Economia
Óleo e Gás em expansão alavanca vagas remotas de engenharia
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O setor brasileiro de óleo e gás natural atravessa um momento de produção recorde e pico de investimentos. O ano de 2026 deve registrar aportes estimados em US$ 21,3 bilhões e o maior volume de empregos da série projetada: 483 mil postos de trabalho. Os dados são do Outlook IBP 2025–2029, do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP).
A produção já reflete esse aquecimento. Ainda segundo a publicação do IBP, em outubro de 2025 o país superou a marca de quatro milhões de barris por dia, recorde que posiciona o Brasil entre os principais produtores globais, enquanto o petróleo bruto encerrou o ano como o principal item da pauta de exportações brasileiras pelo segundo ano consecutivo, com US$ 44,6 bilhões em receita.
De acordo com Mariana Lobato, diretora de Gente e Cultura da Infotec Brasil, esse volume eleva a demanda por profissionais especializados em engenharia e projetos industriais em todo o país; não apenas nas regiões de extração, mas também em disciplinas como elaboração de projetos, documentação técnica e gestão de ciclo de vida de ativos, funções que podem ser exercidas em modelo home office.
“O trabalho remoto ampliou de forma decisiva o nosso acesso a talentos em diferentes regiões do Brasil, o que nos permite atrair profissionais altamente qualificados sem a limitação geográfica dos grandes centros”, declara a executiva da Infotec Brasil — companhia que presta serviços de engenharia, manutenção, logística, supply chain e gestão de operações industriais de alta complexidade, incluindo refinarias.
Mais de 100 vagas de trabalho remoto abertas
Para responder a essa demanda, a Infotec Brasil anuncia a abertura de mais de 100 vagas para os cargos de Engenheiro Projetista e Desenhista Projetista, em regime 100% remoto, com foco em projetos de refinarias e contratação imediata em todo o território nacional.
O processo seletivo contempla, após inscrição online, a realização de testes técnicos e entrevistas. Os requisitos detalhados de cada cargo estão disponíveis na plataforma de carreiras da Infotec Brasil.
As vagas têm como foco pessoas com trajetória consolidada na elaboração, revisão e atualização de documentação técnica, análise de soluções para problemas complexos e acompanhamento do ciclo de vida de projetos. A empresa também considera competências comportamentais no processo: comunicação clara, capacidade de trabalho em times remotos, senso de responsabilidade e compromisso com segurança e meio ambiente.
Mercado aquecido e perspectivas para engenheiros
Para a área de engenharia e projetos industriais, o cenário dos próximos anos é de alta demanda. A escassez de especialistas, estimada em quase 50% nas posições técnicas de maior complexidade, segundo o presidente do IBP, Roberto Ardenghy, indica que o mercado deverá absorver pessoal qualificado com rapidez.
Para Mariana Lobato, o movimento já é percebido no dia a dia do setor. “Observamos uma procura crescente por profissionais capazes de atuar em projetos de refinaria, offshore e em unidades industriais, com foco em eficiência operacional, segurança e conformidade com normas técnicas, o que reforça a necessidade de times especializados e multidisciplinares”, afirma.
“Na Infotec Brasil, esse cenário se traduz em um aumento contínuo do nosso portfólio de projetos e na abertura de novas posições”, conclui.
Mais informações sobre as vagas estão disponíveis na plataforma de carreiras da Infotec Brasil.
Economia
Medicina integrativa amplia debate sobre Cannabis Medicinal
A busca por abordagens que considerem o organismo em sua complexidade tem aproximado diferentes áreas da saúde e ampliado o interesse por mecanismos fisiológicos ainda em investigação. Essa perspectiva esteve entre os temas do 3º Congresso Brasileiro de Medicina Funcional Integrativa, realizado de 30 de outubro a 1º de novembro, no WTC Golden Hall, em São Paulo. Entre os campos que dialogam com essa abordagem está a Cannabis medicinal, cujos compostos são estudados por sua interação com o Sistema Endocanabinoide e por possíveis aplicações em condições como dor crônica, sintomas associados ao transtorno do espectro autista (TEA) e alterações metabólicas.
Ana Gabriela Baptista, CEO da TegraPharma, acompanhou os três dias do encontro. Ao comentar sua participação, destacou a troca entre profissionais e a aproximação de diferentes perspectivas sobre saúde e inovação. “Participar do 3º Congresso Brasileiro de Medicina Funcional Integrativa foi uma oportunidade de fortalecer conexões, acompanhar discussões relevantes sobre saúde e inovação e ampliar o diálogo entre ciência, fisiologia e novas possibilidades terapêuticas”, disse. Essa aproximação entre ciência e fisiologia também orienta o trabalho de Ana com a Cannabis medicinal, especialmente no acompanhamento das pesquisas sobre o Sistema Endocanabinoide e a interação dos canabinoides com o organismo.
