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Com investimento de R$ 10 milhões, Pantanal Free Shop deve gerar mais de 40 empregos diretos e atrair consumidores de cidades situadas em um raio de até 700 quilômetros; empreendimento aposta no potencial econômico da fronteira com a Bolívia
Por Marianna Peres/Diário de Cuiabá
Mato Grosso vai ingressar ainda neste mês de outubro no mercado brasileiro de lojas francas terrestres, com a abertura do Pantanal Free Shop, em Cáceres (225 quilômetros a oeste de Cuiabá). O empreendimento, que terá investimento de aproximadamente R$ 10 milhões do Grupo Cometa, será o primeiro do gênero no Estado e aposta no turismo de compras como uma nova alternativa de desenvolvimento econômico para a região de fronteira com a Bolívia.
A expectativa dos investidores é atrair consumidores de municípios situados em um raio de pelo menos 700 quilômetros, ampliando a circulação de visitantes e movimentando setores como comércio, hotelaria, alimentação, transporte e serviços.

Com sede em Cáceres, o Grupo Cometa atua nos segmentos automotivo e agropecuário e possui 25 lojas, principalmente concessionárias, distribuídas pelas regiões Centro-Oeste e Norte do país.
O novo empreendimento deverá iniciar as operações com mais de 40 empregos diretos, distribuídos entre vendas, caixas, estoque, administração, segurança, limpeza e gestão. A implantação também deverá gerar demanda por fornecedores locais e serviços de logística, manutenção e transporte.
“Mais do que introduzir um novo formato de varejo no estado, o projeto representa uma estratégia de desenvolvimento regional”, afirma Francis Maris, fundador do Grupo Cometa.
A proposta é aproveitar a localização de Cáceres e sua relação histórica com a Bolívia para criar um novo polo de consumo, complementando atividades já consolidadas na região, especialmente o turismo de pesca e as atrações do Pantanal.
PERFUMES, ELETRÔNICOS E BEBIDAS – O Pantanal Free Shop terá um portfólio diversificado de produtos nacionais e importados, com destaque para perfumaria, bebidas, eletrônicos e artigos de pescaria. A loja também comercializará cosméticos, roupas, acessórios e mercadorias de diferentes faixas de preço.
A gestora do empreendimento, Eliandra Dutra, avalia que a instalação da loja franca poderá ampliar a permanência de visitantes em Cáceres e estimular o consumo em outros estabelecimentos da cidade.
“Será criada uma nova frente de desenvolvimento econômico para uma região que já se destaca pelo turismo de pesca e pelo Pantanal”, afirma.
Segundo ela, a expectativa não se limita ao faturamento da própria loja. O fluxo adicional de consumidores poderá beneficiar restaurantes, hotéis, postos de combustíveis, empresas de transporte e prestadores de serviços.
“Acreditamos no potencial de Cáceres e entendemos que o turismo de compras pode se somar às vocações que a cidade já possui, ampliando a circulação de pessoas e movimentando diversos segmentos da economia”, acrescenta.
FRONTEIRA É DIFERENCIAL – A escolha de Cáceres está diretamente relacionada às exigências legais para funcionamento de lojas francas terrestres no Brasil.
Diferentemente do comércio convencional, os free shops não podem ser instalados livremente em qualquer município. O regime é destinado a localidades de fronteira enquadradas nas condições previstas pela legislação federal.
“Cáceres está inserida na região fronteiriça com a Bolívia e mantém relações econômicas, turísticas e culturais com o país vizinho”, explica Eliandra.
Para o Grupo Cometa, a iniciativa integra uma estratégia de longo prazo voltada à exploração das oportunidades econômicas da fronteira oeste mato-grossense.
O projeto também representa uma diversificação dos negócios da empresa, cuja trajetória começou em Cáceres e se expandiu principalmente pelos setores automotivo e agropecuário.
LOGÍSTICA É DESAFIO – Se a localização na fronteira oferece vantagens comerciais, a distância dos grandes centros de abastecimento representa um dos principais obstáculos operacionais do empreendimento.
Cáceres está a mais de três mil quilômetros dos principais portos utilizados nas operações de importação e abastecimento da loja.
“A distância logística é um desafio importante”, reconhece Eliandra.
Para reduzir os custos e assegurar a regularidade no fornecimento das mercadorias, o planejamento prevê consolidação de cargas, negociação de fretes e definição dos modais de transporte mais adequados para cada operação.
A gestão do estoque será considerada estratégica, especialmente porque parte dos produtos comercializados terá origem no exterior e dependerá de procedimentos específicos de importação e distribuição.
EXEMPLO DO SUL DO PAÍS – A implantação do Pantanal Free Shop também se inspira em experiências de municípios da fronteira sul brasileira, onde o turismo de compras passou a representar uma atividade relevante para a economia local.
Um dos exemplos utilizados pelos investidores é Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
Segundo dados divulgados pela prefeitura daquele município, os free shops registraram crescimento de 35% nas vendas em 2025, alcançando US$ 50,6 milhões em comercialização ao longo do ano.
