Saúde
Lula inaugura serviços de radioterapia em cinco cidades do país
Saúde
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, nesta quinta-feira (11), centros de radioterapia em cinco municípios do país: Itabira (MG), Goiânia (GO), São Luís (MA), Marília (SP) e Colatina (ES). A entrega faz parte do Agora Tem Especialistas, programa que visa reduzir o tempo de espera para atendimento especializado na rede pública de saúde, especialmente para o tratamento de câncer.

Em evento na cidade mineira, o presidente inaugurou o novo serviço no Hospital Nossa Senhora das Dores, com entrega simultânea nos demais municípios beneficiados. As unidades receberam novos aceleradores lineares, um equipamento de alta tecnologia que reduz o tempo de tratamento do câncer.
Em discurso, Lula destacou que é papel do Estado garantir que todos os cidadãos tenham acesso aos tratamentos adequados de saúde, sem distinção.
“Se o presidente Lula precisar utilizar uma máquina para fazer radioterapia, ele vai utilizar essa mesma máquina que vocês estão utilizando […]. O que é que significa isso? Significa que todos nós, dos mais humildes aos mais importantes, tem que ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades”, afirmou.
“Significa que uma sociedade humana que a gente quer criar, ela não pode ter as pessoas de primeira classe que têm tudo e as pessoas de segunda classe que não têm nada. Ela não pode ter uma pessoa que pode gastar uma passagem de avião para ir fazer um tratamento em outro país e ao mesmo tempo deixar as pessoas pobres que trabalham nesse país morrendo por falta de tratamento de uma máquina”, acrescentou.
As demais unidades de saúde que receberam os aceleradores lineares são: Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia; Hospital Geral Tarquínio Lopes Filho, em São Luís; Santa Casa de Misericórdia de Marília, na cidade paulista de mesmo nome; e Hospital Maternidade São José, em Colatina.
Para aquisição dos equipamentos, o governo investiu mais de R$ 67,5 milhões. De acordo com comunicado do Palácio do Planalto, foram entregues 22 aceleradores lineares neste ano e, com isso, todos os estados passam a contar com centros de radioterapia.
Segundo o Ministério da Saúde, quase 40% dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) buscavam atendimento fora da sua região de saúde para fazer radioterapia e precisavam se deslocar, em média, por 145 quilômetros. A previsão da pasta é que com a aquisição de 121 aceleradores lineares até 2026 o tempo e as distâncias para quem precisa de tratamento será reduzido.
A radioterapia é indicada em 60% dos casos de câncer e cada acelerador linear pode tratar 600 novos pacientes por ano. Atualmente, o SUS conta com 369 desses equipamentos, que realizaram 180,6 mil procedimentos em 2024.
Recentemente, o Ministério da Saúde anunciou outras ações para expandir os serviços de radioterapia no SUS, como a criação de um auxílio para custear transporte, alimentação e hospedagem dos pacientes; a centralização da aquisição de medicamentos; e estímulo financeiro para que os serviços de saúde ampliem o número de atendimentos.
PAC Saúde
O governo também anunciou hoje mais R$ 100,2 milhões em investimentos, via Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinados à expansão e ao fortalecimento da rede pública de Minas Gerais.
Pelo programa Agora Tem Especialistas, os recursos federais serão destinados à construção de duas novas policlínicas nos municípios de Ipatinga e Divinópolis, nas quais serão investidos R$ 60 milhões.
Já em Betim, Juiz de Fora e Muriaé, serão construídos três Centros Especializados em Reabilitação (CERs), para os quais foram destinados R$ 28 milhões no total. Segundo o governo, a ação contribuirá para reduzir vazios assistenciais e fortalecer o cuidado integral e ampliar a oferta de serviços de atenção às pessoas com deficiência.
Por fim, além da atenção especializada à saúde, o investimento federal também alcançará a atenção primária, com a entrega de 32 Unidades Odontológicas Móveis (UOMs) para os municípios mineiros. Para a medida, foram destinados R$ 12,16 milhões.
As cidades beneficiadas com as novas unidades são: Frei Gaspar; São Francisco Do Glória; Manga; Fronteira Dos Vales; Imbé De Minas; Bom Jesus Do Galho; Francisco Badaró; Jaíba; Novo Cruzeiro; Pavão; Inhapim; Fruta De Leite; Urucuia; Varzelândia; Bertópolis; Lima Duarte; Icaraí De Minas; Espinosa; Tabuleiro; Campo Azul; Ubaporanga; Jaboticatubas; Sabinópolis; Porteirinha; Santa Bárbara Do Monte Verde; Divino; Canápolis; Alvarenga; Entre Rios De Minas; Itambacuri; Dionísio e Ibiracatu.
Saúde
SUS e Einstein desenvolvem IA para identificação de doenças de pele
Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita desenvolveu um sistema com inteligência artificial para apoiar profissionais de saúde pública na triagem e identificação de doenças de pele.

A iniciativa, chamada CUTIS-AI, utiliza como base imagens da lesão da pele do paciente e dados clínicos, epidemiológicos e sociodemográficos que refletem a realidade brasileira.
Entre as doenças que podem ser identificadas estão esporotricose, leishmaniose cutânea, hanseníase, cromoblastomicose, lobomicose, tuberculose cutânea, além de lesões decorrentes de acidentes loxoscélicos (picada de aranha marrom).
O aplicativo que viabiliza o uso da IA, que ainda está em estudo, foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais de saúde da atenção básica. O app pode ser utilizado mesmo em locais em que não há conexão com a internet. A taxa de acerto do aplicativo já é de cerca de 80%.
A proposta do CUTIS-AI, no entanto, é utilizar a inteligência artificial como ferramenta de apoio, sem substituir a avaliação clínica realizada pelos profissionais de saúde.
“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.
O estudo com o aplicativo já analisou cerca de 1,4 mil pacientes e conta com mais de 4 mil imagens de lesões. A diversidade de pacientes ajuda a treinar a inteligência artificial com exemplos variados, tornando o modelo mais preparado para identificar as características das lesões.
“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial” ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior.
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