Cáceres
Com dois candidatos a deputado estadual, MDB de Cáceres, vai dividido para eleição presidencial
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Estudo mostra que o eleitorado regional representa 9,3% de MT; vitória para estadual e federal exige chapa competitiva, redução da dispersão de votos e expansão para outros polos.

Por: Adriane Barbosa do Nascimento
A Região Oeste de Mato Grosso possui 245.705 eleitores distribuídos em 22 municípios. É um contingente expressivo, equivalente a aproximadamente 9,3% do eleitorado estadual. Diante desse número, uma pergunta se torna inevitável: a região tem força suficiente para eleger um deputado estadual e um deputado federal em 2026?
A resposta é positiva, mas exige uma explicação importante. No Brasil, deputados não são eleitos apenas pela quantidade individual de votos. Primeiro, é necessário que o partido ou a federação alcance votação suficiente para conquistar uma cadeira. Somente depois se verifica quais candidatos foram os mais votados dentro daquela chapa. Em outras palavras, não basta o candidato ter votos; sua legenda também precisa ser competitiva.
Para deputado estadual, Mato Grosso dispõe de 24 cadeiras. Pelas projeções baseadas no eleitorado atual e no comparecimento de 2024, o quociente eleitoral poderá ficar próximo de 80 mil votos. Isso não significa que todo candidato precise alcançar esse número individualmente. Significa que a federação deve construir uma votação estadual próxima ou superior a essa faixa para participar, com maior segurança, da distribuição das cadeiras.
Nesse cenário, uma candidatura estadual da Região Oeste seria competitiva com aproximadamente 28 mil a 35 mil votos, desde que a federação alcance algo próximo de 90 mil a 110 mil votos em Mato Grosso. A situação para deputado federal é mais difícil. Mato Grosso possui apenas oito cadeiras na Câmara dos Deputados, o que eleva consideravelmente o quociente eleitoral. A federação provavelmente precisará aproximar-se de 250 mil votos em todo o Estado para disputar uma cadeira em condições consistentes. O candidato regional, por sua vez, deveria buscar uma votação individual entre 50 mil e 65 mil votos.
Isso demonstra que a Região Oeste pode praticamente construir a base eleitoral de um deputado estadual, mas não consegue, sozinha, resolver a eleição de um deputado federal. A candidatura federal precisa partir da região com força — entre 30 mil e 38 mil votos — e ampliar sua presença em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e outros polos relevantes.
Também é importante compreender que as duas candidaturas não precisam dividir os eleitores regionais. A mesma pessoa pode votar em um candidato a deputado estadual e em outro a deputado federal. Uma dobradinha regional bem organizada permite que os dois recebam votos do mesmo eleitorado. O desafio está em apresentar candidaturas complementares, com identidade regional e capacidade de expansão estadual.
A força eleitoral da região está concentrada. Cáceres possui 62.365 eleitores e representa 25,39% do eleitorado regional. Somada a Pontes e Lacerda, Sapezal e Mirassol d’Oeste, essa participação chega a aproximadamente 56%. Os oito maiores municípios concentram mais de 76% dos eleitores. Isso mostra que uma estratégia regional precisa começar pelos maiores centros, mas não pode abandonar os municípios menores, onde uma presença organizada pode produzir resultados proporcionalmente relevantes.
Outro ponto merece atenção. Entre 2024 e 2026, a Região Oeste perdeu 688 eleitores, passando de 246.393 para 245.705. A redução é pequena, mas revela que o crescimento eleitoral não acontecerá automaticamente. A região precisará melhorar o comparecimento, reduzir a dispersão de votos e transformar identidade territorial em representação política efetiva.
Mais importante que perguntar quantos votos um candidato precisa ter é verificar três condições ao mesmo tempo: quantos votos a federação alcançará em Mato Grosso, qual será a posição do candidato regional dentro da chapa e quanto da votação obtida na região poderá ser ampliada para outras partes do Estado. A eleição depende do equilíbrio entre esses três fatores.
A Região Oeste possui eleitorado para exercer maior protagonismo político. O que ainda precisa construir é coordenação. Quando os votos se dispersam entre muitas candidaturas sem viabilidade de legenda, a região participa da eleição, mas não necessariamente conquista representação. Quando existe organização, chapa competitiva e um projeto territorial reconhecível, 245 mil eleitores deixam de ser apenas uma estatística e passam a constituir uma força política.
A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre nomes. Será também uma decisão sobre a capacidade da Região Oeste de transformar população, território e votos em presença efetiva na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Afinal, uma região politicamente representada não apenas reivindica: participa diretamente das decisões que definem investimentos, infraestrutura, saúde, produção e desenvolvimento.
