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O Conselho Universitário (Consuni) da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) aprovou, nesta quinta-feira (22), os aspectos orçamentários e estruturais dos cursos do Programa Verticaliza Unemat. A decisão ocorreu na 2ª Sessão Extraordinária do Consuni de 2026. A proposta prevê 1.280 vagas em cursos superiores de tecnologia, distribuídas em 32 turmas de 40 estudantes, em 15 municípios para 2027.
A aprovação sucede a análise pedagógica realizada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conepe), em 7 de outubro. O programa articula a formação técnica de nível médio com a graduação tecnológica, permitindo o reconhecimento de estudos anteriores para que os estudantes avancem na formação superior.
Desenvolvida em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci-MT), a iniciativa prevê investimento de aproximadamente R$ 25,49 milhões oriundos da própria Secretaria. Os recursos serão destinados à oferta dos cursos, incluindo contratação de professores, produção de aulas, materiais, equipamentos e apoio à gestão acadêmica e administrativa.A construção do programa teve como marco o protocolo de intenções firmado entre a Unemat e a Seciteci-MT em 2023, voltado à cooperação em ensino, pesquisa, extensão, serviços técnico-científicos, desenvolvimento institucional e inovação. Desde então, as instituições discutiram a metodologia do Verticaliza, as inovações pedagógicas e as possibilidades de aproveitamento de conteúdos da formação técnica na graduação.
Ao longo desse processo, equipes dos câmpus da Unemat e da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação participaram diretamente da elaboração da Política Institucional e dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, submetidos à apreciação dos conselhos superiores neste mês de outubro.
Aproveitamento da formação técnica
O Verticaliza foi estruturado para atender egressos de cursos técnicos de Mato Grosso. O ingresso deverá ocorrer por processo seletivo específico, conforme as regras da política institucional aprovada pelo Conepe.
Segundo a pró-reitora de Ensino de Graduação, Nilce Maria da Silva, a seleção não exige necessariamente a aplicação de uma prova de vestibular. A Universidade pode adotar outras modalidades, como análise de histórico escolar ou chamada direta, desde que os critérios estejam previstos em edital. A conclusão do ensino técnico, portanto, não garante ingresso automático na graduação.
Esse reconhecimento depende da correspondência entre os estudos realizados e as exigências de cada projeto pedagógico. As horas aproveitadas integram a carga horária necessária à conclusão da graduação.
Conforme a organização apresentada, o percurso poderá variar de um a dois anos, de acordo com a carga horária do curso e os componentes reconhecidos. A proposta combina atividades presenciais, disciplinas a distância e atividades remotas, além de extensão e outros componentes previstos nos projetos pedagógicos.
Estrutura e financiamento
As atividades deverão utilizar a infraestrutura das Escolas Técnicas Estaduais, incluindo salas de aula e laboratórios. Conforme o diretor-geral da Fundação de Apoio ao Ensino Superior Estadual (Faespe), Gustavo Domingos Sakr Bisinoto, o planejamento considerou os espaços e equipamentos disponíveis, com previsão de complementações para atender às necessidades das graduações.
O diretor explicou que a proposta original da Unemat previa uma turma por oferta. A ampliação para duas turmas simultâneas, proposta pela Seciteci, exigiu ajustes no plano de trabalho, pois demanda equipes docentes distintas, entre outras adequações que repercutem na organização e nos custos do programa.
Para viabilizar o financiamento, estão previstos instrumentos de parceria entre a Seciteci e a Unemat e entre a Universidade e a Faespe. Na apresentação ao conselho, Bisinoto informou que o plano de trabalho estava finalizado e que a minuta do instrumento de parceria passava pelos últimos encaminhamentos.
Os professores deverão ser contratados mediante seleção. O orçamento também contempla a produção e a gravação de aulas, serviços e materiais necessários ao funcionamento dos cursos.
Instituição privada sem fins lucrativos criada em 1993, em Cáceres, a Faespe atua como fundação de apoio à Unemat, oferecendo suporte à execução de projetos, especialmente na gestão administrativa e financeira dos recursos.
