Cáceres
Cáceres sobre duas rodas: é preciso agir antes que a imprudência vire tragédia
Cáceres

Autora: Rosangela Cabral Rosa Lazarin*
Consultora em Políticas, Planejamento e Gestão de Turismo
Introdução
A região Oeste de Mato Grosso — compreendendo Cáceres, Vila Bela da Santíssima Trindade, Jauru e municípios vizinhos — reúne um patrimônio natural, histórico e cultural que não encontra paralelo em outras partes do Brasil. Abrangendo mais de 28 mil km², onde convivem Pantanal (60%), Cerrado (25%) e transição para a Amazônia (15%), essa área detém condições excepcionais para se consolidar como destino turístico de referência internacional, gerando desenvolvimento econômico sem renunciar à preservação.
Este texto detalha fundamentos, dados concretos, oportunidades e diretrizes para estruturar esse crescimento, alinhando potencial local, demanda global e responsabilidade compartilhada entre setor público, iniciativa privada e comunidades.
1. Um Tesouro Natural e Histórico com Números Expressivos
A região conta com atrativos únicos respaldados por dados técnicos:
– Biodiversidade: Mais de 95 espécies de mamíferos, 660 de aves, 262 de peixes e 162 de répteis registradas no Pantanal Norte; a chance de avistamento da onça‑pintada na natureza chega a 85% na estação seca — uma das maiores do mundo.
– Áreas protegidas: O Parque Estadual Serra Ricardo Franco detém 150 mil hectares de ecossistemas preservados; a Cachoeira do Jatobá, com 240 metros de queda, é a maior de Mato Grosso.
– Patrimônio: Vila Bela da Santíssima Trindade foi a primeira capital do estado, com mais de 250 anos de história e ruínas coloniais tombadas; Cáceres guarda o maior centro histórico ribeirinho do Centro‑Oeste e faz fronteira com a Bolívia ao longo de mais de 800 km dos rios Paraguai e Guaporé.
– Demanda e oferta: Em 2025, Mato Grosso recebeu mais de 1,5 milhão de turistas, com alta de 18% em relação a 2024; a região Oeste, porém, atende atualmente apenas 30% da procura existente, com projeção de crescimento de 40% no fluxo de visitantes até 2028.
2. Modelo de Desenvolvimento: Turismo Sustentável e de Experiência
O modelo mais adequado é o ecoturismo associado ao turismo cultural, de pesca e de experiência, estruturado em quatro eixos estratégicos:
1. Observação de fauna e natureza: Operações controladas, com limite de visitantes e uso de equipamentos silenciosos, visando não perturbar os ciclos ecológicos;
2. Valorização da identidade pantaneira: Preservação de saberes, festas tradicionais, gastronomia típica e memórias da fronteira;
3. Distribuição de renda: Garantia de que pelo menos 60% dos gastos turísticos permaneçam na região, beneficiando comunidades, produtores locais e pequenos empreendedores;
4. Sustentabilidade financeira e ambiental: Retorno estimado de 24 a 36 meses para empreendimentos médios, com geração de 1 posto de trabalho a cada R$ 85 mil investidos.
Dados da Euromonitor International e do Ministério do Turismo apontam que esse segmento cresce 18% ao ano no Brasil, com gasto médio por visitante entre R$ 1.200 e R$ 3.500 por viagem, podendo ultrapassar R$ 8 mil em pacotes premium internacionais.
3. Divisão de Responsabilidades: Governo e Iniciativa Privada
O avanço depende de parcerias claras e suporte financeiro consolidado: 3.1 Poder Público (Federal, Estadual e Municipal)
– Infraestrutura: Pavimentação e conservação de rodovias como a BR‑070; expansão de sinal 4G/5G e Wi‑Fi gratuito em pontos estratégicos; construção de rampas e acessibilidade universal em espaços públicos;
– Regulamentação e promoção: Licenciamento ambiental simplificado; sinalização multilíngue (português, inglês, espanhol, francês); participação em 17 feiras nacionais e internacionais em 2026 para divulgar a região;
– Incentivos financeiros: Linhas Desenvolve MT e Novo Fungetur oferecem até R$ 5 milhões por projeto, com juros de até 5% ao ano + INPC, prazo de 240 meses e até 5 anos de carência; isenção de ICMS por até 10 anos e redução de até 50% no IPTU e IPVA; apoio técnico do Sebrae com até 80% de custeio em capacitação e estruturação.
