Cáceres
Fazenda às margens do Rio Paraguai abriga sítio arqueológico e urnas indígenas
Cáceres
Urnas funerárias indígenas, vestígios de antigas populações e ruínas de uma das principais estruturas de produção de charque de Mato Grosso dividem o mesmo espaço às margens do Rio Paraguai. Localizada a cerca de 70 quilômetros de Cáceres (MT), a Fazenda Barranco Vermelho reúne diferentes períodos da história do Pantanal mato-grossense.
Dentro da propriedade está um sítio arqueológico catalogado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No local, foram identificadas urnas funerárias indígenas e outros vestígios relacionados às populações que habitaram a região desde o século XVIII.
A presença desses materiais transforma a fazenda em um elo entre a ocupação indígena, o desenvolvimento econômico de Mato Grosso e a atual atividade turística no Pantanal.

(Fazenda em Cáceres abriga sítio arqueológico e urnas indígenas. – Foto: odinei Crescêncio)
Fazenda foi referência na produção de charque
A história da fazenda Barranco Vermelho começou na década de 1940, quando foi fundada a Cooperativa Pastoril Barranco Vermelho Ltda. A iniciativa reuniu fazendeiros da região interessados em ampliar o escoamento e agregar valor à produção de carne bovina.
O charque era o principal produto fabricado no local. Depois de desidratada, a carne era transportada de barco pelo Rio Paraguai até Corumbá, em Mato Grosso do Sul. De lá, seguia de trem para os principais mercados consumidores do Nordeste brasileiro.
A estrutura instalada na fazenda incluía galpões, olaria, marcenaria, currais, locomóveis a vapor, caldeiras importadas da Inglaterra e uma pequena usina responsável pelo fornecimento de energia elétrica às operações
Além do charque, a propriedade produzia couro, farinha de osso e gordura bovina, materiais utilizados por indústrias e plantações de outras regiões do país.

(Fazenda em Cáceres abriga sítio arqueológico e urnas indígenas. – Foto: odinei Crescêncio)
Ruínas preservam memória da antiga cooperativa
Dificuldades financeiras e a valorização da comercialização do gado vivo afetaram as atividades da cooperativa. Posteriormente, a fazenda foi adquirida pelo empresário Natalino Rodrigues Fontes, que tentou modernizar a estrutura.
Apesar das mudanças, as atividades industriais foram encerradas em meados da década de 1960. Parte das construções, no entanto, permaneceu de pé.
Atualmente, galpões, ruínas e equipamentos antigos ajudam a preservar a memória do período em que a Barranco Vermelho teve papel importante na economia regional. Relatos de moradores e dos herdeiros da família Fontes também mantêm viva a história da propriedade.

(foto reprodução)
História e turismo no Pantanal
Hoje, o espaço funciona como Pousada Barranco Vermelho e recebe visitantes de diferentes regiões do Brasil e de outros países, principalmente durante a temporada de pesca.
Além de conhecer as construções históricas e a área arqueológica, os turistas podem realizar passeios de barco, observar a fauna e a flora pantaneiras, praticar pesca esportiva na modalidade pesque e solte e acompanhar o pôr do sol sobre o Rio Paraguai.
Por Primeira Página
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