Sorriso
Sorriso busca em Brasília políticas públicas e projetos para fortalecer ações voltadas às mulheres
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A secretária adjunta da Mulher e da Família (Semfa), Ana Paula Carvalho, esteve em Brasília nos dias 10 e 11 de março, cumprindo uma agenda institucional voltada ao intercâmbio de políticas públicas e projetos para mulheres desenvolvidos pela Secretaria de Estado da Mulher do Distrito Federal.
Durante a visita técnica, o primeiro encontro ocorreu com a secretária de Estado da Mulher do DF, Giselle Ferreira, que apresentou programas, iniciativas e modelos de atendimento voltados à proteção, ao acolhimento e ao fortalecimento da autonomia feminina. Na ocasião, também foram sugeridas visitas a espaços que integram a rede de atendimento às mulheres no Distrito Federal.
A primeira visita foi realizada na Casa da Mulher Brasileira, referência nacional no atendimento integrado a mulheres em situação de violência. O local oferece atendimento humanizado e integrado 24 horas por dia, reunindo serviços como delegacia especializada, Defensoria Pública, Ministério Público, apoio psicossocial, alojamento temporário, brinquedoteca e cursos de capacitação profissional. Atualmente, a unidade realiza mais de 380 atendimentos por mês.
Durante a visita, a secretária adjunta conheceu toda a estrutura da Casa, incluindo serviços de suporte como o Espaço Acolher, que oferece atendimento multidisciplinar a mulheres e também a homens envolvidos em casos de violência doméstica, conforme a Lei Maria da Penha. O serviço promove escuta qualificada, orientação, acompanhamento e encaminhamentos, além de ações voltadas à reflexão, responsabilização e reeducação dos autores de violência, com foco na quebra do ciclo da violência.
A Casa Abrigo do DF também integrou a agenda institucional. O espaço tem capacidade para acolher até 40 pessoas, entre mulheres em situação de violência sob grave risco de morte e seus filhos de até 12 anos. O encaminhamento é realizado pela rede de enfrentamento à violência contra a mulher, garantindo proteção e atendimento especializado.
Outro local visitado foi o Centro de Referência da Mulher Brasileira, que oferece atendimentos psicossociais por meio de uma equipe multidisciplinar formada por assistentes sociais, psicólogos, pedagogos e educadores sociais. Além do acolhimento, o espaço também promove ações de formação e capacitação profissional, ampliando oportunidades e fortalecendo a autonomia das mulheres.
Carreta-escola
Durante a agenda, uma das visitas foi à Carreta-Escola Moda Costura, instalada no espaço do Centro de Referência da Mulher Brasileira, onde 25 mulheres participavam de um curso de costura.
O projeto é realizado em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e funciona em formato itinerante, levando cursos de capacitação técnica a diferentes localidades. A iniciativa oferece formação em áreas como gastronomia, moda, beleza e informática, entre outras, ampliando oportunidades de qualificação profissional e geração de renda para as mulheres.
“O objetivo foi conhecer boas práticas e avaliar iniciativas que possam inspirar a implantação de novos projetos em Sorriso, fortalecendo as políticas públicas voltadas às mulheres e às famílias do município, especialmente aquelas que são vítimas de violência”, destacou a secretária adjunta.
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Projeto “Construindo Bases para a Resiliência Ecológica” é apresentado aos produtores do Jonas Pinheiro
Absorver impactos, adaptar-se a mudanças e recuperar suas funções e estruturas essenciais após sofrer perturbações, sejam elas climáticas, incêndios ou causadas pela ação humana. Esse é o conceito central de resiliência ecológica. E, exatamente esse conceito dá o norte ao projeto apresentado nesta manhã, 03 de junho, para os agricultores do Assentamento Jonas Pinheiro. Em andamento na Escola Matilde Luiza Zanatta Gomes, o Construindo Bases para a Resiliência Ecológica dos Agricultores Familiares do Assentamento Rural Jonas Pinheiro, tem como principal a recuperação ambiental de área degradada na comunidade.
Quem falou sobre o projeto para os agricultores foi a professora Ilzeny Rodrigues, responsável pelo Construindo Bases. Ilzeny contou com o apoio do secretário de Agricultura e Meio Ambiente (SAMA), Clóvis Picolo Filho e de toda a equipe da pasta, além do apoio da equipe da Escola Matilde e da Secretaria de Educação (Semel).