3.2 Iniciativa Privada
– Equipamentos e operação: Aquisição de embarcações elétricas, binóculos profissionais, câmeras térmicas e veículos adaptados; sistemas de pagamento internacional e atendimento bilíngue/multilíngue;
– Qualidade e inovação: Roteiros personalizados, realidade aumentada em sítios históricos, certificações ambientais e parcerias com comunidades;
– Investimento compartilhado: Projetos conjuntos como totens interativos e postos de informação, onde o governo instala a estrutura e a empresa mantém e atualiza o conteúdo.
4. Produtos Prioritários e Mercados‑Alvo
4.1 Produtos de Retorno Rápido
– Safári fotográfico da onça‑pintada: Diferencial único que atrai público de alto poder aquisitivo;
– Passeios fluviais silenciosos: Observação de aves (incluindo tuiuiús e espécies migratórias) e paisagens;
– Eventos consolidados: O FIPe — Festival Internacional de Pesca Esportiva — reúne mais de 15 mil participantes e movimenta cerca de R$ 36 milhões por edição; a Rota da Fé em Jauru e festas do Divino e São Benedito ampliam a visitação em períodos de baixa temporada;
– Gastronomia e artesanato: Valorização de peixes regionais, queijos artesanais, mel, compotas e peças feitas com fibras e sementes locais.
4.2 Mercados para Investir em Marketing
1. Mercados líderes:
– Estados Unidos: 25,83% dos turistas internacionais recebidos por Mato Grosso em 2025; gasto médio superior a US$ 3 mil por viagem aérea;
– Portugal: 17,46% dos visitantes, com forte vínculo histórico e interesse pelo patrimônio colonial;
– Chile (8,26%) e Argentina (7,64%): Proximidade geográfica, acesso terrestre e procura por viagens em família.
2. Mercados de alto valor:
– França (8,25%), Reino Unido (4,24%), Alemanha, Espanha (5,81%) e Itália (4,55%): Juntos somam cerca de 25% do fluxo internacional; valorizam sustentabilidade, história e observação de fauna;
– Holanda e Suíça: Público premium disposto a pagar mais por responsabilidade ambiental e conforto.
3. Mercados em expansão:
– Canadá, Austrália, Japão e Coreia do Sul: Demanda crescente por destinos pouco explorados e bem estruturados na América do Sul.
4.3 Perfil do Turista Ideal
– Faixa etária: 35 a 65 anos, com nível superior e renda média‑alta ou alta;
– Motivação principal: Natureza autêntica, experiências únicas, história e cultura;
– Comportamento: Usa plataformas especializadas, valoriza garantias de avistamento e certificações, prefere viajar na estação seca (junho a outubro) e compartilha muito conteúdo em redes sociais — o que amplia a divulgação orgânica da região.
5. Conclusão
O Oeste de Mato Grosso não precisa imitar outros destinos: ele detém características que não existem em nenhum outro lugar do Brasil. Cabe a nós estruturar o turismo de forma responsável, unindo governo, empresários e comunidades para transformar esse potencial em desenvolvimento real — que valoriza a terra, preserva a biodiversidade, fortalece a identidade pantaneira e gera oportunidades duradouras para quem vive aqui.
Referências Bibliográficas
1. EUROMONITOR INTERNATIONAL. Relatório de Turismo Mundial 2025. São Paulo: Euromonitor, 2025.
2. MINISTÉRIO DO TURISMO / EMBRATUR. Perfil do Turista Internacional no Brasil 2024‑2026. Brasília: MTur, 2026.
3. SECRETARIA DE ESTADO DE DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DE MATO GROSSO. Plano Diretor de Turismo Regional Oeste 2025. Cuiabá: Sedtur‑MT, 2025.
