Search
Close this search box.

Saúde

Saiba mais sobre o hantavírus, suspeito de causar surto em cruzeiro

Publicado em

Saúde

A Organização Mundial da Saúde (OMS) monitora um possível surto de hantavírus em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico. Até o momento, três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes – uma delas, em terapia intensiva.

A operadora de turismo Oceanwide Expeditions, que administra a embarcação MV Hondius, confirmou que enfrenta “situação médica grave” a bordo do navio. Uma variante do hantavírus foi identificada no paciente que segue internado.

“Além disso, há atualmente dois tripulantes a bordo com sintomas respiratórios agudos, um leve e outro grave. Ambos necessitam de cuidados médicos urgentes”, alertou a Oceanwide Expeditions.

A embarcação permanece isolada na costa de Cabo Verde. Há, ao todo, 149 pessoas a bordo, de 23 nacionalidades – nenhuma delas brasileira. O desembarque de passageiros, o atendimento médico e a triagem exigem autorização de autoridades sanitárias locais.

A doença

De acordo com a OMS, os hantavírus são vírus zoonóticos que infectam naturalmente roedores e, ocasionalmente, são transmitidos a humanos.

A infecção em humanos pode resultar em doenças graves e, frequentemente, em morte, embora as manifestações clínicas variem de acordo com o tipo de vírus e a localização geográfica.

Nas Américas, por exemplo, a infecção é conhecida por causar a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, condição rapidamente progressiva que afeta os pulmões e o coração.

Já na Europa e na Ásia, os hantavírus são conhecidos por causarem febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos.

Classificação viral

Os hantavírus pertencem à família Hantaviridae. Cada hantavírus está tipicamente associado a uma espécie específica de roedor reservatório, na qual o vírus causa infecção de longa duração sem manifestação aparente de doença.

Embora muitas espécies de hantavírus tenham sido identificadas em todo o mundo, apenas um número limitado delas é conhecido por causar doenças em humanos.

O vírus Andes faz parte da família Hantaviridae e, segundo a OMS, é o único conhecido por causar transmissão limitada de pessoa para pessoa entre contatos próximos e prolongados, com casos registrados na Argentina e no Chile.

Transmissão

A transmissão do hantavírus para humanos acontece pelo contato com urina, fezes ou saliva contaminadas de roedores infectados. A infecção também pode ocorrer, embora menos comumente, por meio da mordida de roedores.

Atividades que envolvem contato com roedores, como limpeza de espaços fechados ou mal ventilados, agricultura, trabalho florestal e dormir em residências infestadas por roedores, aumentam o risco de exposição.

De acordo com a OMS, a transmissão entre pessoas, quando acontece, tem sido associada a contato próximo e prolongado, particularmente entre membros da mesma família ou parceiros íntimos, e parece ser mais provável durante a fase inicial da doença.

Sintomas e apresentação clínica

Em humanos, os sintomas geralmente começam entre uma e seis semanas após a exposição e tipicamente incluem febre, dor de cabeça, dores musculares e sintomas gastrointestinais, como dor abdominal, náuseas ou vômitos.

Na síndrome cardiopulmonar por hantavírus, a doença pode progredir rapidamente para tosse, falta de ar, acúmulo de líquido nos pulmões e choque.

Já na síndrome hemorrágica com insuficiência renal, os estágios mais avançados podem incluir hipotensão, distúrbios hemorrágicos e insuficiência renal.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce da infecção por hantavírus, segundo a própria OMS, pode ser desafiador, já que os sintomas iniciais são comuns a outras doenças febris ou respiratórias, como gripe, covid-19, pneumonia viral, leptospirose, dengue ou sepse.

“Uma anamnese cuidadosa é essencial, com atenção especial à possível exposição a roedores, riscos ocupacionais e ambientais, histórico de viagens e contato com casos conhecidos em áreas onde os hantavírus estão presentes”, reforçou a organização.

A confirmação laboratorial depende de testes sorológicos para detectar anticorpos específicos para hantavírus, bem como de métodos moleculares durante a fase aguda da doença, quando o RNA viral pode ser detectado no sangue.

Tratamento

Embora não exista tratamento específico para os quadros causados pelo hantavírus, o auxílio médico precoce é citado pela OMS como fundamental para melhorar a sobrevida e concentra-se no monitoramento clínico rigoroso e no controle de complicações.

Prevenção e controle

A prevenção da infecção por hantavírus depende, principalmente, da redução do contato entre pessoas e roedores. Além disso, medidas eficazes, segundo a OMS, incluem:

  • manter casas e locais de trabalho limpos;
  • vedar aberturas que permitam a entrada de roedores em edifícios;
  • armazenar alimentos de forma segura;
  • utilizar práticas de limpeza seguras em áreas contaminadas por roedores;
  • evitar varrer ou aspirar fezes de roedores a seco;
  • umedecer áreas contaminadas antes da limpeza.

“Durante surtos ou quando houver suspeita de casos, a identificação e o isolamento precoces, o monitoramento de contatos próximos e a aplicação de medidas padrão de prevenção de infecções são importantes para limitar a propagação”, orienta a OMS.

Fonte: EBC Saúde

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Saúde

SUS e Einstein desenvolvem IA para identificação de doenças de pele

Publicados

em

Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveu um sistema com inteligência artificial para apoiar profissionais de saúde pública na triagem e identificação de doenças de pele.

A iniciativa, chamada CUTIS-AI, utiliza como base imagens da lesão da pele do paciente e dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos que refletem a realidade brasileira.

Entre as doenças que podem ser identificadas estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea, além de lesões decorrentes de acidentes loxoscélicos (picada de aranha marrom).

O aplicativo que viabiliza o uso da IA, que ainda está em estudo, foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais de saúde da atenção básica. O app pode ser utilizado mesmo em locais em que não há conexão com a internet. A taxa de acerto do aplicativo já é de cerca de 80%.

A proposta do CUTIS-AI, no entanto, é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, sem substituir a avaliação clínica realizada pelos profissionais de saúde. 

“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.

O estudo com o aplicativo já analisou cerca de 1,4 mil pacientes e conta com mais de 4 mil imagens de lesões. A diversidade de pacientes ajuda a treinar a inteligência artificial com exemplos variados, tornando o modelo mais preparado para identificar as características das lesões.

“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial” ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde,  Fabiano Geraldo Pimenta Junior.

Fonte: EBC Saúde

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA