Cultura
Começa nesta terça Festival Melanina Acentuada em Salvador
Cultura
Começa nesta terça-feira (28), em Salvador, a 8ª edição do Festival Melanina Acentuada, evento multicultural que busca fomentar, dar visibilidade e valorizar a produção artística preta e afroindígena. 

Vários espaços culturais da capital baiana receberão mais de 20 atividades, entre espetáculos teatrais e leituras dramáticas, shows, oficinas, lançamentos literários e debates.
A programação se divide entre o Goethe-Institut Salvador; os teatros Sesc Casa do Comércio, Jorge Amado e Martim Gonçalves; além do Sesi Rio Vermelho.
Este ano, o festival celebra os 80 anos do Teatro Experimental do Negro, criado pelo político, artista e ativista dos direitos humanos e da população negra no Brasil Abdias do Nascimento.
Essa iniciativa, fundada no Rio de Janeiro por Abdias em 1944, é um símbolo da luta pelo protagonismo de artistas negros nas mais variadas atmosferas artísticas, como produção cultural, literatura e teatro.
O Melanina segue até o próximo dia 3 de agosto.
Destaques da programação
A atriz baiana e mestre de cerimônias do Festival, Laura Eme, destaca, pelas redes sociais do evento, os espetáculos que estreiam e aqueles que retornam para esta edição do Melanina Acentuada.
“A peça ‘Abdias do Nascimento’ estreia em Salvador, contando um pouco da história do fundador do Teatro Experimental do Negro, que é nosso homenageado este ano. Também pela primeira vez por aqui, ‘Black Machine’ nos apresenta um Shakespeare pop que mergulha em debates de raça e gênero. Teremos ainda os espetáculos baianos de ‘Férias com Koanza’, com Sullivä Bispo; e o ‘Candomblé da Barroquinha’, que propõe uma viagem ao tempo. E o público terá mais uma oportunidade de conferir os espetáculos ‘Namíbia, Não’, que completa 15 anos este ano, e ‘Macacos’, que retornam ao Melanina nesta edição”.
Outro destaque da programação são os Ateliês de Ideias, que contarão com a presença de escritores, especialistas e pesquisadores. Um deles é o crítico de teatro Guilherme Diniz, que vai lançar seu trabalho justamente sobre o Teatro Experimental do Negro.
“Eu estou profundamente honrado em poder lançar o meu livro ‘Teatro Experimental do Negro: Histórias, Críticas e Outros Dramas’, além de mediar alguns ateliês de ideias com pessoas maravilhosas. Nós vamos festejar e debater o legado do Teatro Experimental do Negro, nosso vivo ancestral, além de reafirmar a importância política, histórica, estética e cultural dos teatros negros na vida brasileira”.
Outro evento muito aguardado é a leitura dramática do texto “O Poder Negro”, peça do norte-americano Amiri Baraka que será apresentada pelo ator Antônio Pitanga, que protagonizou o espetáculo há 60 anos. A leitura será encenada por Fernando Lufer com direção de Eugênio Lima.
Ainda no segmento de leituras dramáticas, outro texto abordado será Joanna Mina, de Luciany Aparecida. A autora fala sobre o que o público pode esperar da obra e do bate papo do qual ela vai participar no festival.
“Já pensou que a leitura de um documento do século XIX pode te apresentar um pouco do Brasil do século XXI? Foi mobilizada por essa ideia que eu escrevi a dramaturgia Joanna Mina, a partir de pesquisas em processos, crimes e testamentos de mulheres do século XVIII e XIX. Eu quis buscar trajetórias de mulheres que estavam tentando comprar sua própria carta de alforria, de mulheres que estavam tentando se separar num período em que o divórcio ainda não era lei. A junção dessas leituras fez com que eu fizesse a composição dessas personagens”.
Os detalhes dos eventos dia a dia estão disponíveis no Instagram do evento.
*Com produção de Luciene Cruz
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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