Cultura
O Agente Secreto: trilha sonora não é mero detalhe
Cultura
Neste domingo (15) acontece a premiação do Oscar e o Brasil está na torcida pelo filme O Agente Secreto de Kleber Mendonça Filho que recebeu quatro indicações: de melhor filme, melhor filme internacional, melhor ator para Wagner Moura e melhor elenco.

O longa-metragem já conquistou mais de 60 prêmios, entre eles melhor ator e melhor direção no Festival de Cannes, além de melhor filme em língua estrangeira e melhor ator em filme de drama no Globo de Ouro.
E um dos destaques é a trilha sonora. A música não é mero detalhe nem serve apenas como trilha de fundo em O Agente Secreto. Na história, que se passa em 1977, em plena ditadura militar, o personagem de Wagner Moura é um professor que se muda de São Paulo para Recife. O longa é um filme de espionagem com elementos de realismo fantástico.
Além da trilha sonora original, composta pelos irmãos Mateus e Tomaz Alves de Souza, chamam a atenção as canções – que vão de joias escondidas da música brasileira a hits do pop internacional – uma curadoria feita pelo próprio diretor.
Na entrevista à imprensa em São Paulo, na divulgação de O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho falou sobre a ida a uma loja de discos em Recife, onde garimpou LPs que renderam canções para o filme.
“A música é fruto de muito trabalho no roteiro […]. Foi um processo muito longo. Teve uma tarde que eu fui para loja de disco ‘Passa Disco’ que, infelizmente fechou no Recife, e eu voltei com quatro discos muito raros, e três forneceram quatro músicas pro filme […]. É muito tempo que você precisa amadurecer pra entender se a música vai estar no seu filme”.
Uma dessas músicas é A briga do cachorro com a onça, da Banda de Pífanos de Caruaru, que veio da loja de Fábio Cabral em Recife. O vendedor conta a emoção que sentiu ao ver um dos discos que vendeu ao diretor aparecer no filme.
“Foi uma emoção tão grande que quando eu assisti o filme, tá lá o LP, que eu reconheci que era meu, até a manchinha que tinha na capa. Dá aquela sensação que, de alguma forma, você contribuiu pra história da música aqui em Pernambuco”.
O disco que o personagem de Wagner Moura coloca na vitrola é do Conjunto Concerto Viola, grupo de Pernambuco dos anos 70.
A trilha conta ainda com a psicodelia pernambucana das canções de Paêbirú, álbum de Lula Côrtes e Zé Ramalho, considerado o disco mais raro do país, por conta das cerca de mil cópias perdidas numa enchente no Rio Capibaribe em 1975.
Em O Agente Secreto, as canções se entrelaçam com as imagens e intensificam a atmosfera de suspense do filme.
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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