Economia
calor atípico antecipa alerta da dengue
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Tradicionalmente associada ao verão e ao período chuvoso, a dengue vem mudando seu padrão de contágio no Brasil. Os meses de junho a setembro, que historicamente marcavam um período de trégua com temperaturas mais baixas e tempo seco, apresentam agora um cenário climático atípico, exigindo mudança imediata na estratégia das autoridades de saúde.
O principal fator por trás dessa mudança é a influência de anomalias térmicas, agravadas por fenômenos como o El Niño. Segundo relatórios da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a maior frequência dessas ondas de calor afeta diretamente o ecossistema urbano, especialmente nas regiões Sul e Sudeste.
O relógio biológico do mosquito e a lição de 2024
Historicamente, o declínio das temperaturas atua como um inibidor biológico para o Aedes aegypti, forçando os ovos do mosquito a entrarem em um estado de letargia térmica. Contudo, estudos monitorados pelo Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz apontam que, com invernos quentes e atipicamente chuvosos, o ciclo metabólico do vetor não é interrompido. Ele continua se multiplicando silenciosamente durante o período interepidêmico.
Como consequência, quando chegam o calor e as primeiras chuvas da primavera, já se encontra estabelecida uma população de mosquitos em níveis críticos. Foi exatamente esse cenário que antecedeu os recordes negativos de 2024, apontado pelo Ministério da Saúde como o ano mais letal da história da doença no país. O dado deixa uma evidência clara: os picos epidêmicos do verão são construídos meses antes.
A tecnologia assumindo a linha de frente
Diante de um vetor que não obedece mais ao calendário das estações, depender exclusivamente de Agentes de Combate às Endemias (ACEs) caminhando quarteirão por quarteirão para encontrar possíveis focos escondidos tornou-se um processo lento. Para contornar esse déficit prático, municípios de diversas regiões do país estão complementando o trabalho de campo (nível solo) com o monitoramento aéreo por meio do uso de drones.
Um exemplo prático dessa integração é o programa Techdengue. A iniciativa utiliza inteligência da informação, inteligência artificial e drones para mapear o território urbano. Atualmente, o modelo de monitoramento já atua em mais de 630 municípios e impacta diretamente a vida de 18 milhões de brasileiros.
Em vez de buscas às cegas, o programa atua em etapas de alta precisão. Drones sobrevoam as cidades, capturando imagens georreferenciadas que, em seguida, são processadas por inteligência artificial. O sistema identifica automaticamente potenciais criadouros, como caixas d’água destampadas, lajes com acúmulo, entre outros, classificando-os de acordo com as métricas do Ministério da Saúde (LIRAa).
Do mapeamento ao tratamento pelo ar
O salto tecnológico, no entanto, vai além da simples observação. O programa permite que os próprios drones realizem o tratamento em áreas de risco que seriam inatingíveis para um humano. Durante um voo de aproximadamente 30 minutos, a aeronave consegue sobrevoar áreas de difícil acesso e dispensar larvicidas biológicos na dosagem exata em até 26 possíveis criadouros diferentes, com um índice de assertividade superior a 95%.
Dados do programa mostram que um sobrevoo de 40 minutos consegue cobrir uma área equivalente a 80 dias de varredura territorial de campo, otimizando a força de trabalho municipal.
Os resultados práticos dessa abordagem preditiva têm se mostrado massivos. Nos locais mapeados pela tecnologia, observa-se uma redução de mais de 90% nos casos de dengue, o que gerou, em apenas um ano, uma economia de mais de R$ 90 milhões ao sistema público de saúde.
O recado deixado pelos dados epidemiológicos é que o inverno atípico eliminou o período de descanso da saúde pública. Com a transição para o mapeamento preventivo e tecnológico, a expectativa das secretarias de saúde é frear a reprodução do inseto com antecedência, garantindo que a rede hospitalar não enfrente um novo colapso nos próximos meses.
Sobre o Techdengue
O Techdengue é um programa voltado para a saúde pública que utiliza drones e análise de dados geográficos para conter a proliferação do Aedes aegypti. Com a aplicação de inteligência artificial e o uso de algoritmos sofisticados, são geradas informações precisas sobre as áreas de risco, permitindo ações rápidas e eficientes para conter o avanço da doença e proteger a população de forma preventiva.
Economia
retatrutida tem resultado similar à bariátrica
Os resultados divulgados recentemente pela farmacêutica Eli Lilly sobre a retatrutida, medicamento experimental para tratamento da obesidade, vêm chamando a atenção da comunidade médica internacional. Os dados do estudo de fase 3 TRIUMPH-1 indicam uma perda média de peso de até 28,3% após 80 semanas de tratamento, desempenho que se aproxima dos resultados tradicionalmente observados em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
A pesquisa avaliou 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sem diabetes. Os participantes que receberam a dose mais alta da medicação perderam, em média, 31,9 quilos, o equivalente a 28,3% do peso corporal. Além disso, 45,3% dos pacientes alcançaram redução superior a 30% do peso, patamar historicamente associado aos resultados da cirurgia bariátrica.
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos para obesidade e atua simultaneamente sobre três receptores hormonais — GLP-1, GIP e glucagon —, mecanismo que busca potencializar o controle do apetite, o gasto energético e o metabolismo.
Para o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em emagrecimento definitivo e longevidade e fundador do Instituto Evollution, os resultados reforçam uma transformação significativa na forma como a obesidade vem sendo tratada.
“Estamos observando uma evolução muito rápida das terapias para obesidade. Durante décadas, a cirurgia bariátrica foi considerada a principal alternativa para pacientes com excesso de peso importante. Agora começamos a ver medicamentos capazes de entregar resultados próximos aos da cirurgia, porém sem os riscos inerentes a um procedimento invasivo de grande porte”, afirma.
Segundo o especialista, que já acompanhou mais de 2 mil pacientes em protocolos clínicos utilizando análogos de GLP-1, a chegada de terapias cada vez mais eficazes amplia as possibilidades terapêuticas para diferentes perfis de pacientes.
“A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Quanto mais ferramentas seguras e eficazes tivermos à disposição, maiores serão as chances de individualizar o tratamento e alcançar resultados sustentáveis a longo prazo”, explica Dr. Joaquim Menezes.
Além da perda de peso, os participantes do estudo também apresentaram melhora em diversos indicadores cardiometabólicos, incluindo redução da circunferência abdominal, dos triglicerídeos, da pressão arterial sistólica e de marcadores inflamatórios relacionados ao risco cardiovascular.
Os efeitos adversos observados foram predominantemente gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, perfil semelhante ao já conhecido em medicamentos da mesma classe. Cerca de 11% dos participantes interromperam o tratamento devido a eventos adversos.
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, Dr. Joaquim destaca que a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento e depende da conclusão dos processos regulatórios para chegar ao mercado.
“Os dados são extremamente promissores e mostram para onde a medicina da obesidade está caminhando. Mas é importante lembrar que estamos falando de uma terapia ainda em avaliação regulatória. O mais relevante neste momento é compreender que o tratamento da obesidade evolui rapidamente e que o futuro tende a oferecer opções cada vez mais eficazes e menos invasivas para os pacientes”, conclui.
Especialistas avaliam que, caso os resultados sejam confirmados nas próximas etapas regulatórias, a retatrutida poderá representar um novo marco no tratamento da obesidade, aproximando pela primeira vez os resultados farmacológicos daqueles tradicionalmente obtidos por procedimentos cirúrgicos.
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