Economia
Alta do ouro afeta preços do varejo no Brasil
Economia
A valorização do ouro no mercado internacional vai muito além das vitrines das joalherias. Embora o impacto mais direto seja percebido no comércio de joias, as oscilações do metal também despertam atenção de fabricantes, distribuidores e comerciantes de diferentes segmentos, especialmente aqueles que utilizam o ouro como matéria-prima ou componente de seus produtos.
Em um cenário de instabilidade econômica, tensões geopolíticas e mudanças nas expectativas dos investidores, o metal precioso costuma ganhar destaque como alternativa de proteção patrimonial. Esse movimento pode influenciar decisões empresariais, estratégias de abastecimento e o comportamento dos consumidores.
De acordo com a Agência Brasil, o ouro alcançou sucessivos recordes de valorização em janeiro de 2026, chegando a superar US$ 5,3 mil por onça (31,1 gramas). Entre os fatores apontados estavam as incertezas internacionais e as tensões comerciais.
Como a valorização do ouro chega ao comércio
Para JV Rodrigues, CEO da JDTbusiness, o efeito da cotação do ouro sobre o varejo depende principalmente da participação do metal na composição dos produtos comercializados. Em determinados segmentos, a variação pode provocar aumentos expressivos nos custos. Em outros, a influência é mais limitada.
Para ele, no segmento de eletrônicos, o cenário é diferente, pois o ouro é utilizado em pequenas quantidades na fabricação de celulares, computadores, televisores e outros equipamentos, principalmente por suas propriedades de condução elétrica e resistência à corrosão.
O levantamento do World Gold Council também demonstra a importância do metal para a indústria tecnológica. Em 2025, a demanda mundial de ouro pelo setor de tecnologia chegou a aproximadamente 323 toneladas, com destaque para aplicações na indústria eletrônica.
“Na indústria e no setor de tecnologia, o impacto é direto. Quando o ouro fica mais caro, fabricantes precisam desembolsar mais recursos para adquirir matéria-prima, o que pode resultar em reajustes nos preços praticados pelas lojas”, explica Rodrigues.
Consumidor fica mais atento aos preços e às condições de compra
As oscilações econômicas também influenciam o comportamento de quem compra. Quando determinados produtos ficam mais caros, consumidores tendem a pesquisar alternativas, comparar estabelecimentos e avaliar com maior cuidado as condições de pagamento.
Esse movimento exige atenção dos comerciantes, que precisam equilibrar custos operacionais, margens comerciais e competitividade. A estratégia pode envolver diversificação de produtos, negociação com fornecedores, controle de estoques e maior atenção ao perfil do público consumidor.
Um levantamento divulgado pela FecomercioSP, em maio de 2026, ajuda a ilustrar como diferentes produtos apresentam comportamentos distintos no varejo. Na cesta de itens tradicionalmente procurados para o Dia das Mães, as joias registraram aumento de 26,81% em 12 meses, enquanto eletrodomésticos e eletrônicos apresentaram reduções de preços em diversas categorias.
Os dados mostram que a valorização de uma matéria-prima não significa necessariamente aumento generalizado dos preços no comércio. Cada segmento possui características próprias, influenciadas por fatores como custos de produção, câmbio, concorrência, disponibilidade de mercadorias e demanda dos consumidores.
Especialistas destacam importância de acompanhar o mercado
Para empresas que trabalham diretamente com produtos fabricados em ouro, acompanhar as oscilações da cotação é fundamental para planejar compras, administrar estoques e estabelecer preços competitivos, explica Igor Ferreira, especialista em ouro da joalheria Fábrica do Ouro.
“A cotação do ouro influencia diretamente os custos de quem trabalha com esse metal, mas o preço final de um produto também depende de outros fatores, como fabricação, acabamento, fornecedores e características da peça. Por isso, é importante que o consumidor avalie o conjunto, e não apenas o valor anunciado”, conclui Ferreira.
Perspectivas para o comércio varejista
A trajetória do ouro continuará sendo acompanhada por diferentes setores da economia, especialmente aqueles que dependem diretamente do metal em seus processos produtivos. Entretanto, seu impacto sobre o comércio varejista não ocorre de maneira uniforme.
Para os empresários, o desafio está em compreender como as mudanças no mercado internacional podem afetar seus respectivos segmentos e antecipar possíveis alterações nos custos e no comportamento dos consumidores. Já para quem compra, pesquisar preços, comparar produtos e avaliar as condições oferecidas pelos estabelecimentos continuam sendo medidas importantes para realizar escolhas mais conscientes.
Em um mercado cada vez mais competitivo, acompanhar indicadores econômicos e entender os fatores que influenciam os preços pode ajudar tanto comerciantes quanto consumidores a tomar decisões mais bem fundamentadas.
Economia
Brasil cria 121,3 mil postos de trabalho em setembro, aponta Caged
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta quarta-feira (4), apontam que 121,3 mil postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em setembro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.
O saldo é 24,7% maior em relação a agosto, quando o país criou 161 mil empregos.
A criação de empregos caiu 43,5% em comparação a setembro do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 214,6 mil postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.
Em relação aos meses de setembro desde 2020, esse é o resultado mais baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020.
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Acumulado
De janeiro a setembro, o Caged registrou queda de 27,9% no acumulado de vagas formais:
- 1.248.914 (nove meses de 2026);
- 1.731.398 (nove meses de 2025).
Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores.
Setores
Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em setembro. Só a agropecuária demitiu mais do que contratou.
- Serviços: 81.241 postos;
- Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): 19.285;
- Comércio: 15.697;
- Construção civil: 9.468;
- Agropecuária: -4.381.
Tradicionalmente, o mês de setembro é fraco para a agropecuária, por causa do início do plantio. No entanto, representa alta na atividade industrial, com as fábricas começando a produzir para o Natal.
Destaques
Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de atividades administrativas e serviços complementares, com a abertura de 18,3 mil postos formais. A categoria de saúde humana e serviços sociais abriu 15,4 mil vagas. O setor de transporte, armazenagem e correio criou 13,2 mil postos.
Na indústria, o destaque positivo ficou com o segmento de serviços especializados para fabricação de produtos alimentícios (17 mil), fabricação de veículos automotores (2,1 mil) e coleta, tratamento, disposição de resíduos e recuperação de materiais (1,48 mil).
No comércio, o maior gerador de empregos foi o comércio varejista (9,43 mil), seguido por comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas (3,87 mil.
Na construção, os destaques foram obras de infraestrutura (4,66 mil) e serviços especializados para construção (3,9 mil).
Regiões e estados
Todas as cinco regiões registraram abertura de vagas formais em setembro.
Veja abaixo o desempenho de cada região:
- Nordeste: 49.142 postos;
- Sudeste: 39.404;
- Norte: 14.748;
- Sul: 9.949;
- Centro-Oeste: 7.894.
Na divisão por unidades da Federação, 26 registraram saldo positivo. Apenas o Rio Grande do Sul demitiu 2, 9 mil a mais do que contratou. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (19,3 mil), Pernambuco (13,3 mil) e Alagoas (11,1 mil).
As unidades da Federação com o menor saldo de abertura de empregos formais em setembro foram Acre (235), Goías (307) e Maranhão (654).
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Rio Grande do Sul, as demissões decorrem do fim da safra de fumo e da retração no comércio varejista.
Salário médio
O salário médio real de admissão em setembro totalizou R$ 2.429,41. Isso representa:
- redução de R$ 1,10 (-0,05%) em relação a agosto (R$ 2.430,51);
- aumento de R$ 44,90 (1,88%) em relação a setembro de 2025 (R$ 2.384,51).
Carteira assinada
Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou setembro em 48,35 milhões, alta de 0,25% em relação a agosto e de 1,65% em relação ao mesmo mês do ano passado.
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