Cultura
Cinemato, em Cuiabá, discute migrações e mudanças climáticas
Cultura
Começa nesta segunda- (29) o “Cinemato”, Festival de Cinema de Cuiabá, que chega à edição de número 23. A programação gratuita apresenta 67 produções nacionais de 17 estados. 

O Cinemato chega este ano com um tema bastante atual: a questão das migrações e mudanças climáticas. Ao longo desta semana, até o próximo domingo 5 de julho, o Teatro Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso exibe as produções audiovisuais que falam sobre os impactos das transformações no planeta – causados ou intensificados pela ação humana – que têm levado ao deslocamento de populações. Luiz Borges, curador e idealizador do festival, comenta o papel do cinema enquanto ferramenta para compreender o mundo.
“Através dos filmes, das imagens e dos sons, busca uma reflexão para compreender melhor a realidade desses povos, que hoje se deslocam no mundo, em busca de recursos naturais, água, alimentação. Fugindo das guerras híbridas e também por conta dos desastres ambientais, a exemplo do terremoto que aconteceu na Venezuela”.
Mostra competitiva
A mostra competitiva traz sete longas-metragens. Entre eles, o documentário “Dentre Nordeste e Sudeste”, de Andrea Mendonça, que narra as histórias de nordestinos que foram morar em São Paulo e os desafios enfrentados por eles, como o preconceito e a distância da família. Já a competição de curtas reúne 15 produções, como o documentário de Daniel Calil e Renato Ogata, “Entre cinzas”, que retrata os incêndios florestais criminosos no país e acompanha o líder de uma brigada voluntária.
Entre as participações confirmadas está a da atriz e diretora paraense, Dira Paes, que dá nome a um prêmio do festival que reconhece mulheres do audiovisual brasileiro em trabalhos relacionados à questão ambiental e aos direitos das mulheres.
O homenageado desta edição é o cineasta, ator e dramaturgo, Amauri Tangará, que dialoga com o tema do festival: ele nasceu no Paraná e migrou para Mato Grosso. A obra audiovisual de Tangará levou as paisagens do Pantanal, do Cerrado e da Amazônia para as telas mundo afora.
Além das mostras competitivas, o festival também oferece oficinas gratuitas e sessões voltadas para estudantes de Cuiabá, com o objetivo de formar público.
Detalhes da programação no site festivalcinemato.com.br
Cultura
Museu das Amazônias, em Belém, reabre trazendo a diversidade da região
Depois de sete meses fechado, o Museu das Amazônias reabriu nesta quarta-feira (4), em Belém, com duas exposições gratuitas. O espaço, que fica no Complexo Porto Futuro, foi inaugurado em outubro do ano passado, como parte do legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi sediada na capital paraense.

A diversidade amazônica é o tema da mostra “Amazônias no Plural”, que ocupa o térreo do museu. O percurso da exposição acompanha o corpo de uma serpente em seis ambientes que retratam o surgimento do território, e a relação entre passado, presente e futuro. Entre as obras está a instalação “Diversidade como Essência” da artista visual Roberta Carvalho. Ela conta que o trabalho entrelaça natureza e seres humanos.
“É uma instalação imersiva em 360 graus onde você tem projeções que são realizadas nas paredes e no piso. Ao centro dessa instalação você tem um móvel de Miritim. Você tem ali um vídeo que conta essa história desde o momento em que um grande asteroide atinge a Terra, passando pela formação desse terreno, contando a história da nossa diversidade de espécies, mostrando muitas imagens de povos, de florestas, de cidade”.
Uma das curadoras da exposição, Joice Ferreira, comenta o processo de escuta que resultou na celebração do território amazônico e de todos os seus povos.
“Houve um processo de escuta com diferentes organizações e representantes de vários países amazônicos, não foi apenas do Brasil, para identificar quais são as histórias que mereciam ser contadas, a perspectiva, como deveria ser o museu. Então foi todo um processo muito importante de escuta para trazer realmente esse olhar e a perspectiva amazônica”.
O artista marajoara Ronaldo Guedes criou um painel que se conecta com a memória e a ancestralidade da cerâmica de outra região do Pará, a Ilha do Marajó.
“Essa obra é muito da cosmologia indígena, que é a cobra-canoa que traz a argila e distribui nas comunidades para que os indígenas pudessem produzir cerâmica. São vários fragmentos que vão se juntando que eu dediquei de fato a todas as pessoas que vieram antes de mim, que produziram cerâmica”.
Além da mostra de longa duração, também foi inaugurada a exposição temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, com imagens que denunciam a crise climática. O curador Eder Chiodetto destaca os trabalhos dos fotodocumentaristas.
“A gente consegue fazer um contraponto entre a pulsão de vida e a pulsão de morte no Pantanal, ilustrada pelas imagens do universo subaquático feitas pelo Luciano, que mostram a magnitude da potência de vida do Pantanal, em contraponto aos incêndios criminosos que assolam o território, pra gente criar uma consciência a partir dessa fricção”.
O Museu das Amazônias fica aberto de quinta a terça-feira, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
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