Cultura
Blocos afros são destaque no Carnaval de São Luís
Cultura
Os Blocos Afros do Maranhão são manifestações culturais que materializam a ancestralidade, a resistência e a força da cultura negra no estado. 

No Carnaval de São Luís, eles estão entre os destaques da programação todos os anos.
Os Blocos Afros resgatam a estética dos guerreiros das tribos africanas ao som dos tambores que ecoavam nas senzalas.
E nesta sexta-feira, a partir das quatro da tarde, 14 blocos afro tomam as ruas do Centro Histórico da capital maranhense em cortejo pelas ruas cercadas pelo casario centenário.
A concentração será na Praça Deodoro em direção à Praça Nauro Machado.
Participam do desfile os blocos: Abibimã, Africanidade, Akomabu, Aruanda, GDAM, Officina Affro, Filhos do Rei Xangô, entre outros.
No Maranhão, estes blocos são guardiões das tradições de matriz africana, seja na religiosidade, na música, no vestuário, na culinária e também realizam ações sociais e formativas junto às comunidades onde atuam. Muitos integrantes ainda mantêm ligação com outras manifestações típicas do estado, como o Bumba Meu Boi e o Tambor de Crioula.
Entre os mais antigos estão os blocos Akomabu e Abibimã, fundados em 1984 e 1990, respectivamente.
Já o GDam, além do tradicional Grupo de Dança Afro Malungos também é responsável por outra manifestação marcante do carnaval ludovicense, o Bloco do Reggae, que este ano completa 20 anos e homenageia duas referências do ritmo, os cantores Jimmy Cliff e Bob Marley.
Cultura
Museu das Amazônias, em Belém, reabre trazendo a diversidade da região
Depois de sete meses fechado, o Museu das Amazônias reabriu nesta quarta-feira (4), em Belém, com duas exposições gratuitas. O espaço, que fica no Complexo Porto Futuro, foi inaugurado em outubro do ano passado, como parte do legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi sediada na capital paraense.

A diversidade amazônica é o tema da mostra “Amazônias no Plural”, que ocupa o térreo do museu. O percurso da exposição acompanha o corpo de uma serpente em seis ambientes que retratam o surgimento do território, e a relação entre passado, presente e futuro. Entre as obras está a instalação “Diversidade como Essência” da artista visual Roberta Carvalho. Ela conta que o trabalho entrelaça natureza e seres humanos.
“É uma instalação imersiva em 360 graus onde você tem projeções que são realizadas nas paredes e no piso. Ao centro dessa instalação você tem um móvel de Miritim. Você tem ali um vídeo que conta essa história desde o momento em que um grande asteroide atinge a Terra, passando pela formação desse terreno, contando a história da nossa diversidade de espécies, mostrando muitas imagens de povos, de florestas, de cidade”.
Uma das curadoras da exposição, Joice Ferreira, comenta o processo de escuta que resultou na celebração do território amazônico e de todos os seus povos.
“Houve um processo de escuta com diferentes organizações e representantes de vários países amazônicos, não foi apenas do Brasil, para identificar quais são as histórias que mereciam ser contadas, a perspectiva, como deveria ser o museu. Então foi todo um processo muito importante de escuta para trazer realmente esse olhar e a perspectiva amazônica”.
O artista marajoara Ronaldo Guedes criou um painel que se conecta com a memória e a ancestralidade da cerâmica de outra região do Pará, a Ilha do Marajó.
“Essa obra é muito da cosmologia indígena, que é a cobra-canoa que traz a argila e distribui nas comunidades para que os indígenas pudessem produzir cerâmica. São vários fragmentos que vão se juntando que eu dediquei de fato a todas as pessoas que vieram antes de mim, que produziram cerâmica”.
Além da mostra de longa duração, também foi inaugurada a exposição temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, com imagens que denunciam a crise climática. O curador Eder Chiodetto destaca os trabalhos dos fotodocumentaristas.
“A gente consegue fazer um contraponto entre a pulsão de vida e a pulsão de morte no Pantanal, ilustrada pelas imagens do universo subaquático feitas pelo Luciano, que mostram a magnitude da potência de vida do Pantanal, em contraponto aos incêndios criminosos que assolam o território, pra gente criar uma consciência a partir dessa fricção”.
O Museu das Amazônias fica aberto de quinta a terça-feira, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
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