Cultura
Jaraqui é reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Amazonas
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O sabor que conquistou gerações ganhou reconhecimento oficial. O peixe jaraqui foi declarado Patrimônio Cultural imaterial do Amazonas.

Quem é do estado sabe: o jaraqui não é só comida. É história, é costume e é parte da vida.
Presente diariamente nas feiras, mercados e principalmente na mesa da população, o jaraqui vai muito além da alimentação. O reconhecimento valoriza o peixe como símbolo cultural, ligado às tradições, à economia e até às expressões populares da região.
Com a nova lei, o pescado passa a ser oficialmente protegido e promovido como patrimônio do estado. O projeto é de autoria do deputado estadual Ednailson Rozenha, do PSD, e prevê ações como incentivo a pesquisas, atividades educativas e apoio a eventos culturais que mantenham viva essa tradição. A iniciativa também busca fortalecer a cadeia produtiva e valorizar os trabalhadores que dependem da pesca.
Na capital Manaus, o jaraqui já tinha o reconhecimento desde 2019. Agora, o título se estende para todo o Amazonas, ampliando ainda mais o valor simbólico do peixe.
E no fim das contas, a velha frase continua firme — quase um lema regional: quem come jaraqui não sai mais daqui. E agora, com lei e tudo, virou patrimônio do Amazonas.
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Museu das Amazônias, em Belém, reabre trazendo a diversidade da região
Depois de sete meses fechado, o Museu das Amazônias reabriu nesta quarta-feira (4), em Belém, com duas exposições gratuitas. O espaço, que fica no Complexo Porto Futuro, foi inaugurado em outubro do ano passado, como parte do legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi sediada na capital paraense.

A diversidade amazônica é o tema da mostra “Amazônias no Plural”, que ocupa o térreo do museu. O percurso da exposição acompanha o corpo de uma serpente em seis ambientes que retratam o surgimento do território, e a relação entre passado, presente e futuro. Entre as obras está a instalação “Diversidade como Essência” da artista visual Roberta Carvalho. Ela conta que o trabalho entrelaça natureza e seres humanos.
“É uma instalação imersiva em 360 graus onde você tem projeções que são realizadas nas paredes e no piso. Ao centro dessa instalação você tem um móvel de Miritim. Você tem ali um vídeo que conta essa história desde o momento em que um grande asteroide atinge a Terra, passando pela formação desse terreno, contando a história da nossa diversidade de espécies, mostrando muitas imagens de povos, de florestas, de cidade”.
Uma das curadoras da exposição, Joice Ferreira, comenta o processo de escuta que resultou na celebração do território amazônico e de todos os seus povos.
“Houve um processo de escuta com diferentes organizações e representantes de vários países amazônicos, não foi apenas do Brasil, para identificar quais são as histórias que mereciam ser contadas, a perspectiva, como deveria ser o museu. Então foi todo um processo muito importante de escuta para trazer realmente esse olhar e a perspectiva amazônica”.
O artista marajoara Ronaldo Guedes criou um painel que se conecta com a memória e a ancestralidade da cerâmica de outra região do Pará, a Ilha do Marajó.
“Essa obra é muito da cosmologia indígena, que é a cobra-canoa que traz a argila e distribui nas comunidades para que os indígenas pudessem produzir cerâmica. São vários fragmentos que vão se juntando que eu dediquei de fato a todas as pessoas que vieram antes de mim, que produziram cerâmica”.
Além da mostra de longa duração, também foi inaugurada a exposição temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, com imagens que denunciam a crise climática. O curador Eder Chiodetto destaca os trabalhos dos fotodocumentaristas.
“A gente consegue fazer um contraponto entre a pulsão de vida e a pulsão de morte no Pantanal, ilustrada pelas imagens do universo subaquático feitas pelo Luciano, que mostram a magnitude da potência de vida do Pantanal, em contraponto aos incêndios criminosos que assolam o território, pra gente criar uma consciência a partir dessa fricção”.
O Museu das Amazônias fica aberto de quinta a terça-feira, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
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