Sorriso
Poesia de Bráulio Bessa abre a Feria do Livro de Sorriso
Sorriso
O autor de “Poesia com rapadura” falou da jornada pessoal e trouxe sensibilidade aos fatos do dia a dia
Uma poesia de gente para gente. Um poeta que fala com amor quer seja das coisas boas ou das dificuldades da vida e que atende pelo nome de Bráulio Bessa. O poeta declamou, palestrou e encantou mais de 500 pessoas ontem, 16 de abril, na Praça da Juventude na abertura do V Fórum Municipal de Cultura e da Feria do Livro de Sorriso.
Bráulio contou sua jornada como poeta que iniciou aos 14 anos de idade depois de receber de uma professora uma obra de Patativa do Assaré, acompanhada da pergunta “o que você vai ser?”, inicialmente respondida por ele como “nada”. Contudo, quando chegou em casa e abriu o livro viu que o poeta “falava de gente para gente e o que eu faço desde criança é falar de gente para gente porque sou gente”, ao ler os versos de Patativa do Assaré, nasceu o poeta.
Um poeta que acredita na força da educação e das palavras. Que acredita no professor e no aluno e que transforma fatos do dia a dia em poesia da vida real. “Acho que a poesia tem um poder de cura, de salvar; me vejo construindo uma poesia que pode ser compreendida por qualquer um”, diz. Para ele, a literatura de cordel é arte brasileira e como toda arte precisa ser sentida.
O escritor pontua que o Brasil tem um caldeirão cultural muito grande com vários sotaques. “Sou conhecido pelo sotaque, cada estado tem uma peculiaridade, cada espaço tem sua própria gira, seu regionalismo e trazer isso para a minha literatura é muito rico; falo com a língua do povo porque sou povo, para mim o regionalismo é de uma imensidão e uma riqueza sem fim”, reforça o discípulo de Patativa do Assaré que cita a obra do mestre ao falar “que Patativa dizia que é melhor escrever errado a coisa certa do que escrever certo a coisa errada”.
Para Bráulio, estar em Sorriso e fazer parte de evento literário em praça pública “enche o coração de esperança de que estamos evoluindo no caminho da literatura”.
Emocionada, a secretária de Cultura, Marisa Netto, agradeceu à Bráulio por aceitar o convite e destacou que o Fórum é uma forma de incentivar o hábito saudável da leitura. “A leitura é um lugar onde as histórias continuam vivas, onde as páginas já lidas ganham novos olhares e onde o conhecimento circula de forma acessível, humana e transformadora”, frisa a secretária. Marisa também lembrou do trabalho da ex-secretária de Educação e Cultura, Avanice Lourenço Zanatta, organizadora da primeira feira do livro do Município. “O olhar dela abriu as portas para esse vivermos essa momento hoje”.
Já o secretário-adjunto de Educação, Jairo Brizola, festejou a feira. Para ele, a leitura é um espaço em que a cultura circula livremente. Ao falar da importância da escrita, Jairo, lembrou do trabalho da professora e escritora sorrisense, Odila Bortoncello, a precursora da escrita sobre a história de Sorriso. “Precisamos nos inspirar em outros sociedades que tem o hábito de ler”, defende o gestor. Ex-aluno de Jairo na Escola Estadual Mário Spinelli, o presidente do Legislativo, Rodrigo Materazzi, pontuou que a Câmara irá atuar para fazer da Feira do Livro um evento anual no calendário do Município.
Primeira-dama e secretária da Mulher e da Família, Mara Fernandes, fala da sensibilidade contida nas palavras, na poesia que conta da vida. Para Mara “a literatura é transformadora, escrever cura, ler cura; há uma imensidão dentro de cada livro e em cada um de nós há tantos deles. Estar na praça, ver a praça lotada de gente que ouve, fala e faz literatura é emocionante”.
O vice-prefeito, Acacio Ambrosini, acrescenta que o evento foi pensado, planejado e construído com muito carinho para a população. “O Fórum e a Feira seguem até sábado à tarde com debates, apresentações culturais, lançamentos de livros de escritores locais e muita cultura para os sorrisenses”, ressalta.
Confira a programação para esta sexta e sábado:
Local Praça da Juventude – 17/04/2026 – sexta-feira (matutino)
08h00min – Abertura da Feira do Livro, com fala das autoridades presentes e presença do Poeta Bráulio Bessa;
08h15min – Apresentação Cultural – Trupe Trikelê,e demais.
08h30min – Visita aos stands da feira;
09h00min – Divulgação dos selecionados do Concurso de Poesias com declamações;
09h30min – Roda de Conversas com os autores/escritores do Município de Sorriso e Bráulio Bessa na Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato;
09h30min – Apresentações Culturais
11h00min – Encerramento
Local Praça da Juventude – 17/04/2026 – sexta-feira (vespertino)
13h30min – Abertura da Feira do Livro, com fala das autoridades presentes;
13h45min – Apresentação Cultural – Trupe Trikelê
14h00min –Visita aos stands da feira;
14h30min – Divulgação dos selecionados do Concurso de Poesias com declamações;
15h30min – Apresentações Culturais
17h00min – encerramento.
