Cultura
Bembé do Mercado: programação se intensifica em Santo Amaro, na Bahia
Cultura
O tradicional Bembé do Mercado terá mais uma edição nesta quarta-feira. A programação oficial do evento começou no último domingo, com uma missa em homenagem ao Bembé na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, em Salvador. E no dia 13 de maio, a programação se intensifica em Santo Amaro, com rituais, xirês, cerimônias públicas e atividades culturais que se estendem até o dia 17 de maio. Entre os rituais mais aguardados, estão a lavagem do busto de João de Obá e a entrega de presentes a Iemanjá e Oxum, como explica a Iabé do Bembé, Ana Rita Machado, professora da UNEB e considerada mãe do mercado:

“A parte que já está sendo feita e que já começou a ser feita mais ou menos 8 ou 15 dias antes, que é a parte mais sigilosa, que é a coisa mais interna do Candomblé. E a parte que é pública, que a gente faz e que começa com a alvorada, que é chamando as pessoas para irem para o mercado. E depois da alvorada, a gente faz a liturgia de consagração do barracão, onde vai acontecer o xirê do Bembé. E o mais significativo é o próprio Candomblé, que é o xirê que acontece três dias. Vai acontecer dia 13, dia 14, dia 16 — que é quando chega o presente principal no mercado — e dia 17, que é no domingo, quando o presente sai do mercado e vai para ser entregue a Iemanjá e Oxum na praia de Itapema”, diz.
Considerado o maior Candomblé de rua do mundo, o evento se estabelece anualmente como patrimônio vivo ancestral, reunindo comunidades de terreiros, lideranças religiosas, artistas e pesquisadores. Fundado em 1889 pelo babalorixá João de Obá, o Bembé surgiu como um ato de celebração pela abolição da escravidão no Brasil, um ano depois da assinatura da Lei Áurea:
“A primeira dimensão que as pessoas vão logo identificar é a questão religiosa. Mas o Bembé está para além de uma questão religiosa. É uma festa que ela vai traduzir a experiência das populações afro-brasileiras, as populações baiana e do Recôncavo, sobre aquilo que nós chamaríamos de práticas civilizatórias africanas, mas que são reelaboradas aqui no Brasil, onde a gente tem as práticas da diáspora. E do ponto de vista religioso, o que é que as pessoas de matriz africana pedem? A fortuna. A fortuna no sentido amplo, que é a saúde, é a prosperidade, é a possibilidade daquelas pessoas terem uma vida mais respeitosa, com mais acesso e dignidade. É isso que a gente pede no Bembé”, aponta.
O Bembé do Mercado é reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia desde 2012 e patrimônio cultural do Brasil desde 2019, além de estar em processo de candidatura para o reconhecimento como patrimônio da humanidade pela UNESCO. A programação reúne mais de 60 comunidades tradicionais, como detalha a mãe do mercado:
“Então a programação do Bembé, ela compreende esse vasto aspecto que tem uma necessidade de a gente estar pensando em políticas públicas. Pensando nesse processo de estudos acadêmicos ligados ao Bembé ou temas correlatos, não necessariamente só ao Bembé. Que envolve a chegada também de muitas universidades para apresentação de trabalhos. Então a gente tem essa uma programação vasta que essa feira criativa, ela é o ‘empreender’, que é uma feira pensada e articulada para aquilo que a gente chamaria de economia criativa. Essas pessoas que já fazem seu artesanato, já já têm sua arte, já fazem uma arte ligada à arte afro-brasileira ou africana, vai depender de quem seja”, fala
A lavagem do busto de João de Obá já aconteceu às 5 da manhã, com o xirê de abertura em honra a Xangô programado para ainda hoje, às 8 da noite. Amanhã, o xirê acontece no mesmo horário no Largo do Mercado e, às 6 da manhã de sexta, acontece o ebó para Oxalá. No sábado, o xirê principal e a chegada dos presentes de Oxum e Iemanjá estão previstos para às 8 da noite. E a entrega desses presentes à praia de Itapema deve acontecer no domingo à tarde, a depender da tábua de maré.
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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