Sistema Endocanabinoide: uma rede de comunicação do organismo
Para explicar o funcionamento do Sistema Endocanabinoide, Ana Gabriela propõe uma comparação simples: a relação entre uma chave e uma fechadura. A analogia ajuda a compreender como esse sistema atua na comunicação entre diferentes partes do organismo. Ele reúne três componentes: os endocanabinoides, substâncias produzidas pelo próprio corpo; os receptores, estruturas presentes nas células com as quais essas moléculas interagem; e as enzimas, que participam da síntese e da degradação dessas substâncias. “É como um sistema de comunicação dentro do organismo. O corpo produz substâncias que interagem com receptores específicos, e enzimas participam da síntese e da degradação dessas moléculas. Esse conjunto de mecanismos contribui para a regulação de diferentes funções fisiológicas”, explica.
Essa comunicação participa da regulação de funções como a percepção da dor, o sono e o apetite. É nesse mecanismo que se concentra parte do interesse científico pela Cannabis sativa: compostos da planta, chamados fitocanabinoides, como o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), também podem interagir com os receptores do sistema. Para Ana, compreender como essa dinâmica funciona e de que maneira ela pode ser modulada pelos canabinoides é importante para avançar nas pesquisas sobre suas possíveis aplicações terapêuticas.
O que as pesquisas investigam sobre fibromialgia e TEA
A fibromialgia provoca dores espalhadas pelo corpo e pode vir acompanhada de cansaço, sono ruim e rigidez. Ao falar das pesquisas sobre Cannabis medicinal, Ana Gabriela destaca resultados que apontam redução da dor e melhora desses sintomas, além de avanços na qualidade de vida dos pacientes.
Um estudo publicado em 2024 na revista Journal of Clinical Medicine acompanhou 30 pessoas com fibromialgia durante seis meses. Os participantes receberam uma dose diária de Cannabis medicinal. Ao final da pesquisa, a mediana da intensidade da dor, medida em uma escala de zero a dez, caiu de oito para quatro pontos. Os pesquisadores também registraram melhora na saúde física e mental dos participantes. Como o estudo envolveu um grupo pequeno e não teve grupo de comparação, os resultados ainda precisam ser confirmados por pesquisas maiores.
No caso do transtorno do espectro autista (TEA), Ana destaca uma pesquisa publicada em 2021 na revista Molecular Autism, que avaliou 150 crianças e adolescentes com idades entre 5 e 21 anos. O estudo comparou o uso de um extrato de Cannabis com um placebo. Em uma das avaliações, 49% dos participantes que receberam o extrato apresentaram melhora no comportamento disruptivo, em comparação com 21% daqueles que receberam placebo. Esse resultado indica um possível benefício em sintomas comportamentais específicos, embora outra medida principal do estudo não tenha apresentado diferença significativa entre os grupos.
Para Ana Gabriela, esses achados reforçam a importância de avaliar cada paciente de forma individualizada. Pessoas com a mesma condição podem apresentar sintomas diferentes e responder de maneiras distintas ao tratamento. Por isso, a indicação de canabinoides precisa considerar o quadro clínico, as necessidades de cada paciente e as evidências científicas disponíveis.
Metabolismo também está no radar das pesquisas
O Sistema Endocanabinoide também participa de processos relacionados ao metabolismo, como o controle do apetite e do gasto de energia pelo organismo. Uma revisão publicada em 2005 na revista Annals of Medicine já investigava essa relação, especialmente o papel dos receptores CB1 na obesidade. Atualmente, alterações como resistência à insulina e síndrome metabólica também integram as linhas de pesquisa sobre esses mecanismos.
Ana Gabriela Baptista chama a atenção para o aumento das alterações metabólicas entre pessoas mais jovens e defende um olhar que considere o funcionamento do organismo como um todo. “Para compreender as alterações metabólicas, precisamos considerar a complexidade dos processos fisiológicos e bioquímicos que regulam o organismo, incluindo a participação do Sistema Endocanabinoide. A Cannabis sativa e seus compostos representam um campo relevante de investigação e podem contribuir para ampliar nossa compreensão sobre esses mecanismos e suas possíveis aplicações terapêuticas. Esse avanço depende do diálogo entre conhecimento fisiológico, pesquisa científica e evidências clínicas, além de uma análise crítica dos estudos, de suas metodologias e de possíveis vieses”, finaliza Ana Gabriela Baptista.
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