Saúde
Uso excessivo de telas prejudica criatividade nas brincadeiras
Saúde
Do que você mais gostava de brincar quando era criança? As lembranças da infância trazem nostalgia para a auxiliar de limpeza Hozana da Silva, que recorda nitidamente suas brincadeiras favoritas.

“É aproveitar muitas coisas assim. Na rua brincava de pique-bandeira, pique-esconde, jogar bola, queimada. Tudo isso eu aproveitei. Eu não vejo crianças brincando mais. Eu vejo as crianças muito sentadas com a mãe, com o celular na mão”.
O relato da Hozana revela como o ato de brincar se transformou ao longo do tempo. Celebrado em 28 de maio, o Dia Mundial do Brincar destaca a importância da conexão e do desenvolvimento na infância evidencia a metamorfose nas formas de diversão. A presença digital ganhou terreno no mundo real, e as brincadeiras ditas tradicionais tiveram que coexistir com as telas.
A terapeuta ocupacional da Universidade de São Paulo, Amanda Sposito, comenta como as famílias administram o tempo dedicado ao brincar atualmente.
“Hoje em dia, a gente tem crianças que estão muito presas dentro de casa, porque a gente vive uma situação de insegurança e de perigo nas ruas. E, ao mesmo tempo, dentro de casa, as famílias estão menores e os pais e mães trabalhando muito mais. Então, a gente não tem mais pessoas que desenvolvam o brincar com essas crianças na frequência que era há uma geração atrás. As famílias acabam delegando muito mesmo pras telas ocupar o tempo dessas crianças que estão ociosas e entediadas em casa”.
Amanda é orientadora do estudo “Tecnologias digitais moldam o novo brincar infantil”. Ao avaliar as atividades de 14 crianças, foi constatado que o uso excessivo das telas provoca um ciclo vicioso de perda progressiva da criatividade para brincar ativamente.
“As próprias crianças dizem que têm muita dificuldade de pensar em brincadeiras possíveis de serem feitas quando elas estão fora da tela. Então elas estão cada vez mais dependentes de ter um adulto conduzindo, um adulto propondo as atividades. Seja uma mãe, uma tia, um professor ou um monitor. Então, quanto mais as crianças ficam imersas em tela, menos criatividade elas têm, menos coisas elas conseguem fazer na vida real e isso joga elas de novo pras telas para ocupar o ócio e o tédio”.
Saúde física e mental
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam limites de tempo específicos de exposição das crianças às telas, que variam conforme a faixa etária.
A orientação é baseada nos efeitos negativos que o uso excessivo provoca tanto no comportamento quanto na saúde física e mental, como interferência no desenvolvimento cognitivo, problemas emocionais, doenças oculares, auditivas e ortopédicas, cyberbullying, entre outras.
A recomendação é que os aparelhos não ocupem o tempo de atividades básicas, como a alimentação ou o sono, para que a criança não se torne dependente dos equipamentos. Além do tempo de tela, é preciso cuidado com o conteúdo acessado pelos menores, que pode ser inapropriado e prejudicial.
Atualmente, há aplicativos de controle parental que dão aos pais a possibilidade de observar o conteúdo consumido pelos filhos e bloquear o acesso a determinadas funções. A lojista Edilaine Ferreira adota essa prática para limitar o tempo da filha no celular.
“Eu costumo deixar entre um hora e meia a duas horas que ela tem tempo de tela depois da escola. Brincando com as amigas, jogando. Tudo que ela quiser dentro desse tempo. Eu acompanho muito ela assim no celular, a tela para ver o que ela tá vendo. Porque a gente já passou por situações de aparecer cenas sexuais. Então assim, eu limito muito”.
Uso responsável de telas
Para ela, o ideal não é impedir a utilização da tecnologia, mas administrá-la de forma responsável. Um exemplo que associa o bom uso das telas ao entretenimento é o projeto social Gaming Park, que atende crianças de oito a 17 anos na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, e em Vitória, no Espírito Santo.
Criada em 2022, a iniciativa une o ensino multidisciplinar com a narrativa e aspectos técnicos dos videogames. O projeto realiza ações solidárias nas comunidades, além de fornecer orientações profissionais e planos de carreira no mundo dos esportes eletrônicos.
A coordenadora técnica do Gaming Park, Dara Coema, explica que é preciso orientar os pais e responsáveis sobre os cuidados com as mídias. Mas que não devemos ignorar o potencial da tecnologia para a educação.
“Nós vemos casos no projeto em que os jogos são ponte para a sociabilidade entre jovens e também, para além dos jogos educativos, que já são ferramentas mais reconhecidas, os jogos também são objetos de cultura que podem contar histórias, podem levantar discussões, podem conscientizar. Quando a gente fala, por exemplo, no competitivo, os jogos podem ser meios para passar valores relacionados ao trabalho em equipe, comunicação. É tudo uma questão de consumo crítico e contextualizado.
Educação midiática
Segundo ela, para que haja equilíbrio no uso das telas e das plataformas online, é necessário letramento digital e educação midiática para a sociedade de maneira geral.
“Para as crianças, isso significa dar o caminho das pedras desde cedo, pra gente criar cidadãos do digital que tenham consciência e poder sobre suas escolhas. Direcionar o conteúdo que eles vão consumir, mas também fazê-los entenderem por que aquele conteúdo é ou não interessante, né? Sobre entender o que é um algoritmo e as armadilhas ali. Falar sobre compartilhamento de dados, conversar sobre fake news. Então, é muito sobre conscientização de todos.
Dara Coema afirma que a responsabilização sobre o uso das telas também deve recair sobre as empresas administradoras das plataformas, que precisam ser fiscalizadas para não estimular o uso excessivo dos aparelhos.
*Sob supervisão de Fábio Cardoso.
Saúde
Acelera Mais Várzea Grande supera expectativas e realiza mais de 3,5 mil atendimentos no Jardim Manaíra
O programa Acelera Mais Várzea Grande superou as expectativas e realizou mais de 3,5 mil atendimentos na manhã deste sábado (30), na EMEB Ednilson Francisco Kolling, no bairro Jardim Manaíra. A ação, que integra a programação comemorativa dos 159 anos de Várzea Grande, reuniu pelo menos 21 serviços públicos municipais em um único local, facilitando o acesso da população a atendimentos essenciais.
A previsão inicial era de aproximadamente 2,1 mil atendimentos, mas a procura da comunidade ultrapassou as expectativas da organização. Entre 8h e 12h, moradores tiveram acesso a serviços nas áreas de saúde, assistência social, habitação, emprego, defesa do consumidor, empreendedorismo e saneamento.
A prefeita Flávia Moretti que esteve presente durante toda a manhã no mutirão, destacou que o principal objetivo do programa é aproximar os serviços públicos da população, especialmente das regiões mais afastadas dos centros administrativos.
“Nosso compromisso é fazer com que a Prefeitura esteja cada vez mais próxima das pessoas. Muitas vezes o cidadão encontra dificuldades para se deslocar até uma unidade pública ou para acessar determinados serviços. Quando levamos toda essa estrutura para dentro dos bairros, facilitamos a vida da população, ampliamos o acesso aos direitos e fortalecemos a presença do poder público onde ele realmente precisa estar, que é junto da comunidade”, afirmou.
A prefeita também fez um balanço positivo das comemorações pelos 159 anos de Várzea Grande, destacando que a programação foi marcada por entregas concretas para a população.
“Tivemos um aniversário histórico, com inaugurações de obras, entrega de melhorias, lançamento de novos serviços e uma intensa programação cultural. Mas é importante destacar que esse trabalho não se resume ao mês de aniversário. As ações da Prefeitura acontecem durante todo o ano, com investimentos, obras e programas que estão transformando a cidade e melhorando a qualidade de vida da nossa população”, ressaltou Flávia Moretti.
Na área da saúde, foram oferecidos serviços de vacinação, pesagem de crianças beneficiárias do Bolsa Família, consultas médicas, atendimento odontológico com orientações e distribuição de kits contendo escova, creme dental e fio dental. A população também contou com atendimento de clínico geral, pediatra, psiquiatra, além de suporte especializado para pessoas neurodivergentes, crianças e adultos. Outro serviço bastante procurado foi a regulação da saúde, permitindo que usuários consultassem a situação de procedimentos e exames em fila de espera.
O evento também disponibilizou oficinas de produção de sabonetes artesanais e sprays aromatizantes, mutirão de atendimento do Departamento de Água e Esgoto (DAE), vagas de emprego por meio do Sine, suporte para microempreendedores individuais (MEIs), regularização fundiária, programas habitacionais, massagem quick, Cadastro Único, atendimento com assistentes sociais, ouvidoria, procuradoria municipal e a van do Procon.
A programação contou ainda com apresentações da Banda Municipal e atividades recreativas voltadas às crianças, transformando a ação em um grande evento de cidadania e integração comunitária.
Durante o evento, a prefeita anunciou a próxima edição do Acelera Mais Várzea Grande, que será realizada no dia 20 de junho, na região da Capela do Piçarão, ampliando o alcance da iniciativa para mais moradores do Município.
“O programa tem como proposta descentralizar os atendimentos públicos e levar diversos serviços municipais diretamente aos bairros, promovendo inclusão, cidadania e acesso facilitado às políticas públicas”, enfatizou a gestora municipal.
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