Economia
Réveillon em Natal projeta 90% de ocupação hoteleira
Economia
O réveillon no litoral nordestino consolidou-se como um dos períodos de maior demanda para o turismo doméstico brasileiro, especialmente em destinos de sol e praia. Cidades como Natal, Fortaleza, Maceió e Porto Seguro costumam registrar forte pressão por hospedagem nas semanas que antecedem 31 de dezembro, movimento que tem levado hotéis a anteciparem estratégias comerciais, operacionais e de comunicação ainda no primeiro semestre.
No Rio Grande do Norte, a força da virada de ano já foi observada na última alta temporada. Levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte projetou ocupação de 89,7% para o Réveillon 2026, acima dos 87% registrados no ano anterior, reforçando a posição do destino como um dos mais procurados do país nesse período.
A atratividade do Nordeste no verão também aparece em levantamentos nacionais. Segundo o Ministério do Turismo, a região já liderou a procura por hospedagem nas férias de janeiro, com sete localidades nordestinas entre os destinos mais buscados em levantamento divulgado pela Decolar.
Antecedência muda a lógica do setor
Na prática, o réveillon passou a funcionar como um produto turístico de alta sensibilidade comercial. A demanda é concentrada, a disponibilidade é limitada e a expectativa do hóspede é elevada. Por isso, hotéis que dependem do fluxo de fim de ano precisam iniciar a comunicação antes que o consumidor chegue à fase final de decisão.
Clima, festas e experiência impulsionam a escolha
A preferência pelo litoral nordestino durante a virada de ano é explicada por uma combinação de fatores. Clima quente, praias urbanas, festas, gastronomia regional e estrutura hoteleira fazem da região uma escolha recorrente para famílias, casais e grupos de amigos que buscam unir descanso e celebração.
O turista tem valorizado experiências completas, com serviços que facilitem a estadia e reduzam deslocamentos externos. Segundo o Ministério do Turismo, pesquisa da TRVL Lab em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aponta que, para 86% dos viajantes, as experiências vivenciadas são hoje o aspecto mais importante de uma viagem, o que explica por que programação própria e conveniência passaram a influenciar diretamente a escolha da hospedagem.
Natal e o calendário de fim de ano
Natal concentra, no último mês do ano, uma sequência de eventos que posiciona a cidade como um dos principais destinos de entretenimento do Nordeste. O Carnatal, maior micareta fora de época do Brasil, está previsto para os dias 4, 5 e 6 de dezembro de 2026. Na sequência, as festas natalinas movimentam o centro histórico e os bairros turísticos, com o réveillon encerrando o ciclo como ponto alto da temporada.
Nas duas últimas edições, a Prefeitura de Natal organizou shows de réveillon na areia da praia de Ponta Negra, com o palco posicionado próximo ao Esmeralda Praia Hotel. A localização permitiu que os hóspedes acompanhassem as apresentações diretamente da praia e retornassem ao hotel com facilidade ao longo da noite. A queima de fogos, realizada sobre o mar, pôde ser vista do deck do hotel, oferecendo uma vista direta sem que o hóspede precisasse deixar a propriedade.
Ponta Negra como um dos centros da demanda em Natal
Em Natal, o bairro de Ponta Negra é uma das principais regiões turísticas da cidade, reconhecida pela praia, pela orla e pelo Morro do Careca, um dos cartões-postais potiguares. A concentração de hotéis, restaurantes e serviços turísticos faz da região um dos endereços mais procurados durante a alta temporada.
Gianluca Dalessandro, CEO do Esmeralda Praia Hotel, empreendimento localizado de frente para a praia de Ponta Negra, avalia que o réveillon no litoral nordestino deixou de funcionar como um simples pico de temporada e passou a estruturar o planejamento comercial de todo o segundo semestre. “A demanda para a virada de ano chega antes do esperado, e quem não se prepara operacionalmente com antecedência compromete a experiência do hóspede em um momento em que a tolerância para falhas é muito baixa”, afirma o executivo.
Réveillon temático como produto de experiência
Uma das estratégias adotadas por estabelecimentos da região para qualificar a oferta de fim de ano é a realização de festas temáticas próprias. O Esmeralda Praia Hotel desenvolve esse modelo todos os anos: a virada de 2023 para 2024 teve como tema os Anos 80, a de 2024 para 2025 foi ambientada na Grécia Antiga e a edição 2025/2026 adotou o conceito Futurista. Para a virada de 2026 para 2027, o tema ainda será divulgado pelo hotel.
Ruan Henrique, supervisor de marketing do Esmeralda Praia Hotel, descreve a estrutura que tem marcado as edições do evento. “O réveillon do Esmeralda é pensado como uma experiência completa para o hóspede. Cada edição tem uma identidade visual própria, com decoração, figurino sugerido e programação alinhados ao tema do ano. A festa conta com bandas ao vivo, mesas exclusivas para os hóspedes, espumante de cortesia servido na virada, open bar e open food na modalidade premium. A ideia é que o hóspede não precise sair do hotel para viver uma noite memorável, mas que também tenha a liberdade de aproveitar a programação da cidade e voltar com facilidade”, explica o executivo.