Clóvis frisa que há um grande passivo ambiental no Assentamento e o mote do projeto é justamente recuperar essas áreas degradadas com o plantio de espécies nativas. Serão distribuídas cerca de 25 mil mudas. “Recuperar essas áreas é essencial para que os produtores possam regularizar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) dessas propriedades, bem como ampliar a produção e venda dos produtos da agricultura familiar”, detalha.
Para o agricultor Márcio Manoel da Silva, um dos fundadores do Jonas Pinheiro e da Cooperativa dos Pequenos Produtores Rurais do Vale do Celeste (Coopercel), o Construindo Bases será essencial para a regularização das áreas. “Vai beneficiar toda a comunidade”, diz.
Mas chegar a esse momento não foi uma tarefa fácil.
Tudo começou com o sonho da professora Ilzeny Rodrigues que que há cerca de 10 anos atua na Escola Matilde e almejava ter uma grande estufa na unidade. No percurso desse sonho, ela conheceu Joyce Goblit, então professora de Sociologia do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) Campus de Sorriso que a convidou para participar de uma ação aberta no Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) que selecionava projetos ambientais.
“Era um sonho meu poder fazer uma grande estufa que contribuísse de alguma forma com a escola e a comunidade em que está inserida”, diz Ilzeny.
Joyce propôs a Ilzeny participar da seleção. Ilzeny, por sua vez, confidenciou que sonhava em ter uma grande estufa. Orientada por Joyce, Ilzeny pesquisou o passivo ambiental do Assentamento e viu ali a oportunidade de mudar o cenário do Jonas Pinheiro. Com o apoio dos moradores do Jonas Pinheiro e da professora Ana Catarina Tibaldi dos Reis, hoje adjunta da Semasa, Ilzeny inscreveu o projeto pela própria associação da escola e teve a grata satisfação em ver que seu trabalho foi um dos nove selecionados no país.
Vencida a etapa de seleção, Ilzeny colocou mãos à obra. O grupo adquiriu sementes de várias espécies nativas como a fava arara, aroeira do campo, louro branco, pinha nativa, jatobá, pinho cuiabano, dentre várias outras.
Com as mudas já crescidas é hora de iniciar a distribuição e recuperar o passivo ambiental do Jonas Pinheiro. “É a oportunidade de todos os assentados regularizar sua situação ambiental; todas as propriedades tem que ter pelo menos 20% de área recuperada; um projeto muito bonito que nos conectou com a nossa terra e a nossa realidade”, se emociona Ilzeny. Para a professora “hoje é um dia muito especial para a nossa Escola e o Assentamento; celebramos esse momento inclusive com a Feira do Produtor, das mulheres do Assentamento aqui na escola”, comemora ela.
Para Clóvis, a recuperação ambiental vai garantir que os agricultores possam regularizar a própria documentação de seus lotes. “Sem essa área recuperada, não há como regularizar o CAR, por exemplo, ou fazer financiamento, por isso esse momento é tão especial”, explica.
Sobre o ISPN
O ISPN é uma organização da sociedade civil que, há mais de 35 anos, atua pelo fortalecimento de meios de vida sustentáveis, com protagonismo comunitário e valorização dos saberes e da sociobiodiversidade. A justiça socioambiental e climática é o horizonte que orienta nossa caminhada.
A história começa em 1990, quando um grupo de pesquisadores decidiu unir esforços para qualificar e documentar suas pesquisas e atuar em defesa do meio ambiente em diálogo com os debates sociais. Dessa iniciativa nasceu o Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN).
Em 1994, o ISPN foi selecionado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para coordenar o Small Grants Programme (SGP) no Brasil, com foco no Cerrado. O SPG apoia projetos de base comunitária em mais de 120 países, com apoio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Essa experiência impulsionou a atuação com projetos ecossociais, que hoje ganham força com o Fundo Ecos, um mecanismo independente de filantropia para a justiça socioambiental.
Em 2013, ampliou a atuação para a Caatinga e, dois anos depois, com apoio do Fundo Amazônia, passamos a apoiar iniciativas também nos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso.
Desde então, já apoiou mais de mil projetos em diferentes biomas, por meio de uma carteira diversificada de financiadores, com o intuito de qualificar, promover e multiplicar conhecimentos que contribuam para a consolidação de paisagens produtivas ecossociais, garantindo o presente e o futuro das comunidades e da natureza.
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