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Curvelândia (MT): Tremor de magnitude 2,8 é registrado no município

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Cáceres

Por Maria Bahia/Diário do Estado

Tremor inesperado. Em Curvelândia (MT) — Um tremor de terra de magnitude 2,8 abalou o município de Curvelândia, situado a 281 km de Cuiabá, nessa terça-feira (30), confirmaram sismólogos do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com especialistas, o epicentro do tremor foi localizado nas coordenadas de longitude -57,74 e latitude -15,69. Esta localização confirma que o fenômeno ocorreu dentro do território do município de Curvelândia, provocando surpresa e preocupação entre os moradores locais.

Tremores como este, de magnitude 2,8, são classificados como de pequeno porte pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR). Embora comuns, a energia liberada por este tipo de abalo é considerada insuficiente para causar danos estruturais significativos, mas ainda assim pode ser percebida por pessoas nas proximidades do epicentro.

O que causa os tremores em Curvelândia?

A movimentação de placas tectônicas é a principal responsável pelos tremores registrados na região. Em Curvelândia, estes eventos sísmicos são esporádicos, mas não inéditos. O estado de Mato Grosso apresenta um histórico de atividade sísmica moderada. Como em todo evento sísmico, o temor entre os moradores está mais associado à surpresa do fenômeno do que aos danos.

A população local foi instruída a manter a calma e seguir as orientações das autoridades de defesa civil, que prontamente se mobilizaram para monitorar e avaliar os possíveis riscos de novos abalos. Não há relatos de feridos ou de qualquer dano às infraestruturas locais, o que traz um certo alívio às comunidades afetadas.

Entretanto, a equipe de jornalismo do Diário do Estado apurou que, embora eventos dessa natureza não sejam regulares na cidade, a população ainda não tem uma cultura de preparação para reagir diante de tremores de terra, algo que pode ser uma vantagem em outras regiões com maior frequência de abalos.

 

Como o poder público de Mato Grosso age nestas situações?

Segundo informações do Sistema de Defesa Civil de Mato Grosso, o órgão já havia implementado anteriormente um protocolo de reação rápida para emergências sísmicas, devido a eventos como esse. Estas medidas de precaução incluem treinamento para moradores, evacuação de áreas de risco e mobilização de unidades de saúde para atender potenciais vítimas.

A cidade de Curvelândia está, portanto, parcialmente preparada para enfrentar tais situações, embora as autoridades locais enfatizem a importância de campanhas educacionais que possam aumentar a conscientização e a resiliência da comunidade para casos futuros. A cidade nunca havia sido epicentro de um tremor desse porte, mesmo que considerado moderado.

Para a Redação do Diário do Estado, o caso destaca a vulnerabilidade das pequenas cidades frente a fenômenos naturais frequentemente ignorados em regiões mais urbanizadas. Desde o maior terremoto já registrado no Brasil, também em Mato Grosso, há uma crescente preocupação em melhorar as infraestruturas e a resposta a desastres naturais no estado.

O que os especialistas dizem sobre os tremores em Mato Grosso?

Especialistas em sismologia indicam que a maioria dos tremores no Mato Grosso, incluindo locais como Curvelândia, tem relação com a acomodação de terrenos e falhas geológicas menos conhecidas da região. Conforme o especialista em segurança pública consultado pela nossa redação, a maior parte desses abalos tende a ser moderada a leve.

Os sismólogos sugerem a instalação de mais estações de monitoramento para melhor compreender a atividade sísmica no estado. De acordo com dados do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília, existem registros frequentes de pequenos tremores na região Oeste do Brasil, mas ainda há muito o que estudar sobre as especificidades locais.

Parece improvável que um tremor dessa magnitude cause alterações significativas no cotidiano, mas a atenção continua voltada para eventuais repetição de eventos. A reação do poder público também será fundamental para moldar a resposta da população não apenas em Curvelândia, mas em todas as cidades vulneráveis do Mato Grosso.

A equipe do Diário do Estado segue acompanhando de perto os acontecimentos em Curvelândia, buscando novas informações junto aos sismólogos e às autoridades locais para garantir que a população esteja bem informada e preparada. Qualquer atualização relevante será prontamente comunicada ao público.

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Médico desiste de candidatura a deputado por problemas de saúde

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Estudo mostra que o eleitorado regional representa 9,3% de MT; vitória para estadual e federal exige chapa competitiva, redução da dispersão de votos e expansão para outros polos.

Por: Adriane Barbosa do Nascimento

A Região Oeste de Mato Grosso possui 245.705 eleitores distribuídos em 22 municípios. É um contingente expressivo, equivalente a aproximadamente 9,3% do eleitorado estadual. Diante desse número, uma pergunta se torna inevitável: a região tem força suficiente para eleger um deputado estadual e um deputado federal em 2026?