Cursos e municípios
A pauta do Consuni reuniu 16 ofertas, correspondentes a oito cursos superiores de tecnologia:
Agrocomputação: Água Boa, Cuiabá e Lucas do Rio Verde;
Biocombustíveis: Sinop;
Estética e Cosmética: Barra do Garças e Cáceres;
Gestão do Agronegócio: Alta Floresta, Diamantino, Juara, Poxoréu, Primavera do Leste e Tangará da Serra;
Gestão Hospitalar: Cáceres;
Logística: Matupá;
Produção Têxtil: Campo Verde;
Segurança do Trabalho: Rondonópolis.
A proposta busca ampliar o acesso à graduação e aproximar a formação universitária das demandas regionais. Entre os resultados previstos estão o acompanhamento da permanência e da conclusão dos estudantes, da inserção profissional dos egressos e do desenvolvimento de projetos de extensão vinculados às comunidades atendidas.
FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de Comunicação – Unemat
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O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) reconheceu irregularidades relacionadas a possíveis conflitos de interesses na transferência da gestão do Hospital Regional Doutor Antônio Fontes, em Cáceres, a cerca de 220 km de Cuiabá, para a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (AGIR). A decisão aponta falhas na fiscalização e na prevenção de conflitos entre servidores públicos e a entidade contratada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). Apesar disso, o Tribunal afastou a responsabilidade individual de três envolvidos, não aplicou multas e manteve o contrato em vigor.
A investigação teve início após denúncia apresentada por Jean Peterson de Camargo, que questionou a participação de servidores públicos no processo de contratação da AGIR e a posterior ocupação de cargos na entidade responsável pela administração do hospital.
Um dos casos analisados foi o de Wellyngton Alessandro Dolce, ex-diretor do Hospital Regional de Cáceres. Ele participou da preparação do processo de contratação e coordenou a comissão responsável pela transferência da gestão para a AGIR. Após deixar a direção da unidade, em 2 de fevereiro de 2026, passou a atuar como diretor da entidade, sendo identificado nessa função em documentos oficiais de 5 de fevereiro.
Para o TCE, a mudança direta da função pública para um cargo de direção na organização contratada revelou falhas na prevenção de conflitos de interesses. Entretanto, não foram encontradas provas de favorecimento à AGIR, uso de informações privilegiadas ou negociação antecipada da contratação.
Outra situação envolveu o médico Iago Cunha Matos, que manteve vínculo com a SES-MT enquanto exercia o cargo de diretor técnico da AGIR. Segundo o processo, ele iniciou suas atividades na entidade em 28 de janeiro de 2026 e permaneceu na função pública até pelo menos 14 de maio.
A Secretaria havia registrado orientação para que o profissional não acumulasse as duas atividades. No entanto, não ficou comprovado que ele tenha sido formalmente comunicado ou praticado atos em benefício da AGIR enquanto trabalhava para o Estado.
A investigação também analisou a conduta do ex-secretário de Estado de Saúde Gilberto Gomes de Figueiredo, responsável por designações de servidores envolvidos na contratação e na transição da gestão hospitalar. O Tribunal concluiu que não havia provas de que ele soubesse antecipadamente da contratação de Wellyngton pela entidade ou tivesse cometido erro grave.
Apesar de reconhecer as irregularidades, o TCE afastou a responsabilização dos três envolvidos, por entender que não foram demonstradas violações de obrigações legais específicas que justificassem punições individuais.
O Tribunal também rejeitou os pedidos de anulação da seleção da AGIR, realização de novo processo de contratação e retomada da gestão do hospital pelo Estado, uma vez que não ficou comprovado direcionamento na escolha da entidade.
Na decisão, o TCE recomendou que a SES-MT estabeleça regras mais rígidas para prevenir conflitos de interesses, incluindo restrições à contratação de ex-servidores pelas entidades responsáveis pela gestão de hospitais públicos. Também determinou que o contrato do Hospital Regional de Cáceres seja incluído no planejamento de futuras fiscalizações.
Por: João Fraga/VGN
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