Cidades
Sérgio Machnic reforça união regional em defesa da duplicação da BR-070 durante audiência pública em Primavera do Leste
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A defesa da duplicação da BR-070 ganhou força nesta quinta-feira (18), durante audiência pública realizada em Primavera do Leste, reunindo autoridades federais, estaduais e municipais, representantes do setor produtivo e lideranças da sociedade civil em torno de uma das principais demandas de infraestrutura de Mato Grosso.
Anfitrião do encontro, o prefeito Sérgio Machnic destacou a importância da mobilização conjunta para garantir que a obra avance e acompanhe o crescimento econômico da região, especialmente diante da expansão logística impulsionada pelos novos investimentos em transporte e escoamento da produção.
Segundo o prefeito, a discussão se torna ainda mais relevante diante da inauguração do terminal ferroviário da Rumo, prevista para o próximo sábado (20), a cerca de 25 quilômetros da área urbana de Primavera do Leste.
“A expectativa é de que mais de 1.200 caminhões passem a utilizar diariamente a BR-070, ampliando a necessidade de investimentos que garantam maior fluidez e segurança ao tráfego”, ressaltou Machnic.
O gestor municipal também reconheceu o trabalho desenvolvido pelo senador Wellington Fagundes na condução das articulações junto ao Governo Federal e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), consideradas fundamentais para manter o projeto em andamento.
Segundo Sérgio Machnic, a atuação do parlamentar “tem sido decisiva para manter o projeto em pauta e garantir que os estudos avancem dentro dos órgãos responsáveis”.
A audiência ocorreu no auditório do SEST/SENAT e contou com a presença da vice-prefeita Iva Viana, do senador Wellington Fagundes, vereadores, do secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo Padeiro, dos prefeitos de Campo Verde, General Carneiro e Poxoréu, além de empresários, produtores rurais, representantes de entidades e autoridades militares.
O senador Wellington Fagundes, integrante da Frente Parlamentar de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), apresentou os avanços obtidos nas tratativas junto ao Governo Federal e ao DNIT para viabilizar a duplicação da rodovia, considerada estratégica para a segurança viária e para o desenvolvimento econômico de Mato Grosso.
Durante sua participação, o parlamentar destacou que a modernização da BR-070 é uma necessidade urgente diante do crescimento registrado no Estado.
“O desenvolvimento precisa caminhar junto com a segurança e o planejamento. Não podemos permitir que uma rodovia tão importante para a economia continue enfrentando limitações diante do crescimento que Mato Grosso vem registrando”, afirmou.
Entre os principais avanços apresentados durante a audiência está a contratação, pelo DNIT, do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), etapa considerada fundamental para a consolidação do projeto de duplicação.
Segundo Wellington Fagundes, a próxima fase será a elaboração dos projetos executivos, condição necessária para que a obra possa ser incluída entre as prioridades nacionais de infraestrutura e receba os investimentos necessários para sua execução.
O senador também enfatizou que o sucesso da iniciativa depende da união entre os municípios, o setor produtivo, os governos estadual e federal e a sociedade civil organizada.
“Estamos construindo um movimento regional forte, que demonstra a importância dessa obra para Mato Grosso e para o Brasil. Nosso compromisso é continuar trabalhando para que a duplicação da BR-070 deixe de ser apenas uma reivindicação e se transforme em realidade”, destacou.
Carta de Primavera
Como resultado da audiência pública, foi assinada a chamada “Carta de Primavera”, documento elaborado de forma conjunta pelo senador Wellington Fagundes e pelo prefeito Sérgio Machnic, com a adesão das autoridades e lideranças presentes.
O documento reúne as principais reivindicações da região e será encaminhado ao Governo Federal como manifestação formal em defesa da priorização da duplicação da BR-070, reforçando a necessidade de acelerar os estudos, garantir recursos e estabelecer um cronograma capaz de transformar a obra em realidade.
Ao longo do encontro, especialistas e convidados também participaram por videoconferência, contribuindo com análises técnicas sobre os impactos econômicos, logísticos e sociais da duplicação da rodovia.
A audiência consolidou mais um importante passo na construção de uma agenda regional voltada ao fortalecimento da infraestrutura, da segurança viária e da competitividade econômica de Mato Grosso, unindo lideranças políticas, setor produtivo e sociedade em torno de uma demanda considerada estratégica para o futuro do Estado.
Cáceres
Médico desiste de candidatura a deputado por problemas de saúde
Estudo mostra que o eleitorado regional representa 9,3% de MT; vitória para estadual e federal exige chapa competitiva, redução da dispersão de votos e expansão para outros polos.

Por: Adriane Barbosa do Nascimento
A Região Oeste de Mato Grosso possui 245.705 eleitores distribuídos em 22 municípios. É um contingente expressivo, equivalente a aproximadamente 9,3% do eleitorado estadual. Diante desse número, uma pergunta se torna inevitável: a região tem força suficiente para eleger um deputado estadual e um deputado federal em 2026?
