Cultura
A imaginação levada a sério na obra de Marcelo Xavier
Cultura
Em Belo Horizonte, o público pode conferir até o dia 12 de outubro a exposição “Asa de Papel – Marcelo Xavier”, que faz um passeio pelo universo de mais de 40 anos de produção do artista plástico, escritor e ilustrador. 

Marcelo Xavier é autor de mais de 20 livros infantis e venceu o Prêmio Jabuti de melhor ilustrador pelo livro Asa de Papel, título que dá nome à mostra em cartaz no CCBB de Belo Horizonte.
A obra do artista é apresentada como um livro expandido, do qual personagens, imagens e palavras são transportados para o espaço da exposição. O curador Marconi Drummond destaca a linguagem singular de Marcelo Xavier na literatura infanto-juvenil brasileira.
“Podemos dizer que seus livros não apenas contam histórias, eles propõem modos de ver, imaginar e compreender o mundo, […] A obra do Marcelo Xavier aborda com sensibilidade e humor questões como diversidade, inclusão, direito à cidade, cultura popular, meio ambiente, e sobretudo a potência criadora das infâncias”.
A exposição conta com recursos de acessibilidade, como maquetes táteis e conteúdos sonoros, em Libras e Braille. Autonomia e inclusão são temas que atravessam a trajetória de Marcelo Xavier: o artista de 77 anos é cadeirante e convive há mais de 20 anos com ELA, esclerose lateral amiotrófica.
Filha de Marcelo, a também artista plástica Luísa Xavier conta que a experiência do pai com massinha de modelar começou na infância em Vitória (ES) quando ele brincava de criar figuras no barro. Luísa comenta a metodologia da “chave de massinha”, desenvolvida por Marcelo.
“a massinha de modelar é uma forma de acessar muito facilmente o universo não só da criança, mas também dos adultos. Ela é um material super versátil, super colorido, muito vivo que responde muito rapidamente à nossa criatividade, à nossa imaginação e é um instrumento pedagógico fantástico.”
Com ambientes inspirados de forma lúdica em livros do artista, a mostra traz instalações, desenhos e esculturas, que também revelam a expressão do artista além dos trabalhos com massinha de modelar. Luísa Xavier destaca que a imaginação é coisa séria, não apenas para as crianças, mas também para os adultos.
“Meu pai, o Marcelo, ele tem uma frase que eu gosto muito, que faz uma pergunta: ‘por que a realidade é mais verdadeira que a fantasia, se ela também é inexplicável’? O que ele quer dizer com essa frase é que realidade e fantasia se cruzam, se mesclam. A fantasia tem é uma uma força real, que deve ser levada a sério.”
Crianças e adultos podem explorar a imaginação na mostra de Marcelo Xavier no CCBB de Belo Horizonte até o dia 12 de outubro. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos na bilheteria ou pelo site da instituição.
Cultura
Coleção Ingá revela a pluralidade da arte e da cultura brasileira
A vasta identidade cultural brasileira, expressa por diferentes temas, como a fé e a vida cotidiana, é apresentada na exposição “Coleção Ingá: Brasil plural”, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal, no centro do Rio de Janeiro.

A mostra reúne uma seleção de cerca de 200 obras do acervo do Museu de História e Artes do Estado do Rio de Janeiro, o Museu do Ingá, localizado em Niterói, região metropolitana do Rio. A instituição conta com mais de 10 mil itens, de diferentes épocas.
São exibidos artefatos dos povos originários, registros de artistas viajantes, experimentações modernas, expressões de matrizes populares e registros de sincretismos e resistências, em diferentes formatos, como pinturas, esculturas, gravuras e objetos dos séculos 19 e 20.
Os trabalhos contam com a assinatura de nomes fundamentais da arte brasileira, como destaca Marcus Lontra, um dos curadores do projeto.
“Nomes como o Cícero Dias, Di Cavalcanti, Portinari, Caribé, apresentam trabalhos de grande destaque, de grande importância na coleção, formando um painel bem significativo da produção da arte moderna no Brasil”.
Marcus Lontra conta mais sobre o trabalho de curadoria da mostra.
“A proposta curatorial reside exatamente nessa ideia de se valorizar a pluralidade brasileira. Quer dizer, para um país de dimensões continentais como o Brasil, com uma riqueza étnica e cultural gigantesca, a mostra procura revelar essas variáveis, essas várias possibilidades de se ver e interpretar o Brasil. Isso foi o que guiou os trabalhos da curadoria”.
O Museu do Ingá engloba oito acervos de diferentes fontes e naturezas, com destaque para a antiga Coleção Banerj, a Coleção de Arte Popular e a Coleção do governador Ernani do Amaral Peixoto. O curador explica como a exposição reflete a diversidade do museu.
“A mostra, ela caracteriza essa pluralidade também da coleção com obras de matriz popular, obras em gravura, metal, estilo, como Oswaldo Goeldi e outros artistas bem conhecidos e também os grandes painéis que compõem a coleção Banerj. A mostra então procurou apresentar esse painel das várias coleções que compõem a grande coleção do Museu do Ingá”.
A exposição Coleção Ingá: Brasil plural ocupa dois andares do Centro Cultural Justiça Federal, divididos em seis núcleos, como Essa Gente Brasileira, que reúne obras sobre pertencimento e identidade nacional, e Matriz Popular, dedicado às produções artísticas do povo brasileiro.
A temporada vai até o dia 27 de setembro, com entrada franca!
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