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Prefeitura de Sinop apresenta Casa de Acolhimento para Mulheres e Famílias em Situação de Violência

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A Prefeitura de Sinop apresentou, nesta segunda-feira (29), a Casa de Acolhimento para Mulheres e Famílias em Situação de Violência às instituições que atuam no âmbito da proteção de mulheres vítimas de violência. A residência – localizada em endereço sigiloso para garantir a segurança das vítimas – passa a compor a estrutura de proteção do município, oferecendo acolhimento temporário, acompanhamento psicossocial, atendimento jurídico e suporte para que mulheres vítimas de violência possam reconstruir suas vidas.

A apresentação reuniu representantes do Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil, Câmara de Vereadores, Conselho da Mulher, Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Instituto Renovada e demais órgãos parceiros que atuarão de forma integrada no encaminhamento e acompanhamento das mulheres acolhidas.

A secretária municipal de Assistência Social, Sinéia Abreu, destacou que a implantação da casa representa a concretização de um compromisso da gestão municipal com a proteção das mulheres. “Nossa maior missão é proteger a todos e, neste caso, as mulheres vítimas de violência. Esse é um sonho que hoje se realiza. É um compromisso do prefeito Roberto Dorner e do vice Paulinho, que nos cobraram essa atitude de implantar essa casa. Hoje temos uma ação muito concreta, construída com a Delegacia da Mulher, o Judiciário, a Procuradoria da Mulher e toda a Rede de Enfrentamento. A mulher não pode se sentir sozinha. Ela precisa denunciar, e nós estamos aqui para protegê-la”, afirmou.

Sinéia explicou que a casa funcionará em parceria com o Instituto Renovada e contará com acompanhamento permanente da equipe técnica do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS). “Aqui teremos assistentes sociais, psicólogos e também o apoio institucional de uma advogada, que vai orientar e capacitar essas mulheres para que consigam sair desse ciclo de violência”, acrescentou.

Encaminhamento à Casa de Acolhimento

A coordenadora do CREAS, Lindiely Melo, detalhou como funcionará o fluxo de atendimento. Segundo ela, após o registro da ocorrência e solicitação da medida protetiva na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, a equipe de plantão será acionada para providenciar imediatamente o acolhimento, inclusive durante a noite, fins de semana e feriados.

“Se for em horário noturno ou fora do expediente, essa mulher vem de imediato para a casa de acolhimento. No próximo dia útil, a equipe técnica do CREAS inicia o atendimento com psicóloga, assistente social e atendimento jurídico. Ela permanece na casa pelo tempo que for necessário, conforme a avaliação de cada caso”, explicou.

Lindiely também ressaltou que o endereço da unidade permanecerá em sigilo para preservar a integridade das acolhidas. “É um local sigiloso porque essas mulheres precisam ser protegidas. Inclusive, de tempos em tempos, é recomendado que esse espaço seja realocado dentro do município, em novo endereço, justamente para garantir essa segurança”, lembrou.

Atendimento em parceria com o Instituto Renovada

Parceiro da Prefeitura na administração da Casa, o Instituto Renovada será responsável pelo acolhimento cotidiano das mulheres encaminhadas pelos órgãos da rede. Segundo o presidente da instituição, pastor Herleans Martins, o trabalho será pautado pelo cuidado humanizado.

“O Instituto existe em Sinop desde 2016 e nasceu para servir. Aceitamos esse desafio porque essa é a nossa missão. Essas mulheres serão muito bem atendidas aqui. Nossa função será servi-las com carinho, respeito e humanidade. Elas vão encontrar aqui um ambiente de amor”, garantiu Martins.

O pastor ainda falou sobre a importância desse apoio, estrutural e emocional, em momentos de tamanha fragilidade. “A nossa função aqui vai ser servi-las, dando o carinho, prestando o serviço do dia a dia, dando humanidade, respeito. Estaremos com braços estendidos para acolher essas mulheres chegam aqui frustradas, decepcionadas, abatidas, feridas na alma. Teremos psicólogos, teremos gente para acolher aqui e para dizer, ‘olha, vocês são amadas’, essa é a nossa função”, assegurou.