A resposta é positiva, mas exige uma explicação importante. No Brasil, deputados não são eleitos apenas pela quantidade individual de votos. Primeiro, é necessário que o partido ou a federação alcance votação suficiente para conquistar uma cadeira. Somente depois se verifica quais candidatos foram os mais votados dentro daquela chapa. Em outras palavras, não basta o candidato ter votos; sua legenda também precisa ser competitiva.
Para deputado estadual, Mato Grosso dispõe de 24 cadeiras. Pelas projeções baseadas no eleitorado atual e no comparecimento de 2024, o quociente eleitoral poderá ficar próximo de 80 mil votos. Isso não significa que todo candidato precise alcançar esse número individualmente. Significa que a federação deve construir uma votação estadual próxima ou superior a essa faixa para participar, com maior segurança, da distribuição das cadeiras.
Nesse cenário, uma candidatura estadual da Região Oeste seria competitiva com aproximadamente 28 mil a 35 mil votos, desde que a federação alcance algo próximo de 90 mil a 110 mil votos em Mato Grosso. A situação para deputado federal é mais difícil. Mato Grosso possui apenas oito cadeiras na Câmara dos Deputados, o que eleva consideravelmente o quociente eleitoral. A federação provavelmente precisará aproximar-se de 250 mil votos em todo o Estado para disputar uma cadeira em condições consistentes. O candidato regional, por sua vez, deveria buscar uma votação individual entre 50 mil e 65 mil votos.
Isso demonstra que a Região Oeste pode praticamente construir a base eleitoral de um deputado estadual, mas não consegue, sozinha, resolver a eleição de um deputado federal. A candidatura federal precisa partir da região com força — entre 30 mil e 38 mil votos — e ampliar sua presença em Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis e outros polos relevantes.
Também é importante compreender que as duas candidaturas não precisam dividir os eleitores regionais. A mesma pessoa pode votar em um candidato a deputado estadual e em outro a deputado federal. Uma dobradinha regional bem organizada permite que os dois recebam votos do mesmo eleitorado. O desafio está em apresentar candidaturas complementares, com identidade regional e capacidade de expansão estadual.
A força eleitoral da região está concentrada. Cáceres possui 62.365 eleitores e representa 25,39% do eleitorado regional. Somada a Pontes e Lacerda, Sapezal e Mirassol d’Oeste, essa participação chega a aproximadamente 56%. Os oito maiores municípios concentram mais de 76% dos eleitores. Isso mostra que uma estratégia regional precisa começar pelos maiores centros, mas não pode abandonar os municípios menores, onde uma presença organizada pode produzir resultados proporcionalmente relevantes.
Outro ponto merece atenção. Entre 2024 e 2026, a Região Oeste perdeu 688 eleitores, passando de 246.393 para 245.705. A redução é pequena, mas revela que o crescimento eleitoral não acontecerá automaticamente. A região precisará melhorar o comparecimento, reduzir a dispersão de votos e transformar identidade territorial em representação política efetiva.
Mais importante que perguntar quantos votos um candidato precisa ter é verificar três condições ao mesmo tempo: quantos votos a federação alcançará em Mato Grosso, qual será a posição do candidato regional dentro da chapa e quanto da votação obtida na região poderá ser ampliada para outras partes do Estado. A eleição depende do equilíbrio entre esses três fatores.
A Região Oeste possui eleitorado para exercer maior protagonismo político. O que ainda precisa construir é coordenação. Quando os votos se dispersam entre muitas candidaturas sem viabilidade de legenda, a região participa da eleição, mas não necessariamente conquista representação. Quando existe organização, chapa competitiva e um projeto territorial reconhecível, 245 mil eleitores deixam de ser apenas uma estatística e passam a constituir uma força política.
A eleição de 2026, portanto, não será apenas uma disputa entre nomes. Será também uma decisão sobre a capacidade da Região Oeste de transformar população, território e votos em presença efetiva na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados. Afinal, uma região politicamente representada não apenas reivindica: participa diretamente das decisões que definem investimentos, infraestrutura, saúde, produção e desenvolvimento.
Fonte de dados: BRASIL. Tribunal Superior Eleitoral. Resultados – 2024. Portal de Dados Abertos do TSE. Brasília, DF: Tribunal Superior Eleitoral, 2024. Disponível em: https://dadosabertos.tse.jus.br/dataset/resultados-2024. Acesso em: 2 ago. 2026.
Autora: Adriane do Nascimento é Advogada, Consultora Econômica e Doutoranda em Direito Constitucional pelo IDP. Mestra em Economia, Políticas Públicas e Desenvolvimento, é registrada no CORECON-MT sob o nº 0001/ME. Especialista em Direito Tributário, Societário e Direito do Trabalho. É sócia-administradora da Sociedade de Advocacia Simões Santos, Nascimento & Associados. Foi consultora da Comissão Especial de Direito Tributário do Conselho Federal da OAB (2022–2024) e é autora de artigos e obras acadêmicas voltadas à tributação, desenvolvimento econômico e políticas públicas. Recebeu o 1º lugar no XXIX Prêmio Brasil de Economia (2023) e o 3º lugar no XXX Prêmio Brasil de Economia (2024), promovidos pelo COFECON.
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