O levantamento também aponta crescimento de 25% nos empregos formais ligados ao comércio e expansão das atividades de hospedagem e alimentação desde a implantação das lojas francas.
Embora reconheça as diferenças entre as regiões, Eliandra acredita que Cáceres reúne condições para desenvolver um mercado semelhante.
“Esse desenvolvimento também será visto no Mato Grosso a partir do primeiro Free Shop em Cáceres”, afirma.
COMO FUNCIONA UMA LOJA FRANCA – Ao contrário do que o nome pode sugerir, um free shop não é um shopping center. Trata-se de uma loja franca que comercializa produtos nacionais e importados sob um regime tributário específico, semelhante ao adotado em estabelecimentos de aeroportos internacionais.
Nas cidades de fronteira, essas lojas operam conforme regras estabelecidas pela legislação federal e pela Receita Federal.
As compras estão sujeitas a limites individuais por consumidor e a mecanismos de controle eletrônico das operações. O regime também permite a comercialização de determinados produtos fabricados no Brasil, além das mercadorias importadas.
Para a gestora do Pantanal Free Shop, explicar essas características será uma das prioridades antes da inauguração.
O objetivo é esclarecer aos consumidores as regras de funcionamento, os limites de aquisição e as possibilidades oferecidas pelo novo modelo comercial.
Com a abertura prevista para outubro, o empreendimento deverá colocar Cáceres em um segmento até agora concentrado principalmente na fronteira sul do país, criando uma nova alternativa de atração de visitantes e investimentos para a região oeste de Mato Grosso.
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Assessroria
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) realiza, nos dias 18 e 19 de novembro de 2026, o Seminário “Gestão Tripartite: A importância da integração União, Estado e Municípios na Gestão Ambiental”. O evento, que acontecerá na capital, tem como objetivo central fortalecer a cooperação entre os entes federativos, promover o intercâmbio de experiências e debater estratégias para aprimorar as políticas ambientais nos municípios, com foco prioritário na regularização de imóveis rurais.
O encontro ganha relevância diante do cenário normativo atual, moldado pela Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025). A legislação unificou as regras nacionais e gerou profundas transformações na integração e na coordenação entre as autoridades licenciadoras — sejam elas o Ibama, órgãos estaduais ou municipais — e os demais órgãos intervenientes.
Foco no Sudoeste e Parceria com Cáceres
Para esta edição, a região Sudoeste do estado recebeu atenção especial. Todos os 23 municípios da região foram convidados a participar das discussões. A organização e o suporte para a mobilização contam com a colaboração direta da Diretoria da Unidade Desconcentrada da SEMA-MT em Cáceres. A regional atua como peça-chave na articulação local para garantir a presença e o engajamento dos gestores municipais.
“E muito bom fazer a diferença na vida das pessoas. Nossa missão nas regionais vai além da fiscalização, trabalhamos lado a lado com os municípios para aproximar o Estado do produtor local. A participação unida da Região Sudoeste reflete o compromisso regional com o desenvolvimento sustentável”, declarou Luiz Sergio Garcia, Diretor Regional da SEMA-MT em Cáceres.
Avanços do CAR Digital 2.0 e Agricultura Familiar
Durante o seminário, o órgão ambiental apresentará as atualizações e os avanços tecnológicos do CAR Digital 2.0. A pauta principal será a regularização de pequenas propriedades e posses rurais de até 4 (quatro) módulos fiscais em Mato Grosso. O processo é conduzido com base nas diretrizes do Código Florestal, complementado pelas normas do Sistema Mato-grossense de Cadastro Ambiental Rural (SIMCAR) e do Programa de Regularização Ambiental (PRA).
“A preocupação da Secretaria está totalmente voltada aos pequenos produtores e agricultores familiares que possuem CAF, PRONAF, DAP ou declaração de subsistência. Mudamos a perspectiva em torno da regularização rural, graças ao empenho do corpo técnico, reduzimos significativamente a burocracia e automatizamos processos, garantindo soluções rápidas sem abrir mão do rigor técnico”, afirmou Luiz Sergio Garcia, Diretor Regional da SEMA-MT em Cáceres-MT.
Reconhecimento e Fortalecimento Regional
O trabalho de descentralização e a busca pela eficiência no atendimento à população foram atribuídos ao esforço diário das Unidades Desconcentradas. Além da diretoria de Cáceres, as regionais de Tangará da Serra, Juína, Confresa, Rondonópolis, Barra do Garças, Sinop, Alta Floresta e Guarantã do Norte têm desempenhado um papel fundamental na redução de passivos ambientais históricos.
A consolidação desse modelo de gestão integrada conta com o apoio institucional e os investimentos promovidos pela Secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, e pelo Governador Otaviano Pivetta, voltados à valorização das unidades regionais e ao fortalecimento da fiscalização e regularização em todo o território mato-grossense.
“O fortalecimento das nossas regionais é um pilar estratégico para Mato Grosso. Investir nas estruturas do interior garante que a preservação ambiental caminhe em total harmonia com a força econômica e produtiva dos nossos municípios”, pontuou Secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti.
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