Fonte de dados: BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados – 2024. Portal de Dados Abertos do TSE. Brasília, DF: Tribunal Superior Eleitoral, 2024. Disponível em: https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/resultados-2024. Acesso em: 2 ago. 2026.
Autora: Adriane do Nascimento é Advogada, Consultora Econômica e Doutoranda em Direito Constitucional pelo IDP. Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento, é registrada no CORECON-MT sob o nº 0001/ME. Especialista em Direito Tributário, Societário e Direito do Trabalho. É sócia-administradora da Sociedade de Advocacia Simões Santos, Nascimento & Associados. Foi consultora da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB (2022–2024) e é autora de artigos e obras acadêmicas voltadas à tributação, desenvolvimento econômico e políticas públicas. Recebeu o 1º lugar no XXIX Prêmio Brasil de Economia (2023) e o 3º lugar no XXX Prêmio Brasil de Economia (2024), promovidos pelo COFECON.
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Prefeito de Vila Bela se manifesta após ambulância do município ser apreendida com drogas

O prefeito de Vila Bela da Santíssima Trindade, André Bringsken, se manifestou nesta quarta-feira (9) após uma ambulância pertencente ao município ser apreendida com vários fardos de drogas na região de fronteira com a Bolívia.
O veículo foi abordado pelo Grupo Especial de Fronteira (Gefron) durante uma ação na comunidade Ponta do Aterro, distrito de Santa Clara de Monte Cristo, em Vila Bela. Duas pessoas que estavam na ambulância foram presas.
Em um pronunciamento divulgado após tomar conhecimento do caso, o prefeito afirmou que a administração municipal repudia qualquer envolvimento com atividades ilícitas e que pretende colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.
“Fomos surpreendidos hoje pela manhã com a notícia, pela imprensa, de uma ambulância do município de Vila Bela da Santíssima Trindade apreendida com entorpecente. Nós repudiamos veementemente e confiamos que as autoridades policiais façam a investigação do ocorrido”, declarou André.
O prefeito também afirmou que, caso sejam identificados servidores ou outras pessoas ligadas ao município entre os envolvidos, serão adotadas medidas administrativas.
“Não coadunamos com o ilícito. Nós temos transparência e estaremos acompanhando o processo pelas autoridades policiais na investigação, ajudando no que for preciso, disponibilizando câmeras onde tiver, para que todo o fato seja rigorosamente apurado”, afirmou.
Ambulância seguia por estrada rural
Segundo o Gefron, os agentes receberam informações de que uma carga de drogas sairia de Vila Bela com destino a Pontes e Lacerda.
Durante o acompanhamento, os policiais perceberam que a ambulância estava seguindo por uma rota diferente da utilizada normalmente, passando por estradas rurais. O veículo foi abordado e os fardos encontrados no compartimento destinado ao transporte de pacientes.
O comandante do Gefron, tenente-coronel Airton Araújo, confirmou que a ambulância pertence à Prefeitura de Vila Bela e atende moradores da região, incluindo comunidades rurais próximas à Ponta do Aterro.
Ainda conforme o Gefron, a pessoa que dirigia o veículo no momento da abordagem não era o servidor escalado para conduzir a ambulância e não integra o quadro de servidores do município.
As duas pessoas encontradas no veículo foram presas e deverão ser encaminhadas para a delegacia. A identidade dos suspeitos e outros detalhes da ocorrência não foram divulgados.
A quantidade e o tipo de droga apreendida ainda serão identificados e pesados. O Gefron informou que parte das informações está sendo preservada porque a ocorrência poderá levar a novas investigações e à identificação de outros envolvidos.
Prefeito promete acompanhar investigação
Durante a manifestação, André Bringsken reforçou que a Prefeitura pretende manter contato com os órgãos responsáveis pela apuração, incluindo a Polícia Civil e o Gefron.
“Não podemos tolerar esse tipo de atitude. Então eu conto contigo na divulgação da verdade e nós estaremos em contato com as autoridades policiais, com a Polícia Civil, com o Gefron, para que todos os fatos sejam rigorosamente apurados”, afirmou.
Segundo o Gefron, quase 25 toneladas de drogas já foram apreendidas em 2026 pelas equipes que atuam na região de fronteira de Mato Grosso.
Até o momento, não há informação oficial que indique o envolvimento de servidores da Prefeitura no transporte da droga. A investigação deverá esclarecer como a ambulância foi utilizada e quem são os responsáveis pela carga.
Por: Página Press
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