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Empreendedorismo materno ganha espaço em trilha especial

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Conciliar maternidade, cuidados com a casa e geração de renda faz parte da rotina de milhões de brasileiras. Nesse cenário, o empreendedorismo tem se consolidado como alternativa para mulheres que buscam maior flexibilidade e autonomia financeira sem abrir mão da presença na vida familiar.

Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que 67% das mulheres empreendedoras brasileiras são mães. O levantamento também aponta que a necessidade de cuidar dos filhos está entre os fatores que mais influenciam a decisão de abrir um negócio próprio.

Foi a partir dessa realidade que surgiu a Trilha Sou Mãe, Sou Empreendedora, iniciativa criada pelo grupo responsável pelo Seminário Internacional de Mães, com apoio do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. A proposta é oferecer formação voltada às necessidades específicas das mães empreendedoras e ampliar o acesso ao conhecimento e ao desenvolvimento de negócios.

O encontro será realizado no dia 25 de junho, em São Caetano do Sul (SP), com participação gratuita para mulheres que já empreendem ou desejam transformar uma ideia em fonte de renda.

Segundo os organizadores, a iniciativa nasceu a partir de uma demanda recorrente observada ao longo dos 12 anos de realização do Seminário Internacional de Mães. A organização identificou um crescimento no número de participantes que buscavam construir negócios próprios como forma de geração de renda e reorganização da rotina profissional.

“Uma das demandas mais recorrentes que ouvimos das mães ao longo dos anos foi a necessidade de um espaço voltado especificamente para quem empreende ou deseja empreender. Hoje, mais de 85% das mulheres que participam do Seminário de Mães possuem algum tipo de atividade empreendedora. Ficou claro para nós que esse espaço precisava existir”, afirma Fernanda Teles, CEO do Seminário Internacional de Mães, psicóloga e educadora.

A trilha foi estruturada para abordar desafios frequentemente enfrentados por mulheres que conciliam negócios e maternidade. A programação inclui palestras, talks e oficinas práticas sobre temas como gestão financeira, precificação, marketing digital, produção de conteúdo, posicionamento de marca, comunicação, oratória, vendas e estruturação de negócios.

De acordo com a organização, a proposta vai além da apresentação de conceitos teóricos e busca oferecer ferramentas aplicáveis ao cotidiano das participantes.

“Empreender já é um desafio. Quando essa jornada acontece ao mesmo tempo em que a mulher cuida dos filhos, administra a casa e lida com toda a carga mental que envolve a maternidade, os obstáculos se tornam ainda maiores. Nosso propósito é oferecer conhecimento, conexões e suporte para que essas mulheres fortaleçam seus negócios e ampliem sua autonomia financeira”, destaca Fernanda.

Para os organizadores, o empreendedorismo materno ainda costuma ser tratado como parte de um universo mais amplo do empreendedorismo feminino, embora apresente desafios específicos relacionados à gestão do tempo, rede de apoio, acesso a oportunidades e equilíbrio entre vida profissional e familiar.

“Durante muito tempo, as mães empreendedoras foram tratadas como parte de um grupo genérico de empreendedores. Mas a realidade é que elas enfrentam desafios muito particulares. A Trilha nasce para responder a essa necessidade, criando um ambiente de aprendizado, troca de experiências e fortalecimento para mulheres que desejam construir negócios sustentáveis sem abrir mão da maternidade”, ressalta.

A expectativa é reunir 200 mães empreendedoras ou interessadas em empreender. As inscrições são gratuitas, mas as vagas serão preenchidas por meio de processo de aplicação para alinhamento ao perfil da formação.

A iniciativa integra ações voltadas à ampliação do acesso das mães empreendedoras à capacitação e ao fortalecimento de pequenos negócios liderados por mulheres, contribuindo para a geração de renda e para o desenvolvimento do empreendedorismo feminino no país.



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El Niño intensifica eventos extremos no Brasil

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O Painel El Niño 2026‑2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (Ana), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), apontou mais de 90 % de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte, com possibilidade de permanência até o início de 2027.

O fenômeno deve gerar impactos distintos nas regiões brasileiras: no Sul, o Inmet projeta chuvas acima da média e possibilidade de recordes; no Nordeste, o Cemaden prevê expansão da seca severa e extrema; no Sudeste, 89 % da região sofreu algum grau de seca em julho e as previsões indicam período de chuvas intensas e altas temperaturas, segundo o Climatempo; na Amazônia, o Cemaden e a Ana alertam para déficit de chuva, risco de prolongamento da seca e aumento da incidência de incêndios.

O Instituto Nacional de Meteorologia de Moçambique (INAM) alerta que o El Niño em curso pode tornar‑se um dos mais severos registrados desde 1950. Vininha F. Carvalho, ambientalista, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios ressalta que o aquecimento das águas do Pacífico pode afetar indicadores sociais, da saúde à educação.

De acordo com o Dr. Alexandre Chieppe, consultor médico da MedLevensohn, a instabilidade climática pode desencadear desastres como enchentes e inundações e aumentar a incidência de doenças transmissíveis. Ele destaca que a combinação de umidade e calor cria condições favoráveis à proliferação de vetores de zoonoses, sobretudo arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.

O El Niño também pode impactar a agricultura, os níveis dos reservatórios, a geração de energia e os preços dos alimentos. O monitoramento depende da coleta contínua de dados atmosféricos e oceânicos por satélites, sensores e boias, permitindo que produtores rurais recebam alertas em tempo real e ajustem suas decisões de manejo.

Vininha F. Carvalho conclui que a mudança climática já está gerando novos desafios para as cidades brasileiras, e que adaptar o planejamento urbano é essencial para aumentar a capacidade de enfrentar cenários futuros.



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