Avanço significativo na defesa da mulher

A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Professora Branca, ressaltou que a nova estrutura completa o complexo de atendimento às vítimas de violência no município. “Esse é um local adequado, protegido e preparado para acolher essas mulheres. Nós gostaríamos de não precisar acolher ninguém, mas aquelas que necessitarem terão todo o apoio para reconstruir suas vidas”, declarou.

A delegada titular da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Renata Evangelista, destacou que a unidade atende a uma antiga necessidade da rede de proteção. “Sempre tivemos essa demanda de para onde encaminhar essa mulher após o atendimento policial. Antes havia um espaço provisório, em um hotel, mas agora temos um serviço institucionalizado, integrado à rede, que permitirá oferecer acompanhamento psicológico e social para que essa mulher consiga romper o ciclo da violência. É a realização de um sonho”, avaliou.

Para a juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar, Rosângela Zacarkim, a casa representa a peça que faltava para completar a estrutura de atendimento às vítimas no município. “Hoje é um dia de vitória. A casa de acolhimento era a peça que faltava nesse grande tabuleiro da rede de enfrentamento. Muitas mulheres chegavam vulneráveis, com seus filhos, sem ter para onde ir. Hoje encontramos uma estrutura que superou as expectativas, com equipe multidisciplinar para ajudá-las a se recompor, se capacitar e retomar suas vidas”, comemorou.

A presidente da Rede de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, Eliane dos Santos, lembrou que a implantação do espaço atende a uma demanda histórica das instituições que atuam na proteção das vítimas. “Esse acolhimento era algo que almejávamos há muito tempo. Era uma lacuna dentro do nosso fluxograma e hoje conseguimos preenchê-la. Agora a rede consegue cumprir integralmente aquilo que a legislação prevê. São mais de 30 instituições unidas para garantir essa proteção”, apontou.

Representando a Procuradoria da Mulher da Câmara de Vereadores, Jaqueline Juelg destacou que a inauguração fortalece ainda mais a atuação conjunta das instituições. “Hoje é um momento de felicidade para todos que integram a rede de enfrentamento. Sinop já possui uma rede muito bem estruturada e o que faltava era justamente esse espaço de acolhimento. Agora fechamos esse ciclo com um atendimento completo às mulheres em situação de violência”, pontuou.

A presidente do Conselho da Mulher, Janethe Barreto, também comemorou a entrega da unidade. “Era um anseio do Conselho da Mulher ver essa casa concretizada. É um espaço que vai acolher, com técnica e com amor, mulheres em situação de vulnerabilidade e também seus filhos, quando necessário. Nós estaremos juntos apoiando esse trabalho”, garantiu.

O diretor técnico da Secretaria de Assistência Social, Juliano Heberle, afirmou que a implantação da casa representa o cumprimento de uma das prioridades estabelecidas pela administração municipal. “Hoje cumprimos a missão dada pelo prefeito Roberto Dorner, pelo vice Paulinho e pela secretária Sinéia: levar dignidade para a mulher, principalmente para aquela que enfrenta esse momento de violência. A casa segue o que preconiza a Política de Assistência Social e reafirma o compromisso de Sinop com a proteção das mulheres”, concluiu.

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Médico desiste de candidatura a deputado por problemas de saúde

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Estudo mostra que o eleitorado regional representa 9,3% de MT; vitória para estadual e federal exige chapa competitiva, redução da dispersão de votos e expansão para outros polos.

Por: Adriane Barbosa do Nascimento

A Região Oeste de Mato Grosso possui 245.705 eleitores distribuídos em 22 municípios. É um contingente expressivo, equivalente a aproximadamente 9,3% do eleitorado estadual. Diante desse número, uma pergunta se torna inevitável: a região tem força suficiente para eleger um deputado estadual e um deputado federal em 2026?

A resposta é positiva, mas exige uma explicação importante. No Brasil, deputados não são eleitos apenas pela quantidade individual de votos. Primeiro, é necessário que o partido ou a federação alcance votação suficiente para conquistar uma cadeira. Somente depois se verifica quais candidatos foram os mais votados dentro daquela chapa. Em outras palavras, não basta o candidato ter votos; sua legenda também precisa ser competitiva.

Para deputado estadual, Mato Grosso dispõe de 24 cadeiras. Pelas projeções baseadas no eleitorado atual e no comparecimento de 2024, o quociente eleitoral poderá ficar próximo de 80 mil votos. Isso não significa que todo candidato precise alcançar esse número individualmente. Significa que a federação deve construir uma votação estadual próxima ou superior a essa faixa para participar, com maior segurança, da distribuição das cadeiras.

