Cultura
Encontro celebra protagonismo indígena nas artes e na literatura
Cultura
Celebrar o protagonismo indígena na literatura e nas artes. Essa é a proposta do “Encontro de escritores e artistas indígenas”, que vai até domingo, no Rio de Janeiro, com entrada gratuita. 

O evento conta com a realização do Ministério da Cultura e o apoio do Ministério dos Povos Indígenas. A iniciativa é idealizada pelo escritor e educador Daniel Munduruku. Ele avalia que a cultura indígena sempre encontrou uma forma de se fazer presente, mas que nos últimos 20 anos, essa presença deu um salto.
Eu acho que a cultura indígena se apresentou desde sempre, mas acho que, nos últimos 20 anos, ela teve a possibilidade de se expressar de uma maneira muito libertadora. Porque a sociedade se abriu um pouco mais para enxergar a riqueza dessa diversidade, e porque as populações indígenas também aprenderam a usar os instrumentos do colonizador para fazerem seus gritos e vozes serem ouvidos.
A programação inclui mesas de conversas, lançamentos de livros, roda de poesia, apresentações musicais, oficinas de ilustração e atividades para crianças. Tudo de graça e aberto ao público.
A edição deste ano acontece na Casa de Rui Barbosa e no Museu de Arte do Rio e inclui atividades educativas voltadas para a formação de professores.
Mais de 30 escritores e artistas indígenas participam. Entre os destaques estão as lideranças indígenas Marcos Terena, Catarina Tupi Guarani e Darlene Taukane.
No último dia do encontro, no domingo, sera realizada a etapa cultural na Fundação Casa de Rui Barbosa, com apresentações musicais, oficinas de ilustração, atividades para crianças, contação de histórias, roda de poesia e feira de artesanato e de livros indígenas. Um dia cultural para toda a família.
Cultura
Museu das Amazônias, em Belém, reabre trazendo a diversidade da região
Depois de sete meses fechado, o Museu das Amazônias reabriu nesta quarta-feira (4), em Belém, com duas exposições gratuitas. O espaço, que fica no Complexo Porto Futuro, foi inaugurado em outubro do ano passado, como parte do legado cultural da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que foi sediada na capital paraense.

A diversidade amazônica é o tema da mostra “Amazônias no Plural”, que ocupa o térreo do museu. O percurso da exposição acompanha o corpo de uma serpente em seis ambientes que retratam o surgimento do território, e a relação entre passado, presente e futuro. Entre as obras está a instalação “Diversidade como Essência” da artista visual Roberta Carvalho. Ela conta que o trabalho entrelaça natureza e seres humanos.
“É uma instalação imersiva em 360 graus onde você tem projeções que são realizadas nas paredes e no piso. Ao centro dessa instalação você tem um móvel de Miritim. Você tem ali um vídeo que conta essa história desde o momento em que um grande asteroide atinge a Terra, passando pela formação desse terreno, contando a história da nossa diversidade de espécies, mostrando muitas imagens de povos, de florestas, de cidade”.
Uma das curadoras da exposição, Joice Ferreira, comenta o processo de escuta que resultou na celebração do território amazônico e de todos os seus povos.
“Houve um processo de escuta com diferentes organizações e representantes de vários países amazônicos, não foi apenas do Brasil, para identificar quais são as histórias que mereciam ser contadas, a perspectiva, como deveria ser o museu. Então foi todo um processo muito importante de escuta para trazer realmente esse olhar e a perspectiva amazônica”.
O artista marajoara Ronaldo Guedes criou um painel que se conecta com a memória e a ancestralidade da cerâmica de outra região do Pará, a Ilha do Marajó.
“Essa obra é muito da cosmologia indígena, que é a cobra-canoa que traz a argila e distribui nas comunidades para que os indígenas pudessem produzir cerâmica. São vários fragmentos que vão se juntando que eu dediquei de fato a todas as pessoas que vieram antes de mim, que produziram cerâmica”.
Além da mostra de longa duração, também foi inaugurada a exposição temporária “Água, Pantanal, Fogo”, com fotografias de Lalo de Almeida e Luciano Candisani, com imagens que denunciam a crise climática. O curador Eder Chiodetto destaca os trabalhos dos fotodocumentaristas.
“A gente consegue fazer um contraponto entre a pulsão de vida e a pulsão de morte no Pantanal, ilustrada pelas imagens do universo subaquático feitas pelo Luciano, que mostram a magnitude da potência de vida do Pantanal, em contraponto aos incêndios criminosos que assolam o território, pra gente criar uma consciência a partir dessa fricção”.
O Museu das Amazônias fica aberto de quinta a terça-feira, das 10h às 18h. A entrada é gratuita.
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