4. SEBRAE/MT; DESENVOLVE MT. Incentivos e Condições de Financiamento para o Turismo Sustentável. Cuiabá: Sebrae‑MT, 2026.
5. ICMBio. Diagnóstico Socioambiental do Mosaico de Unidades de Conservação do Pantanal Norte. Brasília: ICMBio, 2026
* Rosangela Cabral Rosa Lazarin, consultora em Políticas, Planejamento e Gestão de Turismo Regional.
Com 35 anos de trajetória dedicada ao desenvolvimento de Mato Grosso, e atuação consolidada no turismo entre 2007 e 2015, trabalho para transformar o potencial único da Região Oeste — do Pantanal ao patrimônio histórico, da Rota Internacional do Pantanal às nossas raízes — em oportunidades justas e duradouras para todos.
Elaborei o primeiro Plano Municipal de Turismo de Cáceres, aprovado e avaliado pelo Ministério do Turismo, liderei projetos para 25 municípios e sigo unindo governo, empreendedores e comunidades para consolidar nosso território como destino de excelência no Brasil e no mundo.
📩 Parcerias e projetos: [email protected]
Cáceres
Prisão Internacional – Polícia Civil captura na Bolívia membro de facção foragido por tráfico de 1,4 tonelada de drogas em MT

Assessoria | Polícia Civil-MT
Um integrante de facção criminosa, envolvido com tráfico de drogas em São Paulo e Minas Gerais e que estava foragido da Justiça, foi capturado nesta terça-feira (3.11) em ação realizada pela Polícia Civil de Mato Grosso em parceria com a Polícia da Bolívia. Ele também foi preso duas vezes pelas forças de segurança, em território mato-grossense, por traficar mais de 1,4 toneladas de drogas.
O suspeito estava com dois mandados de prisão em aberto desde 2022. Ele foi preso na cidade de Santa Cruz de La Sierra após trabalho investigativo realizado pela Gerência Estadual de Polinter e Capturas (Gepol) e pela Delegacia de Sapezal, com apoio da Polícia boliviana.
Em Mato Grosso, ele mantinha rotas do tráfico de drogas nas regiões de Vila Bela da Santíssima Trindade, Pontes e Lacerda e Cáceres, sendo investigado por integrar um grupo responsável pelo envio de grandes carregamentos de entorpecentes para a Europa.
As investigações para a localização do procurado ganharam força após a Delegacia de Sapezal trocar informações com a equipe da Polinter. Com base nos dados apurados, as autoridades bolivianas iniciaram o trabalho de campo a partir das características físicas do suspeito enviadas pela Polícia Civil mato-grossense.
Após diversas campanas executadas pela Polícia boliviana, os agentes conseguiram localizar e realizar a abordagem, confirmando a identidade do traficante foragido.
Histórico de prisões e fuga
O criminoso possui uma extensa ficha criminal, com registros por tráfico de drogas, desobediência e direção perigosa. Entre os casos de destaque, em julho de 2023, o traficante foi preso na cidade de Sapezal em posse de mais de uma tonelada de pasta base de cocaína.
Um mês após a sua prisão, o traficante foi flagrado novamente transportando 450 quilos de cocaína, mesmo sendo monitorado por tornozeleira eletrônica. Ele foi preso, mas, tempos depois, recebeu novamente o benefício da liberdade condicional, ocasião em que fugiu para a Bolívia.
Resultados operacionais e extradição
A prisão do alvo, considerado de alta periculosidade, reflete o fortalecimento das ações repressivas da Polinter voltadas aos cumprimentos de mandados de prisão de altíssima complexidade, como o de criminosos que se escondem fora do país.
O preso será apresentado ao juiz competente na cidade de Santa Cruz de La Sierra e, em seguida, será transferido e entregue às autoridades brasileiras na fronteira em Corumbá (MS) para permanecer à disposição da Justiça.
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