Cáceres
Inscrições para seletivo da Prefeitura de Cáceres terminam na segunda; salário é de R$ 3,2 mil
Cáceres

Sofia Fuckner – Especial para o GD
O que seria apenas um exame de rotina mudou a vida do jornalista Joner Ferreira de Campos, de 46 anos, em poucos dias. Morador de Cáceres (225 km de Cuiabá), ele descobriu no início de agosto um tumor de 8 centímetros no cólon direito e, após uma colonoscopia, recebeu o diagnóstico de câncer de intestino.
Agora, Joner precisa passar por uma cirurgia oncológica robótica em Cuiabá. O procedimento foi indicado pelos médicos por ser menos invasivo, proporcionar recuperação mais rápida e permitir, caso seja necessário, o início de outros tratamentos em menor tempo.
Sem plano de saúde e sem condições de arcar com o procedimento particular, estimado em R$ 70 mil, o jornalista criou uma vaquinha online para tentar conseguir o valor. Como é a principal fonte de renda da família, o diagnóstico também trouxe um impacto financeiro. Até o momento, a campanha já arrecadou R$ 30,8 mil.
A cirurgia será realizada assim que a família conseguir atingir a meta. Joner conta que a descoberta abalou toda a família. Apesar do medo diante das incertezas sobre o tratamento e da possibilidade de metástase, ele afirma encontrar na fé forças para enfrentar o momento.
“Nunca imaginei que isso me abalaria tanto assim. Sou forte, sou o sustento da minha família. Mas Deus me dá conforto e calma, me tira esse medo de metástase, se vai dar certo a cirurgia. São tantos medos que a gente passa. Eu quero muito viver para os meus filhos. Eu sei que Deus está trabalhando na minha cura”, contou ao GD.
O jornalista relata que os sintomas eram leves e poderiam facilmente ser confundidos com outros problemas. Quando comia alimentos gordurosos, sentia o estômago estufar e tinha um leve incômodo na lateral do corpo. Segundo ele, os médicos explicaram que tumores nessa região podem não apresentar sintomas claros e, quando surgem, podem ser confundidos com problemas na vesícula.
Joner construiu a carreira na comunicação em Cáceres. Trabalhou como cinegrafista na TV Pantanal de Cáceres, afiliada da TV Gazeta, e na TV Vitória Régia, da Bandeirantes. Também atuou em assessoria política e, há oito anos, criou o site Cáceres Notícias.
Casado há 22 anos com Jaqueline, Joner é pai de João, de 22 anos, Arthur, de 14, e Miguel, de seis anos, que foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Com a cirurgia como principal objetivo neste momento, o jornalista aproveita a própria experiência para alertar outras pessoas sobre a importância de investigar sinais do corpo e manter os exames em dia. “O recado que deixo a todos é que se cuidem, façam exames de rotina. Qualquer incômodo, corra ao médico para evitar que isso aconteça.”
Quem quiser contribuir com a campanha pode fazer a doação pela chave Pix [email protected].
Cáceres
Alunos da Escola Municipal Dom Máximo vivenciam saberes e sabores da cultura cacerense em aula de campo na casa da Dona Regina
Estudantes dos 1º anos da Escola Municipal Dom Máximo Biennés participaram de uma aula de campo voltada ao conhecimento e à valorização da cultura local. A atividade levou as crianças até a casa de Dona Regina, conhecida pela produção tradicional do bolo de arroz, proporcionando um encontro entre os conteúdos trabalhados em sala de aula e os saberes preservados pela comunidade.
A ação integra o Projeto Regiões do Brasil, desenvolvido pela escola. Dentro da proposta, as turmas dos primeiros anos estudam a Região Centro-Oeste, conhecendo suas características geográficas, culturais e tradições. Com a visita, esse aprendizado ganhou forma e sabor, aproximando os estudantes da história e da cultura presentes no próprio território onde vivem.
Participaram da atividade as turmas do 1º Ano A, da professora Marta Norberta; 1º Ano B, da professora Márcia Aparecida Destácio; 1º Ano C, da professora Nilma da Silva Oliveira; 1º Ano D, da professora Katiane Santana; e 1º Ano F, da professora Maria Luciana Rodrigues.
A diretora Ivoneide Assunção apoiou a realização da proposta e destacou a importância de proporcionar às crianças o contato direto com manifestações da cultura cacerense, que envolvem não apenas a culinária, mas também histórias familiares, memórias, modos de fazer e conhecimentos transmitidos entre gerações.
A experiência também está alinhada às ações de Educação Patrimonial desenvolvidas na Rede Municipal de Ensino, que reconhecem o território e os saberes da comunidade como importantes fontes de aprendizagem. Nessa perspectiva, o patrimônio vai além de prédios, monumentos e objetos históricos, estando presente também nas práticas, narrativas, conhecimentos e tradições preservadas pelas pessoas.
Durante a visita, Dona Regina compartilhou com as crianças a história de sua relação com o bolo de arroz. Ela contou que aprendeu os primeiros ensinamentos sobre o preparo da iguaria com a mãe e a avó, recordando o tempo em que, ainda muito jovem, ajudava a triturar o arroz no pilão.
O próprio ambiente onde a tradição continua sendo mantida se transformou em espaço de aprendizagem. O forno a lenha, as grandes panelas e assadeiras, o preparo dos bolinhos e as histórias contadas por Dona Regina mostraram às crianças que uma receita pode guardar muito mais do que ingredientes e técnicas culinárias: pode carregar memórias, relações familiares, modos de viver e a identidade de uma comunidade.
Para o assessor pedagógico da escola, professor Adson Seba, a experiência mostra as possibilidades de aprendizagem existentes quando a escola se aproxima do território. “A escola não precisa olhar para longe para encontrar conhecimentos importantes. Quando as crianças conhecem pessoas como Dona Regina e compreendem o que existe por trás de uma tradição como o bolo de arroz, elas começam também a reconhecer o valor da cultura do lugar onde vivem.”
O assessor pedagógico professor Lucas Mateus Faria Silva, que acompanha as ações de Educação Patrimonial da Rede, acrescentou que iniciativas como essa ampliam a compreensão das crianças sobre o conceito de patrimônio. “Educação Patrimonial também é reconhecer os saberes das pessoas que fazem a história da nossa cidade. O bolo de arroz envolve memória, trabalho, identidade e transmissão de conhecimentos.”
A aula de campo ampliou os conteúdos trabalhados anteriormente em sala de aula e aproximou os estudantes da cultura regional. Conforme registrado pelas professoras, mais do que aprender como o bolo de arroz é preparado, as crianças puderam compreender que cada receita também carrega histórias, memórias, trabalho, identidade e tradição.
A secretária municipal de Educação, Luciana de Souza Gattass Crepaldi, ressaltou que propostas dessa natureza reforçam o compromisso da Rede Municipal com a valorização dos conhecimentos construídos e preservados pela própria comunidade. “Valorizar os saberes locais é também reconhecer a nossa história e fortalecer o sentimento de pertencimento das crianças. Quando a escola aproxima os estudantes das pessoas, das memórias e das tradições de Cáceres, ela mostra que a comunidade também educa e que esses conhecimentos fazem parte do patrimônio que queremos preservar para as próximas gerações”, finalizou Luciana.
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