Economia
Mulheres avançam e enfrentam desafios no setor financeiro
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Dados recentes confirmam que a presença feminina em cargos de liderança no mercado financeiro e de meios de pagamento tem crescido de forma consistente, mas ainda enfrenta barreiras estruturais e culturais. Em 2026, mulheres já representam 35,4% da força de trabalho no mercado de capitais brasileiro, mas sua participação em cargos de alta gestão (CFOs, CIOs, gestoras de portfólio) continua limitada.
Nesse contexto, o painel realizado pela Pagos — Associação Brasileira do Ecossistema de Pagamentos — no último mês de maio, que reuniu Juliana Pentagna Guimarães, diretora-executiva do Banco BS2, Carol Corvalán, diretora de vendas da PagBank, e Linconl Rocha, presidente da Pagos, elucidou tais obstáculos e as perspectivas para o avanço das mulheres no setor.
“Hoje, aproximadamente 30% das posições de liderança do BS2 são ocupadas por mulheres. É um avanço relevante e que reflete a evolução natural da participação feminina em funções estratégicas ao longo dos últimos anos”, destaca Juliana. “Porém, acredito que o número ideal ainda está longe e que o mercado precisa caminhar para um equilíbrio maior. A diversidade de visões que a liderança feminina traz é essencial para ampliar debates e encontrar soluções inovadoras”, complementa.
Mudanças na cultura corporativa
Carol Corvalan ressalta, afirmando que: “Competência, preparo e dedicação são os verdadeiros diferenciadores neste mercado. Apesar de haver um avanço, a cultura corporativa ainda é bastante machista. Conciliar as demandas do trabalho com a vida pessoal, sobretudo na maternidade, é um desafio diário que exige apoio familiar e muita resiliência. Acredito que o mercado esteja evoluindo para abrir espaço a profissionais competentes, independentemente de gênero”.
O presidente da Pagos, Linconl Rocha, reforça essa mudança cultural: “Não se trata apenas de uma agenda feminista, mas da importância estratégica de ampliar o protagonismo feminino nas instituições financeiras. O aumento da sensibilidade e do olhar cuidadoso, típico das mulheres, tem gerado impactos positivos na forma como desenvolvemos produtos e serviços. Além disso, essa diversidade é capaz de gerar maior engajamento e cultura organizacional sólida”.
Performance financeira
Alguns dados corroboram esse movimento. Estudo publicado em 2024 na revista International Review of Financial Analysis, por exemplo, aponta que empresas com maior participação de mulheres em cargos de alta liderança apresentam uma eficiência de investimentos cerca de 11% superior à média observada no mercado, impulsionada pela redução de decisões de sobreinvestimento e subinvestimento.
Reportagem do g1, publicada em março de 2025, demonstra que, embora a participação feminina em empresas do mercado financeiro tenha aumentado, a proporção de mulheres ainda é baixa (15% do quadro total). Além disso, persistem desafios estruturais, como assédio, salários em média 68,7% menores que os dos homens e forte sub-representação em cargos de liderança e gestão de fundos, em que elas representam apenas 4,75% dos gestores ativos no país.
Criação de um ambiente que favoreça o crescimento das mulheres
“O desafio está não só em abrir espaço, mas também em criar um ambiente que favoreça o crescimento e a permanência dessas profissionais”, comenta Juliana. “Para isso, fortalecer políticas internas, promover mentorias e reverter vieses culturais são fundamentais”, acentua a executiva.
“Mais do que olhar para números isoladamente, acredito na importância de construir um ambiente que valorize competência, desempenho e diversidade de experiências. Isso enriquece a tomada de decisão e fortalece a capacidade das empresas de inovar e gerar resultados consistentes”, acrescenta.
Carol Corvalán assinala que esse debate ganha ainda mais relevância em um momento em que o setor financeiro vive revoluções tecnológicas, regulatórias e de experiência do cliente, exigindo visão ampla e diversidade para se manter competitivo. “A integração dos mundos bancário e de pagamentos, por exemplo, demanda diversas competências, e o olhar feminino tem sido um diferencial na construção desse ecossistema inovador”.
