Cultura
Galo Folião Fraterno homenageia Dom Helder Câmara e Nise da Silveira
Cultura
Um dos símbolos do carnaval pernambucano, a escultura do Galo da Madrugada, que todos os anos é erguida no Centro Histórico de Recife, na Ponte Duarte Coelho, vai celebrar em 2026 a fraternidade e a saúde mental. O Galo Folião Fraterno, como foi batizada a obra, homenageia o legado de Dom Helder Câmara, referência religiosa e humanitária, e a psiquiatra Nise da Silveira.

O arcebispo Dom Helder, indicado quatro vezes ao Nobel da Paz, via a festa do Carnaval como uma manifestação de fé, esperança e resistência popular. Ao longo de anos de atuação em Pernambuco, blocos e grupos carnavalescos buscavam as bênçãos do arcebispo nas prévias da festa.
Assinada pelos artistas Leopoldo Nóbrega e Germana Xavier, a escultura do Galo de 32 metros de altura está sendo construída 100% com materiais reciclados. A alegoria une arte, tecnologia 3D e arteterapia.
O figurino tem colaboração de pessoas em situação de rua e em acompanhamento psiquiátrico, que utilizam a arteterapia como parte do tratamento; trabalho pioneiro desenvolvido por Nise da Silveira. As 27 estrelas da bandeira são impressas em 3D por jovens de comunidades do Recife, e o peito do Galo traz um Sagrado Coração iluminado por LED, em referência à saúde emocional e ao afeto coletivo.
A escultura do Galo deve ter lugar de destaque na Ponte Duarte Coelho entre os dias 11 e 18 de fevereiro.
Cultura
Museu das Amazônias, em Belém, reabre trazendo a diversidade da região
Depois de sete meses fechado, o Museu das Amazônias reabriu nesta quarta-feira (4), em Belém, com duas exposições gratuitas. O espaço, que fica no Complexo Porto Futuro, foi inaugurado em outubro do ano passado, como parte do legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi sediada na capital paraense.

A diversidade amazônica é o tema da mostra “Amazônias no Plural”, que ocupa o térreo do museu. O percurso da exposição acompanha o corpo de uma serpente em seis ambientes que retratam o surgimento do território, e a relação entre passado, presente e futuro. Entre as obras está a instalação “Diversidade como Essência” da artista visual Roberta Carvalho. Ela conta que o trabalho entrelaça natureza e seres humanos.
“É uma instalação imersiva em 360 graus onde você tem projeções que são realizadas nas paredes e no piso. Ao centro dessa instalação você tem um móvel de Miritim. Você tem ali um vídeo que conta essa história desde o momento em que um grande asteroide atinge a Terra, passando pela formação desse terreno, contando a história da nossa diversidade de espécies, mostrando muitas imagens de povos, de florestas, de cidade”.
Uma das curadoras da exposição, Joice Ferreira, comenta o processo de escuta que resultou na celebração do território amazônico e de todos os seus povos.
“Houve um processo de escuta com diferentes organizações e representantes de vários países amazônicos, não foi apenas do Brasil, para identificar quais são as histórias que mereciam ser contadas, a perspectiva, como deveria ser o museu. Então foi todo um processo muito importante de escuta para trazer realmente esse olhar e a perspectiva amazônica”.
O artista marajoara Ronaldo Guedes criou um painel que se conecta com a memória e a ancestralidade da cerâmica de outra região do Pará, a Ilha do Marajó.
“Essa obra é muito da cosmologia indígena, que é a cobra-canoa que traz a argila e distribui nas comunidades para que os indígenas pudessem produzir cerâmica. São vários fragmentos que vão se juntando que eu dediquei de fato a todas as pessoas que vieram antes de mim, que produziram cerâmica”.
Além da mostra de longa duração, também foi inaugurada a exposição temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, com imagens que denunciam a crise climática. O curador Eder Chiodetto destaca os trabalhos dos fotodocumentaristas.
“A gente consegue fazer um contraponto entre a pulsão de vida e a pulsão de morte no Pantanal, ilustrada pelas imagens do universo subaquático feitas pelo Luciano, que mostram a magnitude da potência de vida do Pantanal, em contraponto aos incêndios criminosos que assolam o território, pra gente criar uma consciência a partir dessa fricção”.
O Museu das Amazônias fica aberto de quinta a terça-feira, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
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