Saúde
SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros
Saúde
A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber vacina contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento oferecido é o nirsevimabe, que amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causa da doença.

O ministério da Saúde explica que o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal, capaz de fornecer proteção imediata. Não há necessidade, nesse caso, de estimular o sistema imunológico do bebê a produzir seus próprios anticorpos.
São considerados bebês prematuros aqueles nascidos com idade gestacional inferior a 37 semanas. Entre as comorbidades que atingem bebês de até 2 anos de idade são: doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida, e síndrome de Down.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, 300 mil doses já foram distribuídas para todo o país.
O SUS já oferece a vacina contra o VSR para gestantes, a partir da 28ª semana de gravidez, protegendo os bebês desde o nascimento. O vírus é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% dos casos de pneumonia em crianças menores de dois anos.
Em 2025, até a 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR. Desses casos, a maior concentração de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos de idade, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SARG por VSR no período.
Como a maioria dos casos é decorrente de infecção viral, não existe um tratamento específico para a bronquiolite. O manejo é baseado apenas no tratamento dos sinais e sintomas que incluem: terapia de suporte; suplementação de oxigênio, conforme necessário; hidratação; e uso de broncodilatadores, (substâncias que promovem a dilatação das pequenas vias aéreas nos pulmões), especialmente quando há chiados evidentes.
Saúde
Cesárea aumenta risco de câncer de placenta após mola gestacional
Pessoas que passaram por cesariana têm 45% mais risco de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que surge a partir de células da placenta e cresce no útero. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 

A neoplasia trofoblástica é a consequência mais grave da doença trofoblástica, mais conhecida como mola gestacional. Ela ocorre quando a fertilização anormal entre óvulos e espermatozóides dá origem a uma estrutura placentária anômala, algumas vezes sem feto (mola completa), outras com um feto inviável (mola parcial).
Em até 20% dos casos, células da mola gestacional se alojam no útero e evoluem para o câncer de placenta. No Brasil, a incidência de doença trofoblástica é de um caso a cada 200 a 400 gestantes, com cerca de 2,9 mil registros de neoplasia por ano.
Já se sabia que o risco de neoplasia é maior nos casos de mola completa, em pacientes com mais de 40 anos, em mulheres com níveis muito elevados do hormônio HCG ou que já tenham vivido episódios anteriores de mola completa e cistos nos ovários.
Referência internacional
A idéia de investigar a relação entre as cesáreas e o câncer de placenta surgiu após a publicação de um estudo semelhante feito na Coreia do Sul, mas com poucas pacientes, como explica a líder da pesquisa brasileira, Gabriela Paiva.
A Maternidade Escola da UFRJ, ligada à rede HU Brasil e ao Sistema Único de Saúde, abriga o Ambulatório de Doença Trofoblástica Gestacional, terceiro maior centro de pesquisa e atendimento de mola do mundo. Toda semana, cerca de 80 pacientes com mola são atendidas na unidade.
“Com a quantidade de pacientes que a gente tem aqui, a gente pensou que poderia fazer essa avaliação trazendo um resultado muito mais preciso. Considerando também a grande quantidade de cesarianas que é feita no Brasil”, complementa Gabriela, que também atua como médica no ambulatório
.
A pesquisa foi feita em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, ligado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Foram analisados dados de 2.904 pacientes atendidas lá e no hospital da UFRJ, entre 2002 e 2022, sendo 83,9% sem histórico de cesárea e 468 com ao menos uma cirurgia do tipo.
Entre as mulheres que já tinha sido submetidas à cesariana, 26,5% desenvolveram o câncer, contra 20,8% daquelas que não tinham esse histórico. Todos os outros fatores que pudessem contribuir para esse resultado foram controlados, mostrando que a cirurgia prévia aumenta o risco de forma independente.
A principal hipótese dos pesquisadores é que o corte do útero, feito durante a cesariana, desregule o sistema imunológico da mulher, além de obrigar o remodelamento dos vasos sanguíneos e causar fibrose.
“A cicatriz da cesárea é uma área frágil dentro do útero. Então, é como se fosse uma porta de entrada para a mola, que acaba tendo mais poder de invasão para entrar no útero e levar ao câncer”, complementa Gabriela Paiva, que realizou a pesquisa durante o seu doutorado.
Contexto brasileiro
O coordenador do ambulatório e orientador do trabalho, Antônio Braga, destaca a importância desse achado no contexto do Brasil, que lidera as taxas mundiais de cesárea. Enquanto a Organização Mundial da Saúde preconiza que 15% dos nascimentos devem ocorrer por via cirúrgica, essa proporção chega a 55% no país.
“Esse é um tema que merece ser tratado como mais um risco agregado para as mulheres submetidas a cesarianas. Cesariana é uma cirurgia salvadora de vidas, muito importante para garantir a segurança da mãe e do bebê, mas ela deve ser feita de forma consciente”, acrescenta.
“A neoplasia trofoblástica gestacional pós-molar também deve ser considerada uma possível consequência de longo prazo do parto cesáreo prévio”, ao lado de outros desfechos adversos já conhecidos, como “risco de ruptura uterina, do espectro da placenta acreta, de parto prematuro e de outras complicações”, defendem os autores.
O estudo estima ainda que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesarianas do país, chegando a 35%, poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer por ano, uma redução de 6,1% na incidência anual estimada da doença.
Apesar da força da correlação, os pesquisadores não recomendam que as mulheres com histórico de cesariana passem por um tratamento mais agressivo caso desenvolvam a neoplasia. A principal recomendação é que elas sejam acompanhadas com maior vigilância desde o diagnóstico da mola.
Atualmente, a conduta nos casos de câncer envolve o esvaziamento do útero por aspiração, sessões de quimioterapia, e o monitoramento do hormônio HCG, produzido durante a gravidez e também nos casos de mola. A histerectomia, ciurgia de retirada do útero, só é recomendada em casos específicos.
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