Linconl conclui, enfatizando: “Estamos vivenciando uma transformação sem volta. Acreditamos que o protagonismo feminino é parte crucial dessa mudança e continuaremos a fomentar essa agenda para que o mercado financeiro brasileiro seja cada vez mais plural, inclusivo e eficiente”.
A reflexão do último painel da Pagos, pautada em experiências reais e dados atualizados, evidencia que, apesar dos desafios, a liderança feminina no mercado financeiro caminha para se consolidar não apenas como bandeira social, mas como um imperativo estratégico para o futuro do setor.
Economia
retatrutida tem resultado similar à bariátrica
Os resultados divulgados recentemente pela farmacêutica Eli Lilly sobre a retatrutida, medicamento experimental para tratamento da obesidade, vêm chamando a atenção da comunidade médica internacional. Os dados do estudo de fase 3 TRIUMPH-1 indicam uma perda média de peso de até 28,3% após 80 semanas de tratamento, desempenho que se aproxima dos resultados tradicionalmente observados em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.
A pesquisa avaliou 2.339 adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, sem diabetes. Os participantes que receberam a dose mais alta da medicação perderam, em média, 31,9 quilos, o equivalente a 28,3% do peso corporal. Além disso, 45,3% dos pacientes alcançaram redução superior a 30% do peso, patamar historicamente associado aos resultados da cirurgia bariátrica.
A retatrutida pertence a uma nova geração de medicamentos para obesidade e atua simultaneamente sobre três receptores hormonais — GLP-1, GIP e glucagon —, mecanismo que busca potencializar o controle do apetite, o gasto energético e o metabolismo.
Para o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em emagrecimento definitivo e longevidade e fundador do Instituto Evollution, os resultados reforçam uma transformação significativa na forma como a obesidade vem sendo tratada.
“Estamos observando uma evolução muito rápida das terapias para obesidade. Durante décadas, a cirurgia bariátrica foi considerada a principal alternativa para pacientes com excesso de peso importante. Agora começamos a ver medicamentos capazes de entregar resultados próximos aos da cirurgia, porém sem os riscos inerentes a um procedimento invasivo de grande porte”, afirma.
Segundo o especialista, que já acompanhou mais de 2 mil pacientes em protocolos clínicos utilizando análogos de GLP-1, a chegada de terapias cada vez mais eficazes amplia as possibilidades terapêuticas para diferentes perfis de pacientes.
“A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial. Quanto mais ferramentas seguras e eficazes tivermos à disposição, maiores serão as chances de individualizar o tratamento e alcançar resultados sustentáveis a longo prazo”, explica Dr. Joaquim Menezes.
Além da perda de peso, os participantes do estudo também apresentaram melhora em diversos indicadores cardiometabólicos, incluindo redução da circunferência abdominal, dos triglicerídeos, da pressão arterial sistólica e de marcadores inflamatórios relacionados ao risco cardiovascular.
Os efeitos adversos observados foram predominantemente gastrointestinais, como náuseas, vômitos, diarreia e constipação, perfil semelhante ao já conhecido em medicamentos da mesma classe. Cerca de 11% dos participantes interromperam o tratamento devido a eventos adversos.
Apesar do entusiasmo gerado pelos resultados, Dr. Joaquim destaca que a retatrutida ainda está em fase de desenvolvimento e depende da conclusão dos processos regulatórios para chegar ao mercado.
“Os dados são extremamente promissores e mostram para onde a medicina da obesidade está caminhando. Mas é importante lembrar que estamos falando de uma terapia ainda em avaliação regulatória. O mais relevante neste momento é compreender que o tratamento da obesidade evolui rapidamente e que o futuro tende a oferecer opções cada vez mais eficazes e menos invasivas para os pacientes”, conclui.
Especialistas avaliam que, caso os resultados sejam confirmados nas próximas etapas regulatórias, a retatrutida poderá representar um novo marco no tratamento da obesidade, aproximando pela primeira vez os resultados farmacológicos daqueles tradicionalmente obtidos por procedimentos cirúrgicos.
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