mas a urgência de colocar um representante da região dentro do Palácio Paiaguás e da Assembleia.
Faltando poucos dias para o primeiro domingo de outubro, a tendência observada nas ruas e conversas de bastidores é a migração do voto útil. Com os indecisos percebendo o risco real de o Oeste amargar mais quatro anos de isolamento, a candidatura de Pastorello passa a ser encarada não como uma aposta partidária, mas como a única alternativa matemática viável para que Cáceres e região quebrem o jejum de mais de uma década sem deputado estadual.

TERCEIRA CADEIRA
Com a pretensão de fazer três cadeiras por quociente partidário e aventurar uma quarta na sobra, a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) conseguiu aglutinar 23 candidaturas, e o histórico dos candidatos dá uma ideia de quantos votos o eleitorado teria que canalizar para viabilizar essa terceira cadeira.
Na classificação da Federação, Pastorello faz parte do G2, grupo que agrega os candidatos a deputado estadual com maior chance de eleição, com exceção de Lúdio Cabral e Valdir Barranco, que integram o G1, para reeleição.
No G2 estão Pastorello, Edna Sampa e Henrique Lopes. Edna Sampaio concorreu ao cargo em 2022 e teve 16.488 votos, com a maior parte concentrada em Cuiabá.
Já o professor Henrique Lopes concorreu em 2018 e obteve 18.300 votos. Tentou novamente em 2022, atingindo 15.154 votos.
Outro que faz parte da Federação e volta à política, depois de um longo tempo afastado é o ex-prefeito de Rondonópolis Zé do Pátio. Na sua última eleição para Deputado Estadual, em 2014, Zé do Pátio teve 17.431 pelo Solidariedade. Agora concorre na Federação pelo PV.
Os números colocam os concorrentes à terceira vaga da Federação todos abaixo de 18 mil votos, os que é uma oportunidade ímpar para a região, quando outros partidos tem em seus quadros candidatos que historicamente passam de 30 mil votos.
Cáceres
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