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Cultura

São Luís recebe evento que celebra cultura afro-brasileira

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São Luís recebe nesta quinta e sexta-feira um evento que celebra a cultura afro-brasileira da capital maranhense, onde mais de 73% da população é preta ou parda.

A Praça das Mercês, localizada no Centro Histórico, recebe logo mais a 3ª edição do Festival Ayó, que tem como tema este ano “Onde a raiz encontra o futuro”.

Durante dois dias, estão programadas várias ações voltadas para a valorização, celebração e fortalecimento da cultura negra maranhense e afro-brasileira.

Haverá shows, manifestações culturais como Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula, DJs, Feira Afro, além de ações formativas.

No segmento de shows e apresentações culturais, tem na quinta, a partir das 19h, e na sexta, a partir das 18h, as bandas Raiz Tribal e Feijoada Completa, Tambor de Crioula do Mestre Leonardo, Tambor de Crioula Arte Nossa, Boi da Fé em Deus, Boi de Maracanã, Boi da Floresta e o Boi da Maioba.

Outro destaque da programação é o show da cantora Sandra de Sá, uma voz que atravessa mais de quatro décadas de carreira levando ritmos negros do blues, funk e R&B como símbolos do seu repertório.

Já os DJs da Radiola Zion e da Radiola Reggae, além de Carlos Mafra, referências da musicalidade negra no Maranhão, trarão para o público uma playlist que atravessa o reggae, soul, funk, hip-hop, jazz e outros ritmos da diáspora negra, celebrando a cultura, o encontro e o pertencimento.

O Festival Ayó é promovido pelo Instituto Cultural Pé no Chão e a programação é totalmente de graça. No Instagram oficial do evento, @festivalayoma, é possível saber os detalhes da programação dia a dia.




Fonte: EBC Cultura

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Viva Maria: Arte transforma vivência com HIV em resistência

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Micaela Cyrino nasceu em São Paulo, e vive com HIV desde o nascimento, por transmissão vertical. Pertence à geração de crianças infectadas no início da epidemia, quando ainda não existiam protocolos eficazes de prevenção nem acesso amplo ao tratamento.

Perdeu a mãe para a AIDS aos seis anos. Após o diagnóstico, foi encaminhada para um abrigo destinado a crianças vivendo com HIV, onde permaneceu até os 18 anos. Considera que foi ali que construiu sua verdadeira família, formada por outras crianças, educadores e funcionários.

Cresceu em meio aos primeiros tratamentos contra o HIV, marcados por medicamentos pouco adaptados para crianças e regimes extremamente pesados. Também conviveu com a morte de muitos amigos do abrigo, experiência que marcou profundamente sua adolescência.

Recebeu formação em artes desde cedo, estudou Moda e depois Artes na Faculdade Santa Marcelina. Paralelamente, iniciou ainda adolescente sua atuação no movimento de pessoas vivendo com HIV, ao decidir revelar publicamente sua sorologia por meio de uma peça de teatro apresentada em sua escola.

Em 2008, ajudou a fundar a Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV, que mais tarde se expandiu para a América Latina. Sua atuação incorporou também as pautas do feminismo e do movimento de mulheres negras.

Atualmente, concentra sua militância na produção artística. Desenvolve performances, pinturas e intervenções urbanas que discutem HIV, estigma, negritude e a indústria farmacêutica. Tem obras integrando acervos da Pinacoteca de São Paulo e do Museu da Diversidade.

Micaela vê o estigma como um dos principais obstáculos da resposta ao HIV e defende que o tema deixe de ser tratado como um segredo. Prefere uma militância baseada na arte, no acolhimento e no diálogo, em vez do confronto permanente. Depois de crescer cercada pela expectativa da morte, afirma que seu maior projeto hoje é aprender a envelhecer e imaginar um futuro longo para si mesma.

 

 


Fonte: EBC Cultura

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