Local Praça da Juventude – 17/04/2026 – sexta-feira (noturno)
19h00min – Abertura da Homenagens aos autores/escritores do município, com fala das autoridades presentes;
19h30min – Apresentação Cultural
19h45min – Lançamento de Livro (definir)
21h30min – Momento de autógrafos e fotos;
22h00min – Encerramento
Sorriso
Projeto “Construindo Bases para a Resiliência Ecológica” é apresentado aos produtores do Jonas Pinheiro
Absorver impactos, adaptar-se a mudanças e recuperar suas funções e estruturas essenciais após sofrer perturbações, sejam elas climáticas, incêndios ou causadas pela ação humana. Esse é o conceito central de resiliência ecológica. E, exatamente esse conceito dá o norte ao projeto apresentado nesta manhã, 03 de junho, para os agricultores do Assentamento Jonas Pinheiro. Em andamento na Escola Matilde Luiza Zanatta Gomes, o Construindo Bases para a Resiliência Ecológica dos Agricultores Familiares do Assentamento Rural Jonas Pinheiro, tem como principal a recuperação ambiental de área degradada na comunidade.
Quem falou sobre o projeto para os agricultores foi a professora Ilzeny Rodrigues, responsável pelo Construindo Bases. Ilzeny contou com o apoio do secretário de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), Clóvis Picolo Filho e de toda a equipe da pasta, além do apoio da equipe da Escola Matilde e da Secretaria de Educação (Semel).
Clóvis frisa que há um grande passivo ambiental no Assentamento e o mote do projeto é justamente recuperar essas áreas degradadas com o plantio de espécies nativas. Serão distribuídas cerca de 25 mil mudas. “Recuperar essas áreas é essencial para que os produtores possam regularizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) dessas propriedades, bem como ampliar a produção e venda dos produtos da agricultura familiar”, detalha.
Para o agricultor Márcio Manoel da Silva, um dos fundadores do Jonas Pinheiro e da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Celeste (Coopercel), o Construindo Bases será essencial para a regularização das áreas. “Vai beneficiar toda a comunidade”, diz.
Mas chegar a esse momento não foi uma tarefa fácil.
Tudo começou com o sonho da professora Ilzeny Rodrigues que que há cerca de 10 anos atua na Escola Matilde e almejava ter uma grande estufa na unidade. No percurso desse sonho, ela conheceu Joyce Goblit, então professora de Sociologia do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus de Sorriso que a convidou para participar de uma ação aberta no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) que selecionava projetos ambientais.
“Era um sonho meu poder fazer uma grande estufa que contribuísse de alguma forma com a escola e a comunidade em que está inserida”, diz Ilzeny.
Joyce propôs a Ilzeny participar da seleção. Ilzeny, por sua vez, confidenciou que sonhava em ter uma grande estufa. Orientada por Joyce, Ilzeny pesquisou o passivo ambiental do Assentamento e viu ali a oportunidade de mudar o cenário do Jonas Pinheiro. Com o apoio dos moradores do Jonas Pinheiro e da professora Ana Catarina Tibaldi dos Reis, hoje adjunta da Semasa, Ilzeny inscreveu o projeto pela própria associação da escola e teve a grata satisfação em ver que seu trabalho foi um dos nove selecionados no país.
Vencida a etapa de seleção, Ilzeny colocou mãos à obra. O grupo adquiriu sementes de várias espécies nativas como a fava arara, aroeira do campo, louro branco, pinha nativa, jatobá, pinho cuiabano, dentre várias outras.
Com as mudas já crescidas é hora de iniciar a distribuição e recuperar o passivo ambiental do Jonas Pinheiro. “É a oportunidade de todos os assentados regularizar sua situação ambiental; todas as propriedades tem que ter pelo menos 20% de área recuperada; um projeto muito bonito que nos conectou com a nossa terra e a nossa realidade”, se emociona Ilzeny. Para a professora “hoje é um dia muito especial para a nossa Escola e o Assentamento; celebramos esse momento inclusive com a Feira do Produtor, das mulheres do Assentamento aqui na escola”, comemora ela.
Para Clóvis, a recuperação ambiental vai garantir que os agricultores possam regularizar a própria documentação de seus lotes. “Sem essa área recuperada, não há como regularizar o CAR, por exemplo, ou fazer financiamento, por isso esse momento é tão especial”, explica.
Sobre o ISPN
O ISPN é uma organização da sociedade civil que, há mais de 35 anos, atua pelo fortalecimento de meios de vida sustentáveis, com protagonismo comunitário e valorização dos saberes e da sociobiodiversidade. A justiça socioambiental e climática é o horizonte que orienta nossa caminhada.
A história começa em 1990, quando um grupo de pesquisadores decidiu unir esforços para qualificar e documentar suas pesquisas e atuar em defesa do meio ambiente em diálogo com os debates sociais. Dessa iniciativa nasceu o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
Em 1994, o ISPN foi selecionado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para coordenar o Small Grants Programme (SGP) no Brasil, com foco no Cerrado. O SPG apoia projetos de base comunitária em mais de 120 países, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Essa experiência impulsionou a atuação com projetos ecossociais, que hoje ganham força com o Fundo Ecos, um mecanismo independente de filantropia para a justiça socioambiental.
Em 2013, ampliou a atuação para a Caatinga e, dois anos depois, com apoio do Fundo Amazônia, passamos a apoiar iniciativas também nos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.
Desde então, já apoiou mais de mil projetos em diferentes biomas, por meio de uma carteira diversificada de financiadores, com o intuito de qualificar, promover e multiplicar conhecimentos que contribuam para a consolidação de paisagens produtivas ecossociais, garantindo o presente e o futuro das comunidades e da natureza.
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