Perspectivas para o segundo semestre
Com a data de publicação desta reportagem situada em junho de 2026, o mercado hoteleiro nordestino já opera em ritmo de preparação para um dos períodos mais disputados do ano. Para D’alessandro, o movimento reforça uma mudança estrutural no setor. “O hóspede que reserva com antecedência para o réveillon não está buscando apenas uma cama e uma vista para o mar. Ele está comprando um conjunto de experiências, e o hotel precisa estar preparado para entregar isso com consistência”, conclui o executivo.
Economia
Brasil cria 121,3 mil postos de trabalho em setembro, aponta Caged
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta quarta-feira (4), apontam que 121,3 mil postos de trabalho com carteira assinada foram abertos em setembro. O indicador mede a diferença entre contratações e demissões.
O saldo é 24,7% maior em relação a agosto, quando o país criou 161 mil empregos.
A criação de empregos caiu 43,5% em comparação a setembro do ano passado, pressionada pelos juros altos e pela desaceleração da economia. No mesmo mês de 2025, tinham sido criados 214,6 mil postos de trabalho, nos dados com ajuste, que consideram declarações entregues em atraso pelos empregadores.
Em relação aos meses de setembro desde 2020, esse é o resultado mais baixo da série. A mudança da metodologia no Caged impede a comparação com anos anteriores a 2020.
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Acumulado
De janeiro a setembro, o Caged registrou queda de 27,9% no acumulado de vagas formais:
- 1.248.914 (nove meses de 2026);
- 1.731.398 (nove meses de 2025).
Os dados trazem ajustes, quando o Ministério do Trabalho registra declarações entregues fora do prazo pelos empregadores e retifica os dados de meses anteriores.
Setores
Na divisão por ramos de atividade, quatro dos cinco setores pesquisados criaram empregos formais em setembro. Só a agropecuária demitiu mais do que contratou.
- Serviços: 81.241 postos;
- Indústria (de transformação, de extração e de outros tipos): 19.285;
- Comércio: 15.697;
- Construção civil: 9.468;
- Agropecuária: -4.381.
Tradicionalmente, o mês de setembro é fraco para a agropecuária, por causa do início do plantio. No entanto, representa alta na atividade industrial, com as fábricas começando a produzir para o Natal.
Destaques
Nos serviços, a criação de empregos foi puxada pelo segmento de atividades administrativas e serviços complementares, com a abertura de 18,3 mil postos formais. A categoria de saúde humana e serviços sociais abriu 15,4 mil vagas. O setor de transporte, armazenagem e correio criou 13,2 mil postos.
Na indústria, o destaque positivo ficou com o segmento de serviços especializados para fabricação de produtos alimentícios (17 mil), fabricação de veículos automotores (2,1 mil) e coleta, tratamento, disposição de resíduos e recuperação de materiais (1,48 mil).
No comércio, o maior gerador de empregos foi o comércio varejista (9,43 mil), seguido por comércio por atacado, exceto veículos automotores e motocicletas (3,87 mil.
Na construção, os destaques foram obras de infraestrutura (4,66 mil) e serviços especializados para construção (3,9 mil).
Regiões e estados
Todas as cinco regiões registraram abertura de vagas formais em setembro.
Veja abaixo o desempenho de cada região:
- Nordeste: 49.142 postos;
- Sudeste: 39.404;
- Norte: 14.748;
- Sul: 9.949;
- Centro-Oeste: 7.894.
Na divisão por unidades da Federação, 26 registraram saldo positivo. Apenas o Rio Grande do Sul demitiu 2, 9 mil a mais do que contratou. Os destaques na criação de empregos foram em São Paulo (19,3 mil), Pernambuco (13,3 mil) e Alagoas (11,1 mil).
As unidades da Federação com o menor saldo de abertura de empregos formais em setembro foram Acre (235), Goías (307) e Maranhão (654).
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Rio Grande do Sul, as demissões decorrem do fim da safra de fumo e da retração no comércio varejista.
Salário médio
O salário médio real de admissão em setembro totalizou R$ 2.429,41. Isso representa:
- redução de R$ 1,10 (-0,05%) em relação a agosto (R$ 2.430,51);
- aumento de R$ 44,90 (1,88%) em relação a setembro de 2025 (R$ 2.384,51).
Carteira assinada
Com a criação de empregos formais, o número de trabalhadores com carteira assinada encerrou setembro em 48,35 milhões, alta de 0,25% em relação a agosto e de 1,65% em relação ao mesmo mês do ano passado.
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