A resposta é positiva, mas exige uma explicação importante. No Brasil, deputados não são eleitos apenas pela quantidade individual de votos. Primeiro, é necessário que o partido ou a federação alcance votação suficiente para conquistar uma cadeira. Somente depois se verifica quais candidatos foram os mais votados dentro daquela chapa. Em outras palavras, não basta o candidato ter votos; sua legenda também precisa ser competitiva.

Para deputado estadual, Mato Grosso dispõe de 24 cadeiras. Pelas projeções baseadas no eleitorado atual e no comparecimento de 2024, o quociente eleitoral poderá ficar próximo de 80 mil votos. Isso não significa que todo candidato precise alcançar esse número individualmente. Significa que a federação deve construir uma votação estadual próxima ou superior a essa faixa para participar, com maior segurança, da distribuição das cadeiras.

Nesse cenário, uma candidatura estadual da Região Oeste seria competitiva com aproximadamente 28 mil a 35 mil votos, desde que a federação alcance algo próximo de 90 mil a 110 mil votos em Mato Grosso. A situação para deputado federal é mais difícil. Mato Grosso possui apenas oito cadeiras na Câmara dos Deputados, o que eleva consideravelmente o quociente eleitoral. A federação provavelmente precisará aproximar-se de 250 mil votos em todo o Estado para disputar uma cadeira em condições consistentes. O candidato regional, por sua vez, deveria buscar uma votação individual entre 50 mil e 65 mil votos.

Isso demonstra que a Região Oeste pode praticamente construir a base eleitoral de um deputado estadual, mas não consegue, sozinha, resolver a eleição de um deputado federal. A candidatura federal precisa partir da região com força — entre 30 mil e 38 mil votos — e ampliar sua presença em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e outros polos relevantes.

Também é importante compreender que as duas candidaturas não precisam dividir os eleitores regionais. A mesma pessoa pode votar em um candidato a deputado estadual e em outro a deputado federal. Uma dobradinha regional bem organizada permite que os dois recebam votos do mesmo eleitorado. O desafio está em apresentar candidaturas complementares, com identidade regional e capacidade de expansão estadual.

A força eleitoral da região está concentrada. Cáceres possui 62.365 eleitores e representa 25,39% do eleitorado regional. Somada a Pontes e Lacerda, Sapezal e Mirassol d’Oeste, essa participação chega a aproximadamente 56%. Os oito maiores municípios concentram mais de 76% dos eleitores. Isso mostra que uma estratégia regional precisa começar pelos maiores centros, mas não pode abandonar os municípios menores, onde uma presença organizada pode produzir resultados proporcionalmente relevantes.

Outro ponto merece atenção. Entre 2024 e 2026, a Região Oeste perdeu 688 eleitores, passando de 246.393 para 245.705. A redução é pequena, mas revela que o crescimento eleitoral não acontecerá automaticamente. A região precisará melhorar o comparecimento, reduzir a dispersão de votos e transformar identidade territorial em representação política efetiva.

Mais importante que perguntar quantos votos um candidato precisa ter é verificar três condições ao mesmo tempo: quantos votos a federação alcançará em Mato Grosso, qual será a posição do candidato regional dentro da chapa e quanto da votação obtida na região poderá ser ampliada para outras partes do Estado. A eleição depende do equilíbrio entre esses três fatores.

A Região Oeste possui eleitorado para exercer maior protagonismo político. O que ainda precisa construir é coordenação. Quando os votos se dispersam entre muitas candidaturas sem viabilidade de legenda, a região participa da eleição, mas não necessariamente conquista representação. Quando existe organização, chapa competitiva e um projeto territorial reconhecível, 245 mil eleitores deixam de ser apenas uma estatística e passam a constituir uma força política.

A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre nomes. Será também uma decisão sobre a capacidade da Região Oeste de transformar população, território e votos em presença efetiva na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Afinal, uma região politicamente representada não apenas reivindica: participa diretamente das decisões que definem investimentos, infraestrutura, saúde, produção e desenvolvimento.

Fonte de dados: BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados – 2024. Portal de Dados Abertos do TSE. Brasília, DF: Tribunal Superior Eleitoral, 2024. Disponível em: https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/resultados-2024. Acesso em: 2 ago. 2026.

Autora: Adriane do Nascimento é Advogada, Consultora Econômica e Doutoranda em Direito Constitucional pelo IDP. Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento, é registrada no CORECON-MT sob o nº 0001/ME. Especialista em Direito Tributário, Societário e Direito do Trabalho. É sócia-administradora da Sociedade de Advocacia Simões Santos, Nascimento & Associados. Foi consultora da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB (2022–2024) e é autora de artigos e obras acadêmicas voltadas à tributação, desenvolvimento econômico e políticas públicas. Recebeu o 1º lugar no XXIX Prêmio Brasil de Economia (2023) e o 3º lugar no XXX Prêmio Brasil de Economia (2024), promovidos pelo COFECON.

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