Nesse cenário, uma candidatura estadual da Região Oeste seria competitiva com aproximadamente 28 mil a 35 mil votos, desde que a federação alcance algo próximo de 90 mil a 110 mil votos em Mato Grosso. A situação para deputado federal é mais difícil. Mato Grosso possui apenas oito cadeiras na Câmara dos Deputados, o que eleva consideravelmente o quociente eleitoral. A federação provavelmente precisará aproximar-se de 250 mil votos em todo o Estado para disputar uma cadeira em condições consistentes. O candidato regional, por sua vez, deveria buscar uma votação individual entre 50 mil e 65 mil votos.

Isso demonstra que a Região Oeste pode praticamente construir a base eleitoral de um deputado estadual, mas não consegue, sozinha, resolver a eleição de um deputado federal. A candidatura federal precisa partir da região com força — entre 30 mil e 38 mil votos — e ampliar sua presença em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e outros polos relevantes.

Também é importante compreender que as duas candidaturas não precisam dividir os eleitores regionais. A mesma pessoa pode votar em um candidato a deputado estadual e em outro a deputado federal. Uma dobradinha regional bem organizada permite que os dois recebam votos do mesmo eleitorado. O desafio está em apresentar candidaturas complementares, com identidade regional e capacidade de expansão estadual.

A força eleitoral da região está concentrada. Cáceres possui 62.365 eleitores e representa 25,39% do eleitorado regional. Somada a Pontes e Lacerda, Sapezal e Mirassol d’Oeste, essa participação chega a aproximadamente 56%. Os oito maiores municípios concentram mais de 76% dos eleitores. Isso mostra que uma estratégia regional precisa começar pelos maiores centros, mas não pode abandonar os municípios menores, onde uma presença organizada pode produzir resultados proporcionalmente relevantes.

Outro ponto merece atenção. Entre 2024 e 2026, a Região Oeste perdeu 688 eleitores, passando de 246.393 para 245.705. A redução é pequena, mas revela que o crescimento eleitoral não acontecerá automaticamente. A região precisará melhorar o comparecimento, reduzir a dispersão de votos e transformar identidade territorial em representação política efetiva.

Mais importante que perguntar quantos votos um candidato precisa ter é verificar três condições ao mesmo tempo: quantos votos a federação alcançará em Mato Grosso, qual será a posição do candidato regional dentro da chapa e quanto da votação obtida na região poderá ser ampliada para outras partes do Estado. A eleição depende do equilíbrio entre esses três fatores.

A Região Oeste possui eleitorado para exercer maior protagonismo político. O que ainda precisa construir é coordenação. Quando os votos se dispersam entre muitas candidaturas sem viabilidade de legenda, a região participa da eleição, mas não necessariamente conquista representação. Quando existe organização, chapa competitiva e um projeto territorial reconhecível, 245 mil eleitores deixam de ser apenas uma estatística e passam a constituir uma força política.

A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre nomes. Será também uma decisão sobre a capacidade da Região Oeste de transformar população, território e votos em presença efetiva na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Afinal, uma região politicamente representada não apenas reivindica: participa diretamente das decisões que definem investimentos, infraestrutura, saúde, produção e desenvolvimento.

Fonte de dados: BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados – 2024. Portal de Dados Abertos do TSE. Brasília, DF: Tribunal Superior Eleitoral, 2024. Disponível em: https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/resultados-2024. Acesso em: 2 ago. 2026.

Autora: Adriane do Nascimento é Advogada, Consultora Econômica e Doutoranda em Direito Constitucional pelo IDP. Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento, é registrada no CORECON-MT sob o nº 0001/ME. Especialista em Direito Tributário, Societário e Direito do Trabalho. É sócia-administradora da Sociedade de Advocacia Simões Santos, Nascimento & Associados. Foi consultora da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB (2022–2024) e é autora de artigos e obras acadêmicas voltadas à tributação, desenvolvimento econômico e políticas públicas. Recebeu o 1º lugar no XXIX Prêmio Brasil de Economia (2023) e o 3º lugar no XXX Prêmio Brasil de Economia (2024), promovidos pelo COFECON.

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