Cultura
90 anos Rádio Nacional: as ondas curtas que percorrem o mundo
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Registro de gravação antiga 🎵
O áudio que você escutou foi transmitido pela Rádio Nacional da Amazônia e capturado em ondas curtas por um ouvinte no sudoeste da Virgínia, nos Estados Unidos.
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Esse segundo áudio também foi veiculado pela Rádio Nacional da Amazônia e chegou ao cartunista Carlos Latuff em Porto Alegre, no sul do Brasil. Como é possível que uma mesma emissora de rádio consiga ter um alcance tão grande? A explicação está nos ares… mais especificamente na ionosfera, uma camada da atmosfera que contém cargas elétricas. O professor de engenharia eletrônica Ronaldo Siqueira Barbosa explica como a ionosfera consegue propagar sinais de rádio de um ponto a outro.
“Dependendo do ponto alto que ela atinge a nossa ionosfera, altura mais ou menos de 400 km até 700 km de atmosfera, nós temos de reflexão em que você tem um meio de propagação em que a onda vai a grandes distâncias na Terra. Então eu posso fazer uma transmissão de Brasília para o Canadá, para a Europa e muitas vezes fazer até uma segunda volta pela ionosfera e chegar à própria Brasília”.
O sinal da Rádio Nacional da Amazônia é transmitido de uma antena que fica no Parque do Rodeador, na zona rural de Brasília. A historiadora Lia Calabre explica que o alcance nacional da emissora é efetivado com a transmissão em ondas curtas (OC).
“As ondas curtas são as mais longas, são as que atravessam o oceano. A gente está falando para uma geração que pensa em internet, né? Mas eram as ondas que atravessavam o oceano que nos permitiam ouvir a BBC de Londres, que permitiam inclusive ao Brasil transmitir para além dos seus limites territoriais, ter a antena voltada para os Estados Unidos, ter a antena voltada para a América Latina, ter a antena voltada para a Europa”.
Inaugurada em setembro de 1977, no governo de Ernesto Geisel, em plena ditadura militar, a emissora surgiu dentro de um projeto de integração nacional, para alcançar locais isolados, como a região da Floresta Amazônica onde, até então, só chegavam rádios estrangeiras. A jornalista Tereza Cruvinel, primeira presidenta da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da qual a Rádio Nacional faz parte desde 2007, conta que o projeto inicial dos militares era criar uma grande rede internacional de rádio.
“Era um projeto ambicioso. E quando acabou o governo Médici e veio o governo Geisel, o milagre econômico tinha acabado. Então não havia mais dinheiro para fazer aquilo tão grande, e aí se voltaram para a Amazônia, vamos fazer a Rádio Nacional da Amazônia. Mas mesmo ela, se você olhar a programação daquele tempo, era uma programação muito pertinente a um serviço público, informações para os amazônidas, valorização da cultura, dos bens, das riquezas da Amazônia, e serviços de mensagens, que a rádio sempre se prestou a isso, né?”
As ondas curtas da Rádio Nacional da Amazônia conseguem chegar onde não há sinal de satélite, nem internet ou telefone. Taís Ladeira, ex-gerente das rádios da EBC, destaca o papel da emissora na prestação de serviços, no diálogo direto com os ouvintes e no direito à cidadania.
“Nas comunidades rurais, ribeirinhos, em regiões distantes dos grandes centros, a conexão desses moradores ao resto do país. A Rádio Nacional da Amazônia funcionava quase como uma rede social. As pessoas mandavam cartas e se comunicavam, reencontravam parentes. Passavam a conhecer o direito, por exemplo, ao registro civil de nascimento, que parecia algo muito distante delas, que por meio do tipo de programação que a Rádio Nacional da Amazônia fazia, era possível que essas pessoas se vissem dotadas desses direitos.”
Apelidada de “Orelhão da Amazônia”, no ano passado, a emissora ampliou sua faixa internacional, com conteúdos diários em inglês e espanhol para alcançar mais ouvintes pelo mundo.
*Com colaboração de Guilherme Strozzi e Raquel Júnia, sonoplastia de Jailton Sodré, da Rádio Nacional em São Paulo, e Sarah Quines.
Cultura
Fortaleza recebe Feira do Conhecimento com mais de 190 expositores
Conhecimento, curiosidade, tecnologia e criação, tudo motivado pela força da inteligência da juventude cearense. Este é o cenário que o público vai encontrar ao visitar a 10ª Feira do Conhecimento, que começa nesta quinta-feira (5), no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

A feira vai ocupar um espaço de 9 mil metros quadrados, com mais de 80 horas de conteúdo e a expectativa de receber cerca de 30 mil visitantes.
Com o tema comemorativo “Há 10 edições, o conhecimento não para”, a programação gratuita, que segue até o próximo sábado, reúne mais de 190 expositores em ações, dinâmicas e demonstrações voltadas para a ciência, tecnologia, inovação, empreendedorismo, cultura e entretenimento. A edição deste ano segue a temática “Ciência Delas”, para destacar a participação feminina na produção do conhecimento.
A abertura oficial terá o maestro Poty Fontenelle, que retorna ao palco da Feira para uma apresentação que une música e tecnologia em uma experiência imersiva criada especialmente para a ocasião.
A Feira está montada em quatro eixos. O Espaço Pop reunirá museus científicos, planetários, ciência itinerante, Ciência Delas, Ceará Faz Ciência, Salão do Inventor, entre outros espaços. Já a área Tech terá atrações como Arena Games, E-Sports, Robótica, Drone e o Museu Bojogá. O eixo Conexão será voltado ao empreendedorismo e à aproximação entre talentos, startups, empresas e investidores, com rodadas de negócios. O espaço Vitrine apresentará projetos, descobertas, tecnologias e soluções desenvolvidas por universidades, institutos e centros de pesquisa do Ceará.
Outro destaque do evento é a Arena Conhecimento por onde devem passar a escritora e empresária Nath Finanças, a autora e criadora de conteúdo Giuliana Mafra e a apresentadora gamer Nyvi Estephan.
O encerramento será com o espetáculo “Ciência em Show – Espetáculo Loucos por Ciência”, que apresenta conceitos científicos de forma lúdica e interativa.
Todas as informações para os participantes e visitantes já estão disponíveis no site feiradoconhecimento.com.br.
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