Cáceres
Prefeita Eliene quita em 5 anos de gestão mais de R$ 60 milhões em dívidas herdadas
Cáceres
A prefeita de Cáceres, Eliene Liberato Dias, após um trabalho intenso de gestão, reorganização das contas públicas e muita responsabilidade fiscal, já quitou mais de R$ 60,5 milhões em dívidas herdadas de administrações anteriores, superando a marca inicialmente estimada de R$ 53 milhões.
O passivo incluía compromissos como empréstimos, parcelamentos previdenciários, dívidas com energia elétrica e fotovoltaica, financiamentos e precatórios, que comprometiam diretamente a capacidade de investimento do município. Segundo a prefeita, o cenário encontrado no início da gestão era desafiador, com sérias dificuldades financeiras.
“Não foi um caminho fácil. Assumimos a prefeitura com um grande volume de dívidas parceladas, que exigiu planejamento, controle rigoroso dos gastos e muito compromisso com o dinheiro público”, destacou Eliene.
Entre os principais débitos quitados estão o parcelamento do PreviCáceres (R$ 2,88 milhões), a dívida com energia elétrica (R$ 4,21 milhões), contrato com o INSS de 2019 (R$ 2,46 milhões) e financiamentos de ônibus escolares que, somados, ultrapassaram R$ 9,7 milhões pagos. Também foram liquidadas despesas como aquisição do Clubinho 2000 (R$ 1 milhão), pagamento de salários de professores interinos (R$ 1,08 milhão), elevação de nível de servidores (R$ 580 mil) e rescisões de cargos comissionados (R$ 785 mil).
Outro destaque é o pagamento de R$ 26,1 milhões em precatórios, realizados entre 2021 e 2025, com valores anuais que cresceram significativamente ao longo dos anos.
Além disso, o município também arcou com mais de R$ 9,1 milhões em juros, incluindo encargos de financiamentos como o Finisa, evidenciando o impacto financeiro herdado e a responsabilidade na quitação desses compromissos.
Mesmo diante desse cenário, a administração municipal conseguiu manter investimentos importantes em diversas áreas. Foram realizadas obras de infraestrutura, manutenção e recuperação de estradas, construção e reforma de escolas, pavimentação asfáltica, além de avanços na saúde, assistência social e na educação.
A prefeita ressaltou que o equilíbrio financeiro alcançado é reflexo de uma gestão responsável, que priorizou o pagamento de dívidas sem deixar de atender as demandas da população e garantir os direitos do funcionalismo público, que recebe em dia e tem respeitado o Plano de Cargos, Carreiras e Salários.
“Com responsabilidade e planejamento, conseguimos honrar compromissos do passado e, ao mesmo tempo, seguir trabalhando pelo desenvolvimento de Cáceres”, concluiu.
Apesar dos avanços, a gestão ainda mantém obrigações em andamento, como o financiamento da usina fotovoltaica, que possui saldo a pagar de aproximadamente R$ 12,4 milhões até o fim de 2026, além de precatórios futuros estimados em cerca de R$ 39,7 milhões.
Esdras Crepaldi / DRT 940 MT
Cáceres
Barreira do Limão – Mulher é presa com 28 ampolas de Mounjaro na fronteira entre MT e Bolívia

Um projeto que começou atendendo 20 pessoas privadas de liberdade hoje alcança mais de 220 reeducandos no Centro de Detenção Provisório Masculino de Cáceres. Os resultados vão além da remição de pena: melhora na escrita, desenvolvimento do senso crítico, ampliação do vocabulário e até redução de conflitos dentro da unidade prisional.
A experiência foi apresentada durante a capacitação Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição da Pena, promovida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) e a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT).
A pedagoga Janaína Cardoso Luiz, que coordena o projeto na unidade junto com a coordenadora Aline Aparecida Rocha, compartilhou os resultados durante capacitação realizada de forma virtual, pela plataforma Teams. Ela relatou que, no início, enfrentou barreiras significativas para levar livros até os reeducandos, inclusive dentro de raios dominados por facções. “A princípio, eu nunca tinha trabalhado nesse projeto de remição pela leitura do sistema prisional. É bem desafiador no primeiro momento, mas o trabalho foi feito com base na leitura, com o intuito de levar conhecimento e promover a reinserção pessoal e social”, disse Janaína.
Com o tempo, o projeto foi ganhando força. Hoje, a pedagoga entra na unidade uma vez por mês para conduzir rodas de conversa, acompanhar as produções escritas dos reeducandos e entender quais novas obras podem atender ao grupo, que já demonstra preferências literárias e tem acesso a dicionários para compreender palavras desconhecidas.
Os resultados foram analisados por meio das resenhas produzidas pelos próprios reeducandos. Segundo Janaína, ao longo do projeto os participantes demonstraram maior capacidade de reflexão sobre suas trajetórias de vida e passaram a reconhecer a leitura como um caminho de transformação. “Houve uma percepção do fortalecimento da redução de conflitos e melhora na convivência dentro do ambiente prisional”, afirmou.
Entre os relatos apresentados na palestra, estava o de um jovem de 23 anos, detento na unidade de Cáceres, que descreveu como os livros trouxeram conhecimento sobre culturas, línguas e histórias de grandes personalidades que marcaram o mundo, e como isso passou a ocupar sua mente de forma produtiva durante o tempo de reclusão. “Quem sabe, como eu falo, vão sair dali pensando em uma faculdade, em traçar novos caminhos”, disse Janaína ao encerrar sua apresentação.
Ação conjunta do Judiciário
A capacitação é uma realização do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT), da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Seduc-MT) e do Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/Sejus-MT). A coordenação está a cargo do juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, responsável pelo Eixo Práticas Educativas.
O evento tem como objetivos capacitar professores e pedagogos para a implementação de práticas de leitura no sistema prisional e alinhar as ações desenvolvidas no estado às diretrizes do Plano Nacional de Fomento à Leitura no Sistema Prisional e à Resolução CNJ nº 391/2021.
Roberta